"De la Musique avant toute chose !
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air
Sans rien en lui qui pèse et qui pose."
Paul Verlaine
a convalescença me agride. a gripe me ataca. rouquidão, sufoco. a noite mal dormida ainda revirando no estômago.
a música da tarde que se foi, uma sinfonia inacabada, algo proveniente de algum vento de allegro con motto. um verso. uma folha marcando alguma lembranca empoeirando como letras de livros na estantes da biblioteca antiga, secreta, tumular, de algum antepassado abandonado, que há anos morrera. assim caminha fúnebre os dias. o amargo é do chá já frio ou da falta de desejo pela vida?
a vida, ah. é um capricho. um desleixo da morte. um intervalo entre a não existência e o desaparecimento. quantos túmulos ainda persistem contra o tempo e ironicamente ainda se lêem as palavras "eterno", "inesquecível", "para sempre", enquanto o nome já apagado exprime a verdade irrefutável da efemeridade. nem o medo, nem a crença a deus, nem os filhos, nem a escrita nos eximirá. é o tempo lá fora passando nas entrelhinhas desse caderno sem pautas.
é o amargo do chá, já frio. a noite mal dormida revirando o dia. e esse menuetto de schubert. é esse sentimento, que nada tem a ver com alguma imensidão plantetária, é esse peso de chumbo colando ao céu da boca, ganhando espaço em alguma letra: é o repouso (onde pousam tais desconfortos d'alma).
tormentos? o
coelho te leva à toca