ando meio no escuro. numa dança com o incerto. em minhas elucubrações sobre o futuro percebo que mesmo tecendo o agora o amanhã se enevoa. a vida é urgente e preciso de passos seguros. contudo mesmo o chão é ar, é vento, é nuvem. adiante é tão distante.
nos entremeios há pequenos esboços de um futuro provavelmente certo, a chegada do irmão, meu segundo show do radiohead, o filme da berlinale, uma possível viagem para rever uma boa amiga, talvez ir à opera, assistir os dois dvds do radiohead que meu bem me presenteou, replantar as plantas do apartamento, esperar a resposta de mini-job da biblioteca, a inscrição para o curso de cinema, a viagem para lisboa ou turquia, pensar se quero ou nao o doutorado que me foi proposto, pensar em possibilidades.
mas o mundo do futuro se reescreve constantemente, como numa progressão geométrica, como o caos, como o universo em constante expansão. o futuro é a criança que cresce e o rosto que muda e o sorriso que fica mais amarelo com o ganhar de anos. ao meu lado a carta escrita para minha sobrinha - é um futuro pra ela meu presente.
mas teço o agora.
como uma tecelã inca em sua cadeira de tear. tecendo estou deslustrando o que virá, se será uma hispânica conquista sanguinária, se será uma globalização de mim.
estou já.
espantanda com
o roubo do pé de pimenta. pensando na
carteira de identidade. lembrando dos meus gatos spleen e dejà-vu. de minha gata margareth, do meu gato gato. onde estarão?
eu teço o momento, como a velha senhora, os olhos em qualquer outro lugar e as mãos em movimento. quero me embrenhar no mundo. quero me engajar com a vida, quero filmar as horas, fotografar sombras e luzes. olhos-diafragmas abertos pra névoa do amanhã. desvendando vultos, que depois serão surprendentemente diferentes coisas.
ando no meio do escuro e não estendo a mão. sim, quero trombar, quero esbarrar nas coisas, quero aprender a ver com a pupila menos dilatada. com íris de gato, brilhando acesa, lâmpada arguta de mirar.
...
comentários? devaneios? siga o
coelho