Hoje resolvi ler uns posts antigos e descobri que tenho talento para prever o futuro. Lembram da crise do fim de 2008? Foi prevista por mim neste blog num post publicado em 29 de janeiro de 2008, às 21:41.
Acompanhe:
"Os BRIC, o ano do rato e a economia mundial
O início do ano chinês se comemora dia 7 de fevereiro. A partir dessa data, 1 bilhão e 300 milhões de chineses seguirão sob influência do ano do Rato - um ano ótimo para acumular riquezas e procriar também, segundo a tradição. Mas um colega me perguntou: se TODOS vão ganhar dinheiro (e durante UM ANO!), QUEM vai perder?
Simples! Os Estados Unidos (e todos aqueles que não seguem o calendário chinês)!
Eu já estou preparando minha champagne. Não quero estar do lado dos PERDEDORES!
E que nos sigam a Índia e a Rússia!"
Mario de Andrade tem um conto que se chama Peru de Natal. Eu adoro esse conto. Mas o meu peru de natal não tem nada a ver com o dele.
Muito bem, o Natal estava chegando. E como é praxe em algumas empresas, os funcionários costumam receber regalos no fim do ano. Como uma gentileza natalina, a empresa banca o peru, o tender e até uma sobremesinha para todos se lembrarem de onde vem o dinheiro da família no momento da celebração.
Estava eu em Foz, com meu peru congelado em Foz, porém minha família estava em Curitiba, sem peru congelado em Curitiba. Telefonei para minha mãe e avisei que ela não precisaria comprar um peru para a ceia, pois eu já o tinha.
E chegou o momento de embarcar. Embrulhei o peru congelado em bastante jornal, coloquei em uma sacola térmica promocional especialmente desenhada para o kit de natal. Mas ainda faltava uma coisa: a caixa de papelão, afinal eu iria de avião e precisaria despachar o penoso.
Uma caixa eu já tinha. A outra pedi para um colega da firma, que prontamente me atendeu. Certo. Tudo embrulhado e devidamente fechado com fita crepe, parti. Ao chegar ao aeroporto, coloquei as caixas no raio-x da Receita Federal. Já estava retirando as caixas do outro lado quando a otoridade perguntou É material orgânico isso que você está levando aí? Sim, seu moço. É um peru congelado!
E ele: Ah, e lá em Curitiba não tem peru congelado?
... (certo)...
Tem sim, seu moço, mas é que esse aqui a firma deu de graça...
Ah, você trabalha na Sadia?
Não. E nisso a otoridade passava aquela maquininha nas caixas para investigar vestígio de drogas. (claro, porque se fosse um cão farejador, provavelmente ele salivaria. O cão, não a otoridade)
Então o seu moço fez lá uma brincadeira e eu, já vendo a fila se formando e se aglomerando atrás de mim, dei uma risadinha nervosa.
Tudo certo, já tinha colocado as caixas de novo no carrinho quando o seu moço falou Vou ter que abrir isso aí. Eu achei que ele estivesse brincando e saí. Feliz Natal eu disse. E ele Não, é sério, a sua caixa tem vestígio de cocaína. E deu uma porcentagem bem alta... você veio de táxi?
Sim, falei
Ah, porque às vezes os taxistas transportam outras coisas no porta-malas e acabam contaminando as outras bagagens...
Hum...
Foi você que embalou esses frangos?
FRANGOS! Pô... já rebaixou a minha ceia. Fosse FRANGO eu que não ia levar pra minha mãe fazer um FRANGO na ceia de natal... (claro que isso eu não falei, isso eu só pensei)
Sim, disse eu.
Então ele tirou tudo aquilo que eu havia colado de fita crepe e abriu a caixa. E a fila se avolumando. E o peru descongelando. E o homem passou a maquininha no peru. E eu fiquei esperando a porcaria da máquina dar o resultado. E ia calculando a possibilidade de que se o estoquista da Sadia fosse um noiado e se tivesse cheirado bem no dia que eu fui buscar o peru e se ele tivesse uma rinite e se tivesse espirrado justo sobre o meu peru, aquela máquina iria apitar de NOVO. E caso isso acontecesse, a otoridade iria abrir o meu peru para saber se estava "recheado", no caso não de farofa. Só que se ele abrisse meu peru, então ele estaria perdido para sempre (o peru, não o moço), afinal eu que não ia ter a cara de pau de chegar para minha mãe, olha, prepara esse peru aberto e furado e descongelado e escangalhado para a nossa ceia de natal.
