Se eu fizesse balé desde criancinha, hoje que eu dançava como nunca.
(E seria descoberta por algum coreógrafo famoso...)
Se eu fosse o Graham Bell, hoje que eu inventava o telefone.
Se eu escrevesse bem, hoje que eu tinha inspiração para alguma peça de teatro ultramodernosa e bacanuda.
Se eu fosse a Daiane dos Santos, hoje que eu pulava o duplo twist carpado.
Se eu tivesse uma festa para ir, hoje que eu colocava meu look mais arrasador.
(E ia me arrumar ouvindo música no último volume.)
Se eu cantasse alguma coisa, hoje que valia a pena gravar uma canção.
Se eu fosse Michael Jackson, hoje que compunha Thriller.
Se eu soubesse desenhar, hoje que eu desenhava teus cabelos tingidos pela luz alaranjada do entardecer da fronteira.
(E não seria brega.)
Mas foi só um dia de inspiração sem nenhum talento.