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Imagempalavra

marina camargo - Sem título (letras)
Sem título (letras), de Marina Camargo.

Não sei explicar onde nasceu em mim o amor pela palavra escrita. Muito menos quando. O mesmo para as artes plásticas.

De alguma forma vieram (estes amores) de momentos distintos.
O que é mobilizado em mim, tanto pela palavra, quanto pela imagem, passeia pelo mesmo caminho - são experiências fisiológicas.

De uns anos pra cá descobri que imagem e palavra juntas criam em mim excitação elevada à última potência. No mestrado descobri as cadeias ancestrais das obras que eu criava:

O trabalho estético com a palavra e com a pintura foi utilizado por muitos artistas que transgrediram os limites da literatura e das artes plásticas.
Os exemplos são inúmeros: as iluminuras medievais, as acrobacias visuais de E.E. Cummings e Apollinaire no poema que representa e também se mostra; a narrativa pela palavra e imagem de Valêncio Xavier; a palavra cotidiana grafada na tela cubista de Picasso, Juan Gris, Robert Delaunay e Braque; a multiplicidade artística de Victor Hugo; a palavra e imagem como conceitos inquiridores de Duchamp e Magritte; o primeiro livro simultâneo de Blaise Cendrars e Sonia Delaunay La prose du Transsibérien et de la Petite Jehanne de France; a apropriação da palavra massiva e seus novos significados em Guy Debord e Bárbara Krueger; a orientação visual da página como tela de Mallarmé e dos concretistas, entre muitos outros.

Há cerca de um mês sofri do espanto de Laura Erber. Artista jovem e consistente. Fotografias, arte e tecnologia, vídeos. O trabalho mais poético, na minha opinião, é o salvamento de peixes dourados projetados sobre o livro da escritora argentina Alejandra Pizarnik que se suicidou em 1972.

Hoje encontrei Marina Camargo. Nas obras desta outra jovem artista a literatura se coloca como corpo presente, a palavra é matéria plástica. Há menos investigação de significados dos textos e mais experiência prazerosa com as letras. Meu amor pela literatura e pelas artes plásticas se expandiu.

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