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Diário de Kafka

kafka by google one
Eu era Franz Kafka e andava pela calçada em um dia com muita luz do sol. Não havia um pai, havia nem irmã, nem irmão. Minha mãe era doce e atenciosa comigo.
Perambulava pela cidade à procura de novidades. Eu era Franz Kafka, apesar de tudo. Felice Bauer era minha noiva querida, e me aguardava em sua casa, aonde iria depois do passeio com mamãe.
Chegaria em casa bem pouco cansado e com muito ar nos pulmões, tomaria um banho, sorveria chá e logo estaria na casa dos Bauer, onde minha amada me esperaria posta à janela. Mesmo assim, eu era Franz Kafka.
Não havia meu pai a sofrer dores explícitas toda a noite, que me manteria como lampião a contemplar o sofrimento contagioso de forma deliberada. Não havia minha irmã quase querida, mas silenciosa, a emitir juízo pequeno sobre qualquer pequena história minha que lhe mostrasse.
Irmão eu nunca tive. Tinha só mamãe e minha flor Felice. Mas eu era para sempre Franz Kafka.

Listas de ruptura. I - Narrativa

Em conversa com Ygor e Ana, regados por cerveja, Extra Dry Martini, cigarros e livros, matutamos a possibilidade de listas: de literatura, música, filmes, comida etc. Listas sempre são afetadas por lembranças, desejos e idealizações. O consenso entre nós três foi pensarmos em listas que romperam nossas concepções, nos formaram, que, pra bem e pra mal, nos realizaram um pouco no que se chama de cultura da vida. Enfim, listas de ruptura. Coloco a seguir uma primeira (venho pensando em produzir várias!), apresentando os dez livros que viraram minha cabeça, entortando-a. Não há ordem de preferência. Não esqueço que toda lista é pura tolice. Eis:

1.Lavoura Arcaica, Raduan Nassar
De acordo com Ítalo Calvino, nós elegemos nossos clássicos. Este é o meu clássico. Sede de releituras. A linguagem narrativa em pura poesia. A junção exata entre conteúdo transgressor e forma vibrante.

2.Perturbação, Thomas Bernhard
A arruinação total através do narrador atrás dos enfermos de seu pai médico numa viagem sombria pelos vales da Áustria desprezível. Seja em O náufrago, ou em Extinção, é a chatice genial da literatura.

3.O estrangeiro, Albert Camus
Quando se descobre que não sabemos; quando se descobre que não há o que se descobrir; que a religião não salva; que a noite é escura; que uma tarde amarela pode ser nauseante.

4.Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa
Todo o poder da língua literária em se apossar da portuguesa e recriar o mistério da literatura.

5.Matem o cantor e chamem o garçom, Fausto Wolff
Parsifal: narrador-canalha, cínico, irônico, macho, humano.

6.Morangos mofados, Caio Fernando Abreu
Adolescente, deparei-me com os contos e vi que a literatura é também um ótimo pesticida contra o sorriso. A máxima de Gide fez sentido: com bons sentimentos só se faz má literatura.

7.Hotel Atlântico, João Gilberto Noll
O último soco realmente nocauteador que tomei da literatura. Me desconcertou a tal ponto de não conseguir conduzir uma aula em concurso público.

9.O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger
O ajustamento perfeito de uma linguagem cativante a um jovem narrador diante do nojo do mundo adulto.

10.Aqueles cães malditos de Arquelau, Isaias Pessotti
O melhor título de livro que conheço aliado a uma narrativa deliciosamente gastronômica e histórica na Itália contemporânea, com jovens eruditos de diversas localidades do mundo.

A criação da alegria

É só... e conosco.
É em chuva, ou sol.
É riozinho, veredazinha que irrompe no Pantanal.
De chuva ou frio, faz-se a alegria agora.

É colheita à espreita, no rio sem sentido.
Faz falta contemplar o amanhecer.
Faz falta sempre a janela do quarto aberta no fim de tarde,
O ar que entrava nos pulmões da cidade.

(Do descampado só conheceu a casa ao longe, de madeira, vista do curral.
Aquele menino brincava sozinho enquanto o pai ia ao campo contar bezerros.
O acumular vivência não permitiria exercício).

O retrato em branco e preto escurece na parede,
E um casal velho bebe cerveja em silêncio, na sala.

GVT A escolha feliz

"Por milhares de anos, os seres humanos fodem e sujam e cagam em cima deste planeta, e agora a história quer que eu limpe tudo. Preciso lavar e amassar as latas de sopa. E dar conta de cada gota de óleo dos motores.
Este é o meu mundo, o meu mundo, e os antigos estão mortos".
(Clube da Luta, Chuck Palahniuk)

Há alguns dias recebi uma correspondência da GVT, empresa de telefonia (paranaense?) da qual alugo o número de meu telefone residencial. Uma correspondência bonita, bem montada, em forma de convite para formatura ou casamento. Na capa do envoltório, um casal sadio, bem vestido, sorridente e ajoelhado praticava a jardinagem num lindo dia de sol, sem suar e se sujar. Logo percebi que não se tratava de fatura, nem cobrança (estamos conseguindo, eu e meu amigo de apartamento dividido, manter os pagamentos em dia). Claro que seria uma propaganda ou oferta de outro combo especial, talvez uma conexão internética ultra mega giga rápida aliada a um plano de minutos infindáveis para que pudéssemos ficar horas grudados no bocal do telefone. Também não era. E também não ficamos tanto tempo assim ao telefone. Ao abrir o pacotinho, as frases direcionadas e automáticas:
1. “Cultivar relacionamentos é manter parcerias cada vez mais duradouras”.
2. “OBRIGADO Ter você conosco faz toda a diferença para nós”.
3. “Miguel, É semeando relacionamentos que se constroem grandes parcerias”.

Relacionamento? Não quero me relacionar com a GVT, só quero que minha internet e meu telefone funcionem bem. A redundância presente na segunda frase (“conosco” – “para nós”) me coloca como, além de cliente, um cativo deles. Reforçando contra o item 1, não quero parceria com a GVT. Eles já pegam meu dinheiro e eu pago apenas para ser servido. Já tenho meus bons e maus parceiros de carne e osso.
Depois de todo o texto puxador de saco lá estava ela!, a assinatura reproduzida do Vice-Presidente da Unidade de Negócios Varejo (sic), Alcides Troller Pinto. Assinatura repetida ad infinitum é tão significativa e importante quanto nada.

mais uma googlada! use soap!

O melhor estava no conteúdo físico do pacote. Grudado por um adesivo redondo, um envelopinho em cuja face salta a inscrição em laranja “Ipê”. Mais curioso, destaquei o envelopinho pra ver o que tinha dentro: despontaram três ou quatro... Como poderia reproduzir o pensamento inicial? Três ou quatro coisinhas parecendo pedaços ressecados de insetos. Ou ainda algum tipo de droga (oxalá fosse!). Mas logo me toquei que era aquilo mesmo que se dizia: sementes de Ipê. No verso desse afamado envelopinho, as instruções de como plantar: as medidas de terra, calcário, adubo; o tipo de vaso ou saco plástico necessários; como jogar as sementes; como regar; e as precauções necessárias quanto à água e sol.
Ou seja, mandaram-me umas sementes de Ipê para plantar e salvar o planeta. Claro que é somente a parte que me cabe do todo. Todos devemos participar, tchê! O engraçado é a sugestão. O engraçado é como é feito o processo pela empresa GVT. Se me enviassem umas sementinhas sem nenhuma puxadinha do meu saco e só escrito: “Miguel, o mundo tá feio. Tá tudo se fodendo. Planta isso aí, por favor, no bosque central de Londrina para os pombos cagarem em cima e as galinhas ciscarem ao pé!?”. Eu não teria resistido e, claro, plantado essa e outras. Essa besteira de sustentabilidade ou o que valha fornece muito espaço para as empresas se passarem por responsáveis, mas apenas em propagandas. E que não lhe custam nada, pois se aproveitam da consciência (a ser culpada, sempre) dos consumidores.
Ah, Ipê-Roxo... Uma das árvores mais lindas que existem, mesmo que a SEMA de Londrina não concorde. Agora esse papo de sustentabilidade... De consumo responsável... Só rindo, esses caras são engraçados.

O morto nunca está só

Uma das partes mais interessantes do Jornal de Londrina é a de “Falecimentos”. Trata-se de notas que normalmente aparecem na penúltima página do tablóide. Não é a seção “Divirta-se”, e sim “Mosaico”, que nominalmente já explicita o teor dos textos: são comunicados sociais para constar, não notícias.
Dispõem-se assim: acima do horóscopo e dos quadrinhos super engraçados do Benett; à esquerda da previsão do tempo, das fases da lua e do horário de nascer e pôr-do-sol; e à diagonal das cruzadinhas.
Normalmente, aparece um curto texto (entre 70 e 100 palavras) falando um pouco sobre o morto principal: profissão, idade, local de nascimento, suas qualidades, cônjuge, filhos, netos etc. O teor elegíaco, como esperado, é predominante. Mas por vezes alcança-se alguma outra forma expressiva inusitada, seja poética, dramática, ou mesmo cômica.
O morto do dia está bem acompanhado, outros seis ou sete sustentam-no, mas infelizmente apenas com seus nomes impressos, idade e local do velório. O texto de ontem (27/01/2009) me intrigou. Apareceu assim:

Geraldo, um homem solitário

Geraldo Teodoro dos Santos, faleceu ontem, aos 58 anos, após uma longa internação hospitalar. Morava sozinho, em uma casa emprestada no Jardim Ouro Branco. Mudou-se de Palmeiral, Minas Gerais, há 30 anos e veio para Londrina tentar a vida. Ultimamente, antes de cair doente, vendia materiais de limpeza pelas ruas da cidade. Das duas filhas que teve, não há notícia. Descrito por familiares distantes como um homem bom e carinhoso, Geraldo foi sepultado ontem mesmo no Cemitério São Pedro. Certamente, terá a sua solidão em terra compensada no conforto de Deus.
Sepultado no Cemitério São Pedro

Geraaaaldo

Bom, todos os informes já citados (idade, origem, profissão...) foram devidamente preenchidos. Mas o que me chamou a atenção foi o fato de ser um deambulador solitário (“Morava sozinho, em uma casa emprestada no Jardim Ouro Branco”. “Das duas filhas que teve, não há notícia”) e o título deixar claro isso. Um título de conto.
Ok, mais um desgarrado na vida. Gosto particularmente dos desgarrados e perdidos e isolados. Se se isolou ou foi isolado, não importa. Pra mim, importa o que escreveram no final e foi o motivo que me concentrou: “Certamente, terá a sua solidão em terra compensada no conforto de Deus”. Tudo bem, Deus é um grande conforto. Indiscutível, pois não se tem o que argumentar quando se apela ao divino. Mas quem disse que Geraldo quer compensar e equilibrar sua solidão no Além? Quem pode afirmar que ele foi infeliz? O que garante que seu recolhimento em vida não foi compensatório? Solidão é sinônimo de tristeza, ressentimento e rancor?
As pessoas adestradas para rebanho não perdoam os sós. O morto não podia estar só em vida. Puxa vida!

Benjamin Button e Ensaio sobre a cegueira

Nos últimos dias, vi dois filmes ótimos: ontem, no cinema, O curioso caso de Benjamin Button e anteontem, em casa, DVD do camelô, Ensaio sobre a cegueira. São filmes recentíssimos, de 2008, cujos enredos de tão simples e originais (talvez justamente por isso) nos remetem à pergunta boba: como não tinha pensado nisso antes?

tempo

Benjamin Button, com Brad Pitt no papel principal, foi dirigido por David Fincher, o mesmo de Zodíaco e Clube da luta. O argumento vem de um conto de F. Scott Fitzgerald e apresenta a história de um homem que nasce velho e com o passar do tempo rejuvenesce. Logo no início me chamou a atenção certas semelhanças com Forrest Gump (1994), de Robert Zemeckis. Os dois personagens principais são extremamente carismáticos, doces, até meio abobalhados, deixam-se conduzir pelos percalços de suas vidas de modo pacífico. E são muitos os percalços e fatos históricos importantes que presenciam e dos quais participam. Contudo, a maior proximidade é o poder magnético da história, pois não se consegue desgrudar os olhos da tela um segundo sequer. A empatia causada pelos personagens centrais desenlaça as narrativas de modo suave e constante; os dois são exímios contadores de histórias. Além disso, a técnica utilizada em ambos é a do flashback, que confere um ar nostálgico irresistível.
São os temas que o filme apresenta que tocam mais fundo: a necessidade de adaptação à regras do mundo social, a finitude e, claro, o amor, encarnado na figura materna de Queenie e sobretudo de Daisy, personagem da lindíssima Cate Blanchett. O tempo, certamente o tema que permeia todos os outros, é visto de modo circular. Nos desencontros e acasos que nos regem, há um ponto demarcador das maiores aprendizagens valorizadas pela história: viver as convergências amorosas e saber se despedir daqueles aos quais nos apegamos.

Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, prima pelo retrato do sufoco, da desorientação causada pela epidemia de cegueira, em que as condições humanas de sobrevivência ficam relegadas aos outros quatro sentidos restantes. O caos demonstrado por uma câmera e perspectiva quase sempre desfocadas, trêmulas, justamente para sugerir a desorientação humana diante de uma nova imposição natural, é implacável.
Só uma personagem continua vendo e é o apoio necessário que o espectador tem para compartilhar sua experiência: o mundo cuidado pelo ser humano que vê não é nada, em sua maior parte, melhor ou mais avançado moral e solidariamente que aquele imperado pelos cegos. O filme mantém a ideia principal de Saramago: qual a responsabilidade de se ter olhos quando ninguém mais vê? Fica a impressão de que a eficácia crítica das alegorias literária e fílmica é justamente conseguir fazer de todo mundo cego fisicamente para em seguida revelar que aquilo que é velado diariamente (a violência, o descaso, a corrupção, a miséria) venha à tona de forma mais contundente, já que quase nada muda no comportamento do homem. Dessa forma, a cegueira age como um espelho. Não é uma cegueira de trevas, são trevas brancas que acometem os indivíduos.

Ao comentar a literatura fantástica, José Paulo Paes escreveu: “Num conto fantástico, em nenhum momento o leitor perde a noção de realidade”. O mesmo se aplica a Benjamin Button e Ensaio sobre a cegueira, um cinema de cunho fantástico. Nunca somos suspensos da realidade dita concreta. E é exatamente isso o que a torna mais dolorosa e mantém o mistério de esses filmes serem realidades brutas. A fantasia é tão verossímil e a realidade tão extravagante que nessa ambiguidade reside o poder de a ficção e o cotidiano se alimentarem mutuamente, alargando nossas percepções da natureza e do ser humano.

Vertical

São migalhas.
Migalhas de água que caem indecisas sobre a cidade.
Não são gotas. São migalhas. Picotadas.
E me ponho sentado junto à janela da sala do 19º andar.
Vejo migalhas de águas se esfarelarem,
algumas extintas antes de cair em telha, automóvel, asfalto.
(Algumas nem chocam a matéria, só se esvaem no ar bem alto).
Assustadoramente, o sol é bem quente e rompe a pequena existência desse fenômeno meteorológico.
É uma poeira de água.

Sexta Londrina

Em Londrina, sexta-feira.
Janelas abertas, cortinas arriadas,
Mãos espalmadas num andar bem alto de prédio,
Cheiro de sabão novo nos dedos.

Ficar de quatro na cama, rente à janela, captar as partículas da cidade.
Sexta-feira.
As fumaças da semana marrom sobem, sobem,
Vão até os narizes que cheiram a cidade toda,
Londrina à noite,
Sexta-feira.

Para mim, a cidade é isso:
Londrina à noite, sexta-feira, duas cervejas na cabeça.
Encostado na janela sentindo o fumegar de uma reunião de concreto e carne.

Quantas casas, becos, ruas, árvores, bosque, Concha,
Viela, bocas, rodoviária, Catedral, Relógio, universidade.
Tudo se prepara para sair à noite nesta cidade,
E voltarem régios pra casa.
Porque há majestade em cada grampo de coisa no chão.

(Na cidade onde nasci, não é Londrina, há também shampoo, gel, sabonete, secador de cabelo, essas coisas que a noite usa. Mas fui sentir o cheiro espalhando-se aqui. Como também há em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba – a cidade enigmática –, há em Londres, Amsterdã, Paris. Mas aqui é Londrina e eu moro num apartamento alugado num prédio antigo de andar bem alto.)

Poeira

Eu penso na manhã de amanhã. Será que amanhecerá chovendo?
Hoje em Londrina faz uma noite agradabilíssima. Estou sozinho em casa, nas alturas de um 19º andar. A janela do quarto aberta, totalmente aberta e escancarada. Entra uma brisa que vem do sul e bate na parede gasta do prédio, esse ar acaba e entra aqui, no canto. Uma massa morna, fluida e reconfortante. Vem alguma fumaça de automóveis, vem alguma poeira a incrustar os lençóis, as fronhas dos travesseiros, a mesa de escritório, os livros e outros papéis. Não importa, escolho o que respirar. E meus pés agora sem meias estão pisando completamente o assoalho.

Pra variar, penso em Bandeira:

“Poema Só Para Jaime Ovalle”


Quando hoje acordei, ainda fazia escuro

(Embora a manhã já estivesse avançada).

Chovia.

Chovia uma triste chuva de resignação

Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.

Então me levantei,

Bebi o café que eu mesmo preparei,

Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...

- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

Esse café já não passou?

Sábado de manhã. Eu acordo em cima do celular, ele toca. Também o cinto no quadril, a pinga na garganta, o soluço na espreita... Uma mensagem anterior no celular: “Já acordou?” Meia nos pés, camisa amarrotada no dorso. Hoje tem palestra de João Gilberto Noll, Festival de Literatura de Londrina.
- Esse apartamento é muito frio.


A água engarrafada no vasilhame já vencida. F. 150708L 012MIN V. 150709 10:41
Um café pra todos?
- Abre esse quarto. Está um cheiro ruim.
Acordei. 12:31. Tem aula em casa de francês. A porta é trancada com bastante firmeza, a comunicação ao lado. São amigos queridos. O molho de chaves, agora trocadas e devolvidas, está mais leve. Mas há uma em cima da mesa que é da porta da sala do meu apartamento, fazia tempo que não a usava.
Faz sol hoje. E abro as janelas do quarto o máximo possível com que se possa escancará-las.

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