Oi figura! você não está logado | Logue-se com sua conta do Google

A gripe já pegou

O padre Fábio de Mello está fazendo sucesso. Era esperado para um show em Londrina neste domingo. Não vem mais. Bocas de Matildes dizem que ele não vem por causa da gripe suína. Mas é bom lembrar que, oficialmente, a assessoria do padre informa que ele adiou a apresentação por “motivos de força maior”.

Já que estamos falando de um padre, acredito que é coisa de Deus. Sou católico, não consigo imaginar força maior. Um amigo ateu diz que a força maior pode ser “o Ratzinger” (é assim que os ateus chamam o papa Bento XVI, brilhante teólogo e um dos homens mais preparados entre os que ocuparam o Trono de São Pedro nos últimos cem anos).

Mas acho que não foi “o Ratzinger”, não. O papa tem mais o que fazer. Talvez nem sequer o padre esteja sabendo por que o show foi adiado. Afinal de contas, Fábio de Mello é um homem cheio de compromissos: além dos shows, há os programas de TV, as entrevistas, os livros, as palestras. Para não falar nas missas, no estudo e nos momentos de oração.

Não sei se o padre está com medo de pegar gripe da gente, mas o fato é que a gripe pegou na gente. Até o momento há apenas um caso confirmado, mas a imagem da cidade está indissoluvelmente associada à pandemia. E não apenas por haver 22 casos suspeitos, mas também pelo fechamento do campus universitário. Espirrar e em seguida gritar “Eu sou londrinense!” equivale a gritar “Palmeiras!” na sede da Gaviões da Fiel; ou “Gilmar Mendes!” numa reunião do PT; ou “Milton Friedman!” numa plenária do PCdoB; ou “Twitter!” na presença do aiatolá Khamenei.

A Rosângela está lendo um livro escrito em parceria pelo padre Fábio de Mello e o professor Gabriel Chalita, ex-secretário estadual de Educação de São Paulo. “Sobre os medos contemporâneos” é um livro epistolar – um diálogo por meio de cartas entre amigos. Ainda não li, e será difícil fazê-lo agora. Tenho um montão de livros na fila. Quando digo montão, é montão mesmo: a Rô fica brava porque os livros encobrem o mostrador do rádio-relógio. (Coisas domésticas, que cabem na crônica.)

A gripe suína virou um dos medos contemporâneos. Eu tenho alguns medos piores – e o mais grave é que eles se realizaram. Um dos meus medos era Lula ser reeleito presidente. Ele não só foi reeleito como tem mais de 80% de popularidade, deixando-me sozinho na Kombi com mais meia dúzia de opositores. Nesta semana, apareceu abraçado a ditadores africanos – e falando de democracia. Meu medo é que Lula resolva importar um desses modelos de governança – Kadafi, Bashir, Ahmadinejad, Hugo Chávez – para as circunstâncias brasileiras. Afinal, Lula é igual a Sarney. Não é um ser humano comum. E essas coisas pegam.

Padre Fábio, reze por nós. Se der tempo.

PS: No texto original da crônica, publicada no JL, usei “exportar” em vez de “importar”. Mas, pensando bem, não ficou tão inadequado assim. Questão de perspectiva. Afinal, Lula é o nosso presidente que mais viaja – para encontrar ditadores. Nunca na história deste país...

Tags:

Comentários

Nenhum comentário até agora

*

*

*

Seu e-mail não será publicado

Para não ter que preencher esta confirmação, registre-se

Busca

Primeira vez aqui?

O tipos.com.br é uma comunidade exclusiva para seres humanos belos, inteligentes e ricos. Muito ricos. Bom, nem todos são tão ricos. E nem todos são seres humanos. Na verdade tem de tudo, ou tem mas acabou. Cadastre-se.