foi o primeiro dia de sol depois sua volta. estava eufórica para ver o mar. sentou-se diante dele, e como se fosse obrigação, sentiu-se grande demais para não aceitar o óbvio, e não por não aceitá-lo.
ela queria estar em tudo. queria saber, ser, rir. seu riso é ironia. a graça só existe para os corações mais amargos. o doce é drama. e ela nunca se viu doce. só se sentia doce vendo o mar. porque o mar traz o drama sem medida certa. um drama que não cabe em palavras. o drama que não se verbaliza. e no exercício de suas palavras, entregues a poucos - aqueles que têm o amargo necessário para o entendimento - tenta se desamarrar das etiquetas, aquelas que já empoeiradas insistem em adiar o presente e torná-lo amargo, e ser doce com quem, como ela, tem os olhos grávidos de terra.
Decidiu por ela mesma. Tirou o casaco e as meias, abriu a janela, chorou por um ou dois minutos. Sentia que não estava sentindo nada diferente, nada vai mudar, só o endereço, porque de resto tudo já estava mudado. Agora é a hora da partilha e da partida.
O tipos.com.br é uma comunidade exclusiva para seres humanos belos,
inteligentes e ricos. Muito ricos. Bom, nem todos são tão ricos. E nem todos
são seres humanos. Na verdade tem de tudo, ou tem mas acabou. Cadastre-se.