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Instituto Universal Brasileiro



A decisão do STF sobre o diploma serviu para acabar com a ideia de que jornalista é uma pessoa especial. Não é, não. Qualquer indivíduo com razoável domínio sobre a palavra escrita pode ser um bom jornalista. E para isso ninguém precisa ter diploma universitário.

Moral, decência, responsabilidade e vergonha na cara são coisas que a gente não aprende na faculdade. Pelo contrário: tem muita gente que perde essas coisas no curso universitário. Como bem observou meu amigo Silvio Grimaldo – um professor que bem poderia ser jornalista, se quisesse –, cada época tem sua falácia: a ditadura militar (mãe do diploma obrigatório de jornalismo) impunha aulas de Educação Moral e Cívica e Estudo dos Problemas Brasileiros; o governo Lula impõe aulas de cidadania. É por essas e outras que eu abro meu livro do Karl Kraus cada vez que ouço alguém mencionar cidadania e ética. São palavras esvaziadas até a medula pelos vampiros ideológicos.

Quando vejo a turma – inclusive muitos amigos – a defender com unhas e dentes o diploma de jornalismo, fico imaginando os magníficos cursos que essas pessoas fizeram. Espero – sentado, é claro – que alguns deles passem a descrever as inesquecíveis aulas, os veneráveis mestres, os maravilhosos projetos, as preciosas ementas, as fulgurantes bibliografias dos departamentos de comunicação. Aos meus amigos que ainda acreditam em diploma obrigatório, só tenho um apelo a fazer: PAREM DE MENTIR A SI MESMOS!

A comparação com medicina e engenharia é uma piada sem graça. Essas áreas envolvem procedimentos muito mais complexos e científicos do que as técnicas de jornalismo. Qualquer pessoa com um bom manejo do idioma conseguiria se tornar um bom repórter em poucos meses. Semanas, talvez.

Tenho diploma, sim – e fiz um péssimo curso de jornalismo. Se tenho algum mínimo conhecimento, eu o obtive sozinho, indo a prateleiras da biblioteca jamais citadas por algum professor de comunicação.

O currículo de jornalismo me ensinou menos do que um curso do Instituto Universal Brasileiro (aqueles que vinham na página central das revistas do Pato Donald). Não posso aceitar que alguém tenha de passar por quatro de anos de enrolação para trabalhar em jornal.

Os picaretas existem e vão continuar existindo. Eles pertencem à humanidade. E os cursos de jornalismo não deixam de formá-los às pencas.

Depois da fragorosa derrota no Supremo, o pessoal do sindijornalismo está cortejando deputados e senadores. Exigem uma PEC para ressuscitar o diploma obrigatório. Lula e Sarney, na visão dos comissários do Soviete Nacional de Jornalismo, são problemas menores. Ao contrário: são aliados. Na verdade, os sindijornalistas e seus acólitos (muitas vezes, inocentes úteis) desejam ardentemente o controle do Estado sobre jornalistas “indesejáveis” e “inimigos do povo”. Querem fazer contra as poucas vozes da oposição a mesma campanha que fazem hoje contra Gilmar Mendes. O crime deste senhor, além de comparar jornalistas a cozinheiros (o que pode ser ofensivo... para os cozinheiros), é enfrentar a esquerda brasileira. Para a falange chapa-branca, Mendes é “de direita”. E não existe maior crime que esse no Brasil de Lula.

Vergonha!

*****

Sobre o MJ, falamos depois. Já há muitos (e bons) textos circulando na rede. Agora só digo três coisas:

1) As piadas típicas de morto famoso já estão rolando soltas;

2) Se o assassinato de John Lennon acontecesse hoje, uma câmera de segurança teria flagrado o crime;

3) Nunca aprendi a dançar e, principalmente, andar daquele jeito. Bem que tentei (quem pode dizer o contrário?).

