Ao ver meu teclado, que já foi branco um dia, pensei - puxa, acho que vou comprar uma máquina de escrever. Elas eram vazadas e mais fáceis de limpar. E seria tão mais charmoso datilografar ao invés de digitar... Logo desisti dessa ideia absurda que, óbvio, era só mais uma desculpa para não encarar a tarefa inevitável: limpar o teclado.
(na verdade não é tão absurda. o problema é que, datilografados, meus posts não serviriam de nada, nem tenho gavetas para guardar as páginas que sairiam da olivetti)
Perguntei ao Google como limpar meu teclado e descobri que poderia retirar uma a uma as teclas, lavá-las, secá-las e colocá-las novamente em seus lugares. No tutorial, o sujeito inteligentemente sugeriu que se fotografasse o teclado para depois saber onde vai cada letra. Como minha câmera deve estar agora no fundo do caudaloso rio Negro, mais fundo do que nunca com a cheia, resolvi pular essa parte. Afinal, existe um mapa de caracteres se você clicar ali no canto esquerdo. Não me preocupei. Retirei as teclinhas, que, juntas, fazem um barulhinho tão simpático quanto as pedrinhas de bingo agitadas no globo. Dois patinhos na lagoa 22. Todas as letras foram para a pia.
Agora, três horas depois, digito em letras brancas como uma folha de papel. Uma a uma recoloquei as letras em seus devidos lugares. A única dificuldade foi chegar ao final com uma barra / no lugar do I.
Vai ficar assim mesmo.
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