
É fácil compreender a gritaria em torno das recentes declarações do papa Bento XVI. Tem-se aí mais uma preciosa oportunidade para a claque esquerdofrênica babar seus impropérios. E o pior é que gente bem-intencionada acaba caindo na mesma conversa.
Por que tanto escândalo? O papa apenas disse o que o bom senso espera: o catolicismo, para ele, é a única religião perfeita. É o que Nelson Rodrigues chamaria de óbvio ululante. Se o papa julgasse que a religião católica não é a melhor, ele pertenceria... a outra religião!
Trata-se da lógica elementar. Vou repetir o raciocínio: o papa acredita que a verdade está com o catolicismo – ou ele não seria católico. Mas lógica elementar não é o forte dos nossos dialéticos esquerdistas. Eles continuam rezando pela cartilha de Marx, Engels e Lênin (a nova Família Sagrada; ver Raymond Aron).
Isso não tem absolutamente nada a ver com intolerância ou falta de respeito. Bento XVI – a exemplo de seu antecessor – já se revelou disposto a dialogar com outras religiões. Lembro, por exemplo, a visita à Turquia, quando ele rezou à maneira islâmica, voltado para Meca. Um gesto simples e inesquecível, em que “Ratzinger” (assim ele é chamado pelos esquerdofrênicos) disse mais e melhor do que em 100 mil discursos.
Dialogar com as outras religiões é um pressuposto da civilização que a esquerda pretende destruir – para colocar no poder “aqueles que trabalham”. (Engraçado é que eu, por exemplo, trabalho bagarai, mas não sou considerado um verdadeiro trabalhador. É que os comissários do povo odeiam liberais.)
E dá-lhe acusar o papa de nazista, defensor de pedófilos, inquisidor etc. Na verdade, o que os esquerdofrênicos não perdoam é o papel de Ratzinger no combate à tirania comunista, e em especial o chega-pra-lá em Leonardo Boff.