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Sobre morar sozinho ser coisa de macho

Reza a lenda que eu sou um cara organizado, principalmente com a minha casa. Eu duvido um pouco, mas admito que meu apartamento não é dos mais bagunçados. E essa minha fama é tanta que a Folha da Sexta, suplemento da Folha de Londrina, até já fez matéria comigo.

Eu lembrei disso porque o Beto perguntou se eu ainda tinha o manual de morar sozinho, algo que lhe entreguei tão logo ele decidira se mudar pra Curitiba e, finalmente, ser dono do próprio nariz. Sim, eu tenho o tal manual, que precisa de muitos adendos porque ele foi elaborado muito tempo atrás.

Não é fácil morar sozinho, principalmente quando a mamãe nos mima de todas as formas. E elas, as mães, sabem ser tão amorosas quanto cruéis quando necessário. E nenhuma delas deseja ver o filho querido ao Deus dará, desprotegido de tudo, todos, sem comida quentinha na hora certa, muito menos roupa passada e guardada com o devido cuidado e cheirinho de mãe.

Com todo o respeito, as mães nos educaram muito mal. Por isso alguns sofrem tanto. E se você se inclui nesse time de incautos, seus problemas acabaram. Sempre que possível, aqui você encontrará algumas dicas importantes para sobreviver sem a ajuda materna, sem a presunção das diaristas e empregadas, nem terá que dar flores à namorada que deu aquela ajeitada na sua casa