Mas, ou eu tive sorte, ou o estoquista não tinha rinite, ou ele não tinha cheirado, ou ele não era noiado, de modo que a maquininha não apitou, GRAÇAS A DEUS. Mesmo assim, a otoridade ainda quis averiguar a minha mochila. Momentos de tensão, afinal só Deus sabe por onde minha mochila passa, sempre despacho no avião, ando de ônibus, de táxi, de tudo mais com ela. E volta e meia passa um noiado, o que em Foz do Iguaçu não é raro, e espirra na sua mochila assim, desavisadamente, em plena luz do dia... de modo que a maquininha sem-vergonha APITOU. Sim, ela apitou acusando a quantidade de cocaína mínima suficiente para fazê-la apitar.
E todo aquele povo da fila atrás de mim, esperando com ansiedade a minha situação se resolver, soltou um suspiro de surpresa e de apreensão OOOOOHHHHH E eu pude entender naquele sonoro OOOOHHHH todo aquele povo dizendo péraê! vão abrir o peru da menina! A ceia dela estará perdida para sempre! Não deixem abrir o peru da garota! Ela nem tem cara de traficante! Ela é uma moça honesta, tem família!
É... disse a otoridade. Eu vou ter que abrir o seu frango.
OOOOOOOOOHHHHHH
Uns consultavam o relógio, outros se compadeciam... Mas eu olhei fixamente a autoridade nos olhos, enchendo-os de lágrimas, engoli seco sabendo que poderia ser presa por desacato, e perguntei Você realmente acha que eu estou levando drogas dentro deste peru Sadia congelado, temperado, e com válvula que indica quando o peru está pronto?
IIIIIIIIHHHHHHH Foi o som que se ouviu da fila. Momento tenso.
E a otoridade - ele tinha tipo o bigode do Magnum - ficou calado, pensou e então ele fez uso de toda a discricionaridade que emana do poder que ele detém para finalmente me liberar. Certamente foi a magia do natal (e toda essa baboseira que a gente assiste nos filmes da sessão da tarde que passam nessa época) que fez o Magnum mudar de ideia...
E eu sorri aliviada. Agradeci os aplausos da fila e segui feliz com meus frangos de natal, já imaginando-os devidamente assados e recheados na ceia de Natal.
Feliz Natal para vocês também!
Acabei de descobrir a verdadeira fórmula da magreza. Funciona assim:
Primeiro vá ao supermercado e compre várias coisas, como uma ricota para fazer um sanduba, umas abobrinhas para fazer um omelete, tomates para uma salada, cenoura, berinjela.
Então, ao chegar em casa você tira uma lasquinha da ricota, faz um sanduichinho, coloca um pouco de cada coisa. Depois você passa três dias comendo fora de casa. Aí, um dia, quando você estiver morta de fome, depois de uma aula de Pilates, você se lembra daquela ricota para fazer um sanduíche. Está verde. Se lembra do tomate para comer com sal e azeite. Está podre. Finalmente você se lembra da abobrinha pra fazer um refogado. Está um pouco passada, mas você insiste. Corta a abobrinha e coloca na frigideira. Até tempera com sal e salsinha e tal. Mas a abobrinha não resiste ao calor e libera um terrível fedor de podre que se espalha por todo o apartamento.
Então, inevitavelmente, você perde a fome e vai dormir sem comer nada.
Tem uma recomendação materna que os filhos esquecem de vez em quando. Aliás, é por isso que sempre há recomendações maternas - porque os filhos esquecem de vez em quando.
Aquela sobre levar o agasalho eu não preciso mais. Mas só porque estou morando em um lugar onde costuma fazer 40 graus à sombra. Agora, esta sobre se alimentar direito eu ignorei um dia e o prejuízo foi grande. Eu explico.
Estava eu em uma semana de mudança de apartamento, meu contrato estava vencendo e eu precisando ir a vários lugares para resolver questões burocráticas. Então resolvi só não almoçar um dia. Saí tarde do trabalho e queria aproveitar o horário comercial.