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Comentários

Caro Briguet, Sou o seu 8o. leitor... Muito bom o texto!!!! Precisamos de mais jornalistas como você. Conheço muito jornalista que não sabe abrir um photoshop ou diagramar uma pagina de revista que seja.

por non-jornalista (desloguilson)

26/06/09 às 12:00 - Link

Olha, Briguet, na boa, mas agora tá muito fácil descer a lenha nos jornalistas e no diploma. Difícil deve ser arrumar uma profissão pra ser feliz. E, de tudo que você escreve, fica claro que você menospreza a profissão - nao apenas o diploma. No mais, desde quando, pra ser bom jornalista, é preciso saber abrir photoshop ou diagramar? Cada argumento tonto! Ainda por cima, protegido pelo anonimato...

por zero

26/06/09 às 12:13 - Link

Realmente, a profissão não é grande coisa, Zero.

por briguet, você é exceção

26/06/09 às 12:31 - Link

E veja como são as coisas! Nesta questão, você tem o apoio do James e a minha reprovação! Esse mundo tá transtornado!

por zero

26/06/09 às 12:53 - Link

Peraí. Eu não sou contra o diploma de jornalismo. Acho, inclusive, que em uma seleção, ter diploma é uma vantagem. E acredito que os patrões vão aproveitar essa decisão para foder mais ainda com a já massacrada classe. Além disso, o que vai ter de oportunista se aproveitando... No entanto, concordo que a escrita é um direito universal, embora ache muito simplista dizer que em seis meses o cara aprende a ser repórter, como demonstrei em um comentário que diz sobre a cobertura das enchentes no Piauí. Eu estou há cinco anos nesse ramo e ainda sou cheio de dúvidas, porque cada reportagem é um caso específico. Jornalismo não é só técnica, porque língua não é só técnica (apenas em alguns casos que não convém mencionar agora). Escrita não é equação do segundo grau. E mesmo as equações do segundo grau têm duas variáveis. Mas concordo que não aprendi merda nenhuma com os profess... cof, cof... picaretas lá do CECA. Então, nem tanto ao mar nem tanto à terra.

por margo, bancando a equilibrada

26/06/09 às 13:14 - Link

Ok, então o mundo praticamente voltou à rotação normal.

por zero, decepcionado! Haha!

26/06/09 às 13:31 - Link

Uma coisa que ficou faltando no texto: para ser um bom jornalista, é necessário algum dom. No popular: é preciso levar jeito pra coisa. O que acaba reforçando minha argumentação: afinal, dom não se aprende no curso. Alguns torcem para que eu perca o emprego. Se acontecer, fazer o quê? É o livre mercado.

por briguet, mais achatado que havaiana de gordo

26/06/09 às 14:30 - Link

O mais legal disso tudo é o Briguet conseguir dar as voltas dele e chegar no "Ah, fulano de tal enfrenta a esquerda brasileira". Acho que, das tais prateleiras da biblitoeca, vc visitou foi só uma.

por reverendo-thomas-heat, sério, isso já tá ficando ridículo.

26/06/09 às 15:07 - Link

Quer dizer que você gostou das outras partes, Reverendo. Isso é ótimo.

por briguet, avatar

26/06/09 às 15:50 - Link

Briguet, Sou sua nonagésima leitora .Falou e disse, meu caro! Belo texto! abraço

por Galatéia (desloguilson)

26/06/09 às 20:24 - Link

"Moral, decência, responsabilidade e vergonha na cara são coisas que a gente não aprende na faculdade. Pelo contrário: tem muita gente que perde essas coisas no curso universitário." Pois eu estava escrevendo em meu blog exatamente isso, mas não sobre o diploma, sobre o nível cultural dos universitários mesmo. --------- Pra quem foi a favor da necessidade de diploma e disse: "Já que vai ser assim, então tira o de Direito também", eu respondo que não mudaria muito tirar o diploma de Direito, mas tirar as estrelinhas do Enade e o selo da OAB [e uma necessidade urgente! Vide UEL: nota média no Enade é a máxima; selo da OAB desde quando existe o tal selo... E o curso é um lixo. Só estou comentando como forma de desabafo: terceiro-anista de Direito UEL e tô sem professor de uma matéria até hoje. O motivo não é que não foi contratado um ainda, mas sim que o que foi contratado não aceitou dar aula no último horário da sexta-feira à noite. Diz que era muito tarde. Processo administrativo? Revolta dos alunos? Que nada, vamo é festar!

