
"Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate."
William Shakespeare
hoje o dia é melancólico. venta. o tempo é espera. a espera pelo irmao, a espera pelo dia de amanhã, pelo fim da dor de cabeça insistente, pelo novo que há de vir. as árvores outrora nuas estão cheias e balançam as cabeleiras. o som do vento é nítido por conta delas e o ruído desse poema é branco.
vejo a tarde passar pela janela com uma certa nostalgia, uma xícara de chá e muito tempo. como uma pessoa que não está no dia. que o vê de fora e o sente por dentro.