Fui a dois cartórios "reconhecer firma", fui à Copel, pedir que ligassem a energia no novo apartamento e que cortassem a energia no antigo apartamento. Terminei tudo eram 17h30 e eu só com o café da manhã no buchinho.
Passei no drive thru do Mc Donalds e saquei um número um. Colquei no banco do carro e rumei para casa, para ver como tudo o que eu havia feito no dia era bom e necessário. A uma quadra de chegar em casa, em uma curva tudo apagou. Só se ouviu uma batida, meus óculos voaram longe e, quando acordei, vi um capô completamente amassado, a coca derramada no tapete do carro. Eu desmaiei ao volante e havia batido de frente num carro estacionado.
Um homem se aproximou, moça, está tudo bem? O que aconteceu? Ele viu que eu bati direto. Saí do carro pensei que bosta, que merda que eu fiz.
Daí liguei pro seguro e esperei o guincho sentada na calçada. Aproveitei e comi o Mc Lanche Infeliz, antes que esfriasse.
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Se eu fizesse balé desde criancinha, hoje que eu dançava como nunca.
(E seria descoberta por algum coreógrafo famoso...)
Se eu fosse o Graham Bell, hoje que eu inventava o telefone.
Se eu escrevesse bem, hoje que eu tinha inspiração para alguma peça de teatro ultramodernosa e bacanuda.
Se eu fosse a Daiane dos Santos, hoje que eu pulava o duplo twist carpado.
Se eu tivesse uma festa para ir, hoje que eu colocava meu look mais arrasador.
(E ia me arrumar ouvindo música no último volume.)
Se eu cantasse alguma coisa, hoje que valia a pena gravar uma canção.
Se eu fosse Michael Jackson, hoje que compunha Thriller.
Se eu soubesse desenhar, hoje que eu desenhava teus cabelos tingidos pela luz alaranjada do entardecer da fronteira.
(E não seria brega.)
Mas foi só um dia de inspiração sem nenhum talento.
Ao ver meu teclado, que já foi branco um dia, pensei - puxa, acho que vou comprar uma máquina de escrever. Elas eram vazadas e mais fáceis de limpar. E seria tão mais charmoso datilografar ao invés de digitar... Logo desisti dessa ideia absurda que, óbvio, era só mais uma desculpa para não encarar a tarefa inevitável: limpar o teclado.
(na verdade não é tão absurda. o problema é que, datilografados, meus posts não serviriam de nada, nem tenho gavetas para guardar as páginas que sairiam da olivetti)
Perguntei ao Google como limpar meu teclado e descobri que poderia retirar uma a uma as teclas, lavá-las, secá-las e colocá-las novamente em seus lugares. No tutorial, o sujeito inteligentemente sugeriu que se fotografasse o teclado para depois saber onde vai cada letra. Como minha câmera deve estar agora no fundo do caudaloso rio Negro, mais fundo do que nunca com a cheia, resolvi pular essa parte. Afinal, existe um mapa de caracteres se você clicar ali no canto esquerdo. Não me preocupei. Retirei as teclinhas, que, juntas, fazem um barulhinho tão simpático quanto as pedrinhas de bingo agitadas no globo. Dois patinhos na lagoa 22. Todas as letras foram para a pia.
Agora, três horas depois, digito em letras brancas como uma folha de papel. Uma a uma recoloquei as letras em seus devidos lugares. A única dificuldade foi chegar ao final com uma barra / no lugar do I.
Vai ficar assim mesmo.
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Que belo dia para ligar para telemarketings. Esse foi meu pensamento na última terça-feira. Depois de ter comprado pilhas, seis pilhas, que não funcionavam, ao invés de voltar às Lojas Americanas, resolvi ligar para o 0800. Diversão de graça.
Muito bem. Liguei três vezes até conseguir ser atendida. Uma moça muito simpática atendeu e perguntou qual era o problema. Não funcionam as pilhas, moça. E ela: pacote promocional? Disse, sim, leve seis, pague cinco e fique sem nenhuma! Grande promoção. Rapidamente ela pegou meus dados e gerou uma autorização para postagem grátis. Vou enviar as pilhas para a Rayovac e eles me enviam pilhas novas. Muito bem.