por 9º leitor (desloguilson)

27/06/09 às 14:13 - Link

O que o Ronaaaaaaldo Fenomeno ta fazendo no post? Ele tb se formou em jornalismo?

por Tia Jana (desloguilson)

28/06/09 às 09:18 - Link

Paulo Antônio, minha descordância, como diria o Luxemburgo, está no meu mais recente post. Como, dinossauro que sou, ainda não aprendi a fazer link, deixo o aviso. Passa lá. Aquele!

por Fischer (desloguilson)

28/06/09 às 21:47 - Link

Briguet: Nunca vi argumentos tão pequenos...que tal propor,então, um exame de proficiência para aqueles que não forem formados? Onde, a não ser em um Curso Superior, o jornalista teria acesso ao capítulo "Crítica e ideologia", do livro "Cultura e democracia" da Marilena Chauí? Parece que o senhor não acompanha o que acontece na grande mida! Já viu como a Folha de São Paulo está tentando passar a idéia da "ditabranda"? Como desconstruir um discurso como o da Folha se o jornalista não tem bagagem intelectual para tanto? Ah, outra coisa, você está nivelando todos por baixo. Afinal, há bons profissionais formados nos Cursos de Jornalismo, e estes fazem a diferença nos meios de comunicação. Não se pode negar, por outro lado, que há bons jornalistas (Paulo Henrique Amorim, Nassif, por exemplo) que são formados, mas não na área de jornalismo. Por isso, defendo uma proficiência.

por João Batista (desloguilson)

29/06/09 às 12:22 - Link

Em respeito ao Instituto Universal Brasileiro, sou formado através do supletivo dessa escola, hj curso uma boa faculdade e não me sinto pior que ninguém, muito pelo contrário/ aprendi mto, assim como 4 outras milhões de pessoas que merecem o mesmo respeito q vc's estão exigindo. Sem mais João Henrique

por João Henrique Nunes (desloguilson)

29/06/09 às 13:03 - Link

João Batista: Seu comentário vinha claudicando (uma ditabranda aqui, um exame de proficiência ali), mas quando você citou Nassif e PHA, aí a coisa desandou de vez. É claro que existem bons jornalistas diplomados, mas esses dois que você citou serviriam para municiar qualquer defensor do diploma.

por briguet, dureza

29/06/09 às 13:07 - Link

João Henrique: O Instituto Universal Brasileiro merece o meu respeito. Já os cursos de jornalismo...

por briguet

29/06/09 às 13:08 - Link

Passei os últimos anos me sentindo uma grande impostora. E hoje entendi a razão. Meu diploma de jornalista...

por Luciana (desloguilson)

29/06/09 às 18:54 - Link

Caro João Henrique Venho respeitosamente explicitar minha posição de estudante de jornalismo: Vergonhoso foi acompanhar seu texto, exaltando tantos aspectos ruins e menosprezando o Jornalismo. Ah, se o senhor acha inútil um diploma, que rasgue-o, mas deixe um profissão que, SIM, interfere e muito na vida as pessoas, cumprir seu papel, que nada depende de sua contribuição. Aproveito a oportunidade para convidá-lo a ir ao Restaurante Escola Lev Grill, na faculdade em que estudo, onde será servido um delicioso banquete de debates, proporcionado por seus amados cozinheiros, onde certamente, caso for, o senhor engulirá seu diploma e sua tese. Abraços.

por João Paulo Pugin de Souza (desloguilson)

01/07/09 às 01:57 - Link

"Será servido um delicioso banquete de debates, proporcionado por seus amados cozinheiros, onde certamente, caso for, o senhor engulirá (sic) seu diploma e sua tese." Não farei comentários estilísticos. Mas o tom do comentário já mostra o espírito democrático do diplomete.

por briguet, gostei dessa: diplomete

02/07/09 às 17:07 - Link

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