- 23 filmes escolhidos a dedo na barraquinha do shopping popular (descobri tardiamente que existe dentro do camelódromo o Museu do DVD, onde você pode encontrar TODOS os clássicos do cinema), alguns da minha lista de filmes obrigatórios que eu ainda não vi e outros lançamentos interessantes. The Double Life Of Veronique, As Bicicletas de Belleville, Entre os Muros da Escola, Budapeste, Labirinto, Cartas de Uma Desconhecida, Dançando no Escuro, Retratos da Vida,e mais, muito mais...
- Love is Blindness, compilação novinha em folha e com detalhezinhos geniais. Eu já falei disso uma vez aqui no blog, mas sou obrigada a falar de novo, porque é tão bom que eu preciso dividir. Quem gosta de música boa sem rótulos, baixe.
- 5 pacotes de pipoca, 3 garrafas de um Merlot baratcheeenho e fantástico, brigadeiro de colher, um sofá aconchegante com duas almofadas peludas da raça shih-tzu, chuva lá fora e boa companhia.
O que você faz quando uma pergunta aparentemente simples e espontânea que você resolveu fazer gera uma resposta que volta bumerangue, cortando o céu da boca, entrando goela abaixo, corroendo esôfago e vomitando lava no seu próprio estômago? E pior, o que você faz quando, diante dessa erupção interna toda, dessa sensação torpe de enjôo você não tem um buraco no chão, uma passagem secreta, saída de emergência ou um ponto de fuga aparente?
Disfarço-me de mármore, visto o sorriso estático e ergo imediatamente o volume das caixas de som internas no nível ensurdecedor. Ninguém mandou perguntar.
Sex & The City. Terceira Temporada. Episódio em que A Carrie encontra uma amiga que está acompanhada por um cara obviamente gay e o apresenta como namorado, antes de esclarecer:
- Ele é obviamente gay, então o apresento como meu namorado.
Carrie, que está acompanhada pelo seu amigo, também homossexual Stanford, gira nos calcanhares (sempre quis usar esse termo) e diz:
- Bem, neste caso, este é o Stanford, meu namorado.
Ouvi um murmúrio surdo (ou seria mudo?) de indignação. Pause.
- Que foi??
- Sabe o que é, Fer? Por que as mulheres acham que têm que ter um amigo gay?
- Eu não acho que eu TENHA que ter um. Mas tenho mesmo assim. O que tem?
- Ai, sei lá, parece que vocês querem desfilar com seus poodlezinhos gays, parece que somos cachorrinhos enfeitados que tornam a vida da dona deles melhor, mais glamurosa. Olha lá que patético. Por que uma mulher se torna mais interessante quando ela tem um amigo gay?
- Você se sente assim?
- Como?
- Comigo...
- Não. Com VOCÊ especificamente não. Nunca pensei.
- Então.
- É..mas não quero ter mais amiga amapô não. Chega. Já tá bom.
- Claro...
- Uma dona só e fim. Pode por no play de novo.
E aí você está voltando para casa depois de um dia que aparentemente não te disse nada, quando de repente você percebe que a música que está tocando no carro e você nem estava prestando atenção te diz tudo o que você precisava (e deveria) ouvir.
E então você respira melhor.
Eu não gosto de gente efusiva. Não sei lidar com pessoas que chegam nos lugares com melancias imaginárias no pescoço. Não acho natural alguém que não me conheça me chamar de "amiga", e reajo mal ao exagero gestual e sonoplástico. Não tenho paciência com vendedoras de loja que me chamam pelo diminuitivo segundos após eu ter dito o meu nome, e que insistem em dizer que o jeans ficou ótimo quando o espelho grita de horror. Ok, talvez essas pessoas não sejam efusivas de verdade. Talvez elas façam isso com o único objetivo de vender mais. Comigo não funciona. A verdade é que eu valorizo a discrição, talvez até pela minha própria personalidade, que eu não diria que é totalmente instrospectiva, mas, sim, é muito mais "pra dentro" do que o contrário. Adoro quem fala baixo, quem chega sorrateiro, quem tem o bom senso de não achar que é íntimo sem o ser. Esses dias eu estava no Vilão com dois amigos, igualmente defensores da causa, quando um grupo de cinco meninas efusivas sentou numa mesa próxima à nossa. Minutos depois, já tínhamos algumas informações sobre a vida de cada uma delas, e sabíamos que a Cris tinha "pegado" o garçom. Tentamos continuar a nossa conversa e fingir que não era com a gente. E não deveria mesmo ser, mas o fato é que foi ficando praticamente impossível sustentar um assunto na nossa mesa quando a poucos metros de distância o nível de decibéis ultrapassava os limites, se não os permitidos por lei, os permitidos pela nossa tolerância. Os incomodados que se retirem? Os incomodados bem que tentaram, mas não havia outra mesa, e a nossa garrafa de vinho ainda estava na metade. Resolvemos, então, por ém prática o outro dito popular e nos juntamos aos inimigos, uma vez que não era possível vencê-los. Não, não fomos nos sentar com elas, mas pusemos fim à tentativa de continuar o nosso assunto e nos dedicamos unicamente a ouvir a conversa das meninas, que estavam falando sobre gostos musicais, até que:
- Quando eu era pequena, eu era bem mais culturada e ouvia mais MPB, tipo Roberto Carlos, Jorge Benjor, Agepê. Depois do Raça Negra eu parei um pouco porque pagode é mais alto astral e...
- O que é Agepê?
Enquanto o coral da mesa das meninas cantava "Deixa eu Te Amar" em uníssono, nós, em silêncio, pedíamos a conta.
Eu não sei dizer ainda se foi nível auditivo, gramatical, cultural ou musical da conversa que doeu mais os ouvidos da nossa mesa "toda-ouvidos", mas decidimos terminar o vinho e o papo em outro lugar.
Quando não me sei, embebedo-me num estranho transe, povoado de uma impaciência infinita e ansiedade de véspera. Os cansaços repousam em todos os cantos da casa, resmungando a inércia das coisas. A poeira que cobre os móveis é a mesma assentada da minha pele, poeira de vazio e silêncios, sinfonia surda e conteúdo oco. Quando não me sei, perco as medidas de todo o resto. Enquando não me defino, calo. Busco o parar dos ponteiros e o refluxo das sensações, o exaurir de tudo. Procuro página por página o trecho interessante, descasco as paredes buscando a cor antiga que eu costumava gostar. O rosto destoa, os passos não são meus, a roupa não me serve mais, tudo é do avesso e imóvel. No peito, uma revoada de pássaros inquietos sobrevoa um incerto céu cor cinza. No tear das horas eu teço emaranhados de nadas, urdiduras amarrotadas de desassosegos. A outra de mim me busca aflita pelo espelho e questiona por onde eu ando esse tempo todo,e se vou demorar a voltar. Evito. À margem da vida que não é minha, olho de fora, espectadora ansiosa diante da tela em branco, vida em pause, asas guardadas no armário. A única certeza, pregada na testa, é a necessidade do esgotamento, para que se instale, enfim, um tempo de reinvenção.
"No me malinterpreten,
No estoy quejándome.
Soy jardinero de mis dilemas" e esta é, sem dúvida, uma das maiores verdades
"En tren con destino errado
Se va más lento que andando a pié"
Chega um momento da vida em que paramos para pensar se somos exatamente aquilo que queríamos ser. Ou, pelo menos, se estamos tentando chegar lá. E, quando se descobre que não, que estamos acomodados, que não era bem isso, que esta pessoa que somos não se parece em nada com aquela que esperávamos ser, é preciso parar. Parar e pensar. Fazer listas, no meu caso. Como eu já disse aqui no blog, tenho esse hábito de listar as coisas. Todas. E ontem eu fiz uma lista das coisas que eu preciso fazer, ser, conhecer, terminar, começar, dar, receber, aprender, ter, ver, me desapegar, viver, até eu completar 30 anos. Até agora, 42 itens. Prazo limite: 12/10/2011. Time is running.
Uma das coisas mais legais que descobri na internet foi o Livemocha. Eu sempre gostei de línguas, e não pretendo me conformar enquanto não for fluente em alguns idiomas. Pois bem. Recebi um convite pra entrar lá, e recomendo. À primeira vista, parece um orkut, onde você tem um perfil, amigos e tal. Mas o objetivo é você se matricular em algum idioma e aprender. Não é ensino à distância, não tem que pagar nada, é rápido, prático e indolor. Aprende-se através de associação de palavras e imagens, as pronúncias sao perfeitas, e o método é simples. Você faz seu horário, entra quando puder, e aprende no seu prórpio ritmo. Salva as aulas, imprime, estuda, se quiser. E o mais legal de tudo é que os exercícios são corrigidos por nativos da língua que se está aprendendo, e você também é convidado a colaborar corrigindo exercícios de escrita e áudio de quem está aprendendo a nossa língua (por mais increça que parível, tem bastante gente matriculada no curso de português). Além de tudo, ainda é possível conversar com nativos do idioma de seu interesse via chat, equipado com um tradutor simultâneo. Ou seja: não tem mais desculpa pra não ser, no mínimo, bilingue.
- Tira essa música. É triste.
- Não.
- Eu tiro, então.
- Não. Deixa. Eu gosto.
- De sofrer?
- Não, da música.
- Não, você gosta de sofrer. Assim como eu. Tristeza gratuita.
- Não é gratuita. Existe um motivo.
- Não existe, você o inventou.
- Logo, existe.
- Então chora.
- Não consigo.
- É porque não é triste o suficiente. Não quanto você gostaria.
- Ahn?
- É. Você inventa as coisas, cria o drama, pra satisfazer sua vontade de sentir intensamente. Mas o seu corpo não concorda, não se sensibiliza. Não foi o suficiente. E então não consegue chorar.
- Será?
- É. Você quer acreditar no drama, porque não se sentiria vivo se não sentisse de maneira profunda essas situações. Mas no fundo não te convence.
- Pode ser.
- É claro que sente, mas não como antes, quando éramos mais novos.
- E faço o que então?
- Esquece esse roteiro. Esse filme aí seria um fracasso de bilheteria. Vem. Vou te fazer um café.
E será que é assim então? Será que algumas pessoas precisam realmente de um motivo pra sofrer e assim se sentirem vivas? Será que o mar de rosas simplesmente não é suficiente sem que haja uma tormenta? As cotidianidades não satisfazem a todos, realmente? Há quem não fique feliz enquanto não tiver uma pulga atrás da orelha? Ou uma sarna pra se coçar? Procuramos problemas propositalmente? E, pior que isso, alguns deles realmente deixam a vida mais interessante?
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