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Arquivo: 2005

Vertigem

Como já é de domínio geral, eu adoro Woody Allen. Assistindo novamente Annie Hall há alguns dias atrás, relembrei um pensamento dele que era uma coisa parecida com isso.

O mundo se divide em dois tipos de pessoas - os miseráveis e os desgraçados. Os miseráveis são os casos de pessoas cegas, dos paraplégicos, pessoas que de alguma forma absurda e incompreensível continuam sobrevivendo. E os desgraçados, bem, estes são todos os outros.

Miseráveis e desgraçados têm algo em comum. Estão vivos. Respiram. São infelizes a maior parte do tempo, mas ainda sim correm algum risco de passar meio perto de uma alegriazinha ordinária. É a teoria do Cookie com gotas de chocolate. A massa é a maior parte do cookie para que as gotas sejam o clímax. Às vezes você pega um cookie tão sem gotas de chocolate, que parece até que tem alguém está te sacaneando e pegando todas as gotas para si. Mas não. Na verdade - que a gente quase nunca quer encarar - você só levou azar, e isso não há quem explique, não cabe em signos linguísticos. É vertigem, não linguagem.

Mesmo que se faça o possível, que se façam planos, que haja preparação, sempre há na vida algo que escapa. E a vida, ela própria, escapou do meu amigo Marcel no dia de Natal.

Vertigem.

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Aprendizado
Ferreira Gullar
de Barulhos (1980-1987)

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta.

Tarifa Domingueira

Em Curitiba, o ônibus fica mais barato no domingo. Mas tem algumas coisas que praticamente triplicam de valor quando acontecem nesse dia marrento de tedioso. Almoço de domingo, por exemplo, é mais gostoso. O carro lavado no domingo fica bem mais limpo.

Tem como medir o quanto uma pessoa se importa com a gente? Temo que acabei de encontrar um índice fundamental de aferição para o grau de amizade. Temo, porque agora que desenvolvi este brilhante método, muitas ilusões serão postas abaixo. Já vislumbro um ônibus lotado de frustrações buzinando para descarregá-las todas de uma vez na frente da minha casa: lá vem a tarifa domingueira.

Sim. O método é bem simples: basta somar a quantidade de vezes que a dita, ou o dito em questão, lhe telefonou numa tediosa tarde de domingo. E é apenas isso. Com base nesse número, que é cumulativo e vitalício, pode-se avaliar qualquer amizade e até mesmo rolos/pretês. Namoro não vale, porque aí ligar no domingo é obrigação - nesse caso você vai descontando pontos cada domingo que ele não ligar.

O fundamento é simples. Se mesmo nesse dia terrivelmente vazio, de completo tédio e total inoperância, ainda assim o sujeito não se lembra de você, putz, a coisa está feia mesmo. Agora, caso ele se lembre de você e ainda se mova até um telefone, tenha forças para digitar um número e interagir com alguém, nossa, parabéns - seu amigo mostrou mesmo que gosta de você!

Isso faz todo o sentido.
Não faz?

Finalmente

É provável que daqui por diante eu sinta mais vontade de escrever aqui, porque ultimamente todos os meus esforços estavam concentrados em bibliografias sobre jornalismo, fotografia e afins. Os posts deram lugar a notas de rodapé que brotavam em minha mente a cada momento.
Benjamin, eu te amo.

Meu aniversário foi dia 8 mas até agora não consegui enfiar o pé na jaca o tanto que eu deveria. Parece que tá todo mundo ocupado demais pra tomar um porrete no meio da tarde, droga. Uma tá lá no Rio, outra em São Paulo, as duas outras trabalham, e eu também.

Agora que já estou escolada em TCC, vou abrir um CCT - Curso de Conclusão de Trabalho. Vou ensinar os picaretas a como dar um lustro no parco conhecimento adquirido em poucas aulas e em muitas mesas de bar. Em algumas aulas práticas, darei dicas preciosas de como transformar pirações etílicas em temas para trabalho de conclusão. Através de uma pequena biografia de cada autor, será ofertado um menu de teóricos importantes e suas obras obrigatórias, com seus respectivos resumos.

CCT! Faça seu TCC, pergunte-me como!
Salve, Benjamin!
Como diria aquele adesivo automotivo:
Jesus é 9,5!

Festa! Oba!

Olá criançada, a boza chegou
trazendo alegria pra vocês de novo!

Como sempre o tradicional Helenez tão esperado no início de dezembro vai acontecer na semana que vem no Lola Café - que reabriu há pouco tempo.

O festerê é na próxima quarta!!!
Todos estão convidados!!!! Oba!!!

O que acontece?

Quando alguém te dá uma gelada - e não se trata da cerveja... - o que você faz?

a) Senta e chora
b) Tenta uma forma de desaparecer subitamente do planeta
c) Se transforma em água e escorre pelo ralo
d) Se transforma em exatamente aquilo que você é: nada
e) Vai chorar no banheiro, que é o lugar ideal pra isso

Só pra deixar registrado

Meu sonho de hoje:
Chegamos a um café bacanudo e sentamos ao lado de um pessoal esquisito. O garçom trouxe as sobremesas antes de trazer o cardápio. Começamos a comer. Era uma taça linda e superchique de sorvete de creme salpicado com feijões e eu dizia que delícia, são feijões mas é tão gostoso. Por cima vinha uma bola de cerveja congelada que tinha até colarinho! E duas pimentas vermelhas on top. Com as pimentas você desenhou a tua boca e jogou calda quente de chocolate por cima o que prontamente me fez te beijar. Pensei que clichê chocolate com pimenta porque meu Superego não me abandona nem em sonho. É clichê mas foi gostoso e isso que importa e isso foi meu Id retrucando.

Acordei com gosto de sorvete de creme com feijão, beijo de pimenta e cerveja congelada com cobertura de chocolate.

Tanta água na boca que acordei babando.

Isso que dá dormir por 14 horas.
A letra H me ensinou
o que é Art Nouveau.


A pirmeira coisa que a gente aprende a escrever é o próprio nome. E certamente que a primeira coisa que a gente escreveu na vida foi a primeira letra do nosso nome. Nisso a letra H me trouxe alguns traumas e muitas lições precoces.

A letra H, essa letra tão cheia de volutas, me ensinou a ter paciência para escrever meu nome.
A letra H me ensinou que, mesmo eu já tendo aprendido a escrever o H, seria preciso praticar bastante para que aquilo que se parecesse com um H.
A letra H me ensinou a compreender que nem tudo precisa ter uma utilidade ou uma aplicação prática. Basta ser bonito e legal.
A letra H me ensinou que o diferente pode passar despercebido, mesmo sendo bonito e legal.
A letra H me ensinou que o diferente é bem difícil de escrever.
A letra H me ensinou que existem coisas que as pessoas não nos falam, mas a gente sabe que está lá.
A letra H me ensinou que o silêncio tem nome e sinal gráfico.

A letra H do meu nome me ensinou que certas coisas que a gente escreve são para não serem ditas.

Negócio da China!

VENDE-SE

1 (hum) ingresso para o Claro que é Rock, meia entrada para o show em São Paulo dia 26/11.
Único dono, perfeito estado, roda de Brasília, ano 2005.
Preço: R$ 60,00

Motivo: TCC (aaahhhh!)

Helmut Newton



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