estava lendo uns artigos seus hj.
e me lembrei daquela aula de geografia como professor Jonas, quando ele quis questionar se aquele trabalho da vila rural tinha sido escrito por um jornalista a Folha de São Paulo, lembra-se????
E nao e que ele estava certo? Será q foi um pressagio????
Parabens Audrey...
Belissimo trabalho q tem feito.
Na noite anterior leu um conto sobre despedidas. Pelo menos entendeu assim. Demorou dormir com saudades de tudo aquilo que ainda lhe pertence e lhe cerca. Chorou pela distância do sonho combinada com a proximidade da pele, nada complementar. Na manhã seguinte escolheu pelos pêssegos frescos, pelo vazio da casa cheia de gente, pelo silêncio das crianças crescendo. No fundo gostaria de estar em outro lugar, vivendo contos antigos e não acabados. Os pensamentos salgaram seus pêssegos.
Comeu pouco, não tinha força ou vontade de mastigar. O dia havia passado dolorosamente lento o bastante para cada nuance ser tragicamente percebida, compreendida e sentida. Não se tratou da repetição seca do machado na madeira, com o tempo aprendeu a conviver e a lidar com isto. A repetição se tranformou em parte da vida, do dia, da história, do futuro. Voltou a maldizer o sol e o calor, e não foi culpa da volta a pé. Nunca foi. Tudo começou a fazer sentido demais para ser digerido. Quando começou a ver as coisas como não queria vê-las, mas como elas realmente eram, parou de sentir parte do corpo, ou do dia. O desconforto era tanto que o sol ou o prato se tornaram problemas maiores e imediatos. Sua vida podia esperar, como sempre fez. Ao deitar, programou o despertador, fechou os olhos e suspirou. Foi um suspiro com uma ponta de dor, a mesma dor que carregava consigo para todos os cantos, sob o sol e sobre os pratos. Se setiu pequena demais no quarto grande.
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