Já ouvi falar que Deus (não o Moraes) joga muitas coisas. Joga dados, joga xadrez, truco. Mas o que eu acho mesmo é que Deus joga The Sims. Teve uma época da minha vida em que eu me enclausurei. Ficava em casa nos finais de semana jogando The Sims. A noite toda, o dia inteiro, até doer a mão. Foi depois que sarei do vício de jogar Faraó.
Confesso que a fase The Sims foi muito reveladora. Um verdadeiro processo de auto-conhecimento. Descobri que os meus Sims sempre eram workaholics, principalmente as mulheres. Quando eram casais, ambos trabalhavam fora e não tinham filhos. Quando comprei a versão “O Bicho Vai Pegar” a coisa ficou ainda mais evidente. Tem uma Sims, a Cristina, que é médica, ganha milhões de simelons por dia, tem uma cachorrinha (a Luna) e mora sozinha numa casa que tem até hidromassagem. Ela tem uns pretês mas, nada sério. Flerta com todo mundo e tem rusgas com as casadas da vizinhança.
Tenho também uma família de Sims meio bregas Dei conta de criar o cara com um terno branco e camisa aberta – se não me engano ele se chama Pablo e uma mulher com um conjunto de lycra cor de rosa com calça fusô e bustiê de um ombro só. Sem contar que ela usa um penteado bem demodé, acho que ela se chama Pamela. Eles tem dois filhos, o Juan e a Joana – nomes nada originais. E os dois trabalham fora. As crianças vão para a escola. Nossa, é um trampo cuidar da casa, manter tudo limpo, controlar a empregada, o jardineiro e ainda dar conta de manter a barra de relacionamentos verde. A Pamela, vez ou outra fica deprê e, devo confessar, que o Pablo é um bundão.
Dentro da minha loucura, já criei casais com o meu nome e o de outro pretê. Todos já devidamente deletados. Evito jogar com a Cristina porque ela sempre me parece meio triste. Solitária, vendo televisão para manter a barra de diversão verdinha e brincando com a Luna (que é muito fofa) para ficar zen. É difícil para ela ir dar uma volta na Cidade Velha ou chamar os vizinhos para um bate-papo. Sem contar que o horário de trabalho é horrível e se ela falta mais de dois dias é despedida. Pena que não tem os comandos, “colocar bob nos cabelos”, “ouvir Maria Bethânia”, e “jogar paciência”. Provavelmente a Cristina estaria fazendo isso.
Deus (não o Moraes), de vez em quando, joga The Sims comigo. Mas faz tempo que ele não me seleciona. Fico no automático, como os outros Sims, vou trabalhar, ao banheiro, tomo banho, escovo os dentes, estudo, assisto televisão, vou dormir, para acordar, comer, ir ao trabalho... e aí tudo recomeça.
Faz tempo que não vejo o sinalzinho de “+”, bem verdinho, piscando do meu lado direito. O balãozinho que gira em cima da minha cabeça está quase vermelho e como a Pamela, de vez em quando sento no sofá e choro com as mãos na cabeça. Sem falar na ira ao acordar antes da barra de energia ficar completamente verde... É preciso fazer alguma coisa, senão, vou ficar deprimida. Uma das saídas estratégicas é comprar o The Sims Férias e o The Sims Celebridades. No primeiro, como o nome diz, você pode levar o seu Sims para uma colônia de férias, para a praia, montanha, fazer fogueiras e tocar violão e etc. No segundo, o Sims é uma celebridade e tem que viver em meio a festas badaladas, autógrafos, paparrazi, champagne e muita futilidade.
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Hoje recomeço com as aulas de francês. Saio do Jornal e vou direto para a Aliança. Aff, que coragem.
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Também nesta quarta-feira. Coloquei o despertador para tocar às 6h45. O teste era para saber se vou ter caráter suficiente para me inscrever numa academia e ir suar das 7 da manhã até às 8h. De segunda a sexta. O despertador tocou e eu dormi até às 8h, graças à sirene da Cipasa senão, acho que estava dormindo até agora. Zeus!!!