
Eu era Franz Kafka e andava pela calçada em um dia com muita luz do sol. Não havia um pai, havia nem irmã, nem irmão. Minha mãe era doce e atenciosa comigo.
Perambulava pela cidade à procura de novidades. Eu era Franz Kafka, apesar de tudo. Felice Bauer era minha noiva querida, e me aguardava em sua casa, aonde iria depois do passeio com mamãe.
Chegaria em casa bem pouco cansado e com muito ar nos pulmões, tomaria um banho, sorveria chá e logo estaria na casa dos Bauer, onde minha amada me esperaria posta à janela. Mesmo assim, eu era Franz Kafka.
Não havia meu pai a sofrer dores explícitas toda a noite, que me manteria como lampião a contemplar o sofrimento contagioso de forma deliberada. Não havia minha irmã quase querida, mas silenciosa, a emitir juízo pequeno sobre qualquer pequena história minha que lhe mostrasse.
Irmão eu nunca tive. Tinha só mamãe e minha flor Felice. Mas eu era para sempre Franz Kafka.