Estive todo esse tempo tentando escalar as paredes lamacentas do precipício ao mesmo tempo em que lambia as minhas feridas velhas e purulentas. Cutucava as casquinhas, como aquelas dos joelhos de criança. Escorregava um pouco, lambia um pouco e seguia para o álcool, alto e avante! Justo agora que consegui ficar de pé a poucos metros da beira do abismo, ouço o canto da sereia abissal... de novo! Daqui de cima o canto é ainda mais encantador. Ah, que belo canto! Antes fosse uma mansidão de mar azul, o lar natural das sereias, mas é um precipício, um fosso, o que é ainda mais atraente. Cair sempre dá um frio na barriga, já se afogar eu não sei como é. Eu sei nadar. Cair é outra história. Ainda se eu escorregasse, a culpa seria minha... mas esse canto...
Vou sumir daqui antes que.
Ps.: tenho certeza absoluta de que alguém já usou essa figura e exatamente com o mesmo sentido. Isso faz do meu texto um clichê? Sempre me esfolando.
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