Maestro Waltel Branco:
Foto: Alessandra HaroNo alto de seus 74 anos, este ilustre músico paranaense tem um dos currículos mais absurdamente admiráveis que eu já vi: nasceu em Paranaguá, filho de músicos. Quis se dedicar ao violão (coisa de malandro na época) contrariando o estudo clássico de música recomendado pelo pai. Terminou os estudos em Curitiba. Mudou-se para o Rio de Janeiro. Criou a Bossa Nova (ele dividia um apartamento com o
João Gilberto, que levou a fama). Depois mudou-se para Cuba, onde tocou com músicos do país. Graças a isso foi premiado como melhor violonista espanhol de flamenco (mesmo sendo brasileiro!). Cruzou o oceano fugindo de Fidel, que se invocou com o brasileiro e iria perseguí-lo. Chegando nos EUA, começou a tocar na noite. Fez parte da banda que acompanhava
Dizzy Gillespie. Tocou Jazz-rock em plenos anos 50 no
Chico Hamilton Trio. Foi precursor do Fusion. É co-cunhado do
Quincy Jones, por quem tem grande admiração. Arranjou com
Henry Mancini a trilha (indicada ao
Oscar) do filme
“A Pantera Cor-de-Rosa” - anos mais tarde a trilha foi relançada no Brasil com arranjos de samba no disco
“Mancini Também É Samba”, ítem de colecionador. Trabalhou também com
Nat King Cole, entre dezenas de grandes músicos internacionais. Foi arranjador musical das trilhas de novelas, programas e vinhetas da
Rede Globo de televisão por mais de 25 anos. Depois de sair da emissora, meteu-lhe um processo ligado a direitos autorais. E ganhou. Por causa disso,
Roberto Marinho e sua trupe não deixaram barato e apagaram o nome de Waltel pelo país usando sua grande rede de contatos.
Hoje Waltel está em Curitiba, tocando pra pouca gente que nem faz idéia de sua maravilhosa carreira. De qualquer forma, continua sendo homenageado e premiado em todo o mundo, é solicitado para arranjar orquestras, já foi nomeado até como comendador (e ele nem sabe do quê). Lançou mais de 20 discos, cultuados pelas experimentações e virtuosismo. Nos sites gringos chegam a pagar 40 dólares por seus CDs (que dirá os vinis?). Como se não bastasse, é citado pela
Enciclopédia Delta Larousse (1973) como discípulo de Segovia (maior violonista clássico do mundo), igualando-lhe ao mestre.
Esse é Waltel Branco, uma das atrações deste domingo no
5º Bazar Umbigo, onde toca às 18 horas.
Ah! No
Bazar Umbigo também vai rolar
Wandula,
Beijo AA Força (lançando o CD comemorativo de 20 anos, cheio de canções punks antigas nunca gravadas),
Black Maria, espetáculos de teatro e o propriamente dito Bazar.
Apareeeeeeeçammm......