Resolvi que era meu dia de sorte. Liguei novamente para um 0800, desta vez da Tim. Queria cadastrar números prediletos para falar a 12 centavos o minuto. Cinco ligações perdidas. Mas não desisti, sou persistente. Na sexta vez atendeu a moça, disse o número do protocolo e informou: o sistema apresenta uma certa lentidão, a senhora aguarda? sim, claro, acha que vou desistir bem agora que estou falando com uma pessoa?
Forneci meus dados e "não desligue senhora", "só um momento... mais um momento senhora" e eu ali tranquila esperando. Fui até a janela, voltei... só mais um momento... aguarda? lixei uma unha que tava pegando, mais um momento. Voltei à janela e foi então que, só mais um instante, vi uma barata GIGANTESCA, pousada no trilho. Olhei para a barata, ela olhou para mim, um momento aguarda? Sim. As duas antenas igualmente gigantescas se mexendo, iam de cima a baixo, alternadamente. E eu esperando para cadastrar meus números prediletos, mas o sistema com lentidão. eu então segurando o telefone com o ombro, busquei uma vassoura. A ideia era cutucar a barata e jogá-la lá de cima, do sétimo andar, para que voltasse para a sarjeta de onde veio. Mais um momento senhora. E ouviu-se um grito na conversa que (eles me garantiram) estava sendo gravada. A moça do outro lado se assustou, mas ao invés de perguntar se estava tudo bem, ela disse aguarde mais um instante! Tudo bem, eu disse. E a barata saiu correndo, se escondeu em algum canto. E eu com a vassoura. Dessa vez, fui la buscar o inseticida.
Seguiram-se instantes de apreensão e medo. Cadê a barata? Mais um momento, por favor, não desligue.... Vi a danada no canto... parada. Esguichei um jato certeiro de veneno. Ela correu como nunca! Eu gritei! E mais um instante senhora! Enquanto eu acompanhava de longe a barata parar e virar de barriga pra cima chacoalhando as patinhas, A LIGAÇÃO CAIU.
Agora quem ouvir a gravação gerada pelo protocolo 2009096365 vai conferir registrada a minha luta contra a barata que surgiu do nada.
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Incrível. Vocês sabem, tenho hipersudorese na axila esquerda. Isso significa que ela sua acima do normal. Na verdade isso só quer dizer que ela sua mais do que a axila direita - afinal, só tem uma para comparar. Eu também poderia dizer que o problema está é com a axila direita, que tem hipossudorese, afinal sua menos que a axila esquerda... enfim, mas esse post não é sobre mim.
E nessa história de ter uma metade anormal, quando eu estava na pré-escola, eu conheci uma menina que chorava só com o olho direito. Andréia era o nome dela. O lado esquerdo não chorava absolutamente nada. Era um mistério para os médicos, que fizeram inúmeros exames e constataram que ela tinha um canal lacrimal, mas que era totalmente seco. Quer dizer, ela era normal, mas só chorava com o olho direito. Na hora do recreio se ela caía no parquinho, saía com a mão num olho só enxugando as lágrimas. Se roubavam o lanche dela, ela se escondia correndo com a lancheira na mão esquerda e o olho na mão direita. Eu era amiga dela, afinal nessa idade a amizade não tem lá grandes implicações. Então a gente ficava brincando junto ali no parquinho e eu nem achava estranho que ela chorasse só de um olho.
Eu passei de ano e nunca mais vi a Andréia.
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Você é muito grande para esse apartamento.
Que tal ficar deitado ali?
Calor infernal. Depois da ducha, foi pegar um ar fresco na janela, assim, pelada mesmo. Ele se virou e arregalou os olhos como se tivesse visto uma criança de um ano se aproximar do parapeito.
O que é isso? Showzinho de graça agora?
Blé... ninguém nunca olha pra cima!
É... só os apaixonados...
Mas esses andam muito distraídos, nem que vissem a Cicciolina nua na janela do sétimo andar...
Se vestiu e foi pro escritório, ar-condicionado. Telefone toca.
Putaquepariu a naba vai entrar gostoso é no dia primeiro. Vou me foder.
É melhor se preparar hein. Saca aqueles camelôs que fazem demonstração do kitchen wizard na rua? A naba entra de um lado e sai toda em cubinhos do outro! É disso que você vai precisar, amigo! Compra ali no Paraguai que é mais jogo. Hahahaha
Piadista de primeira, hein!
Obrigada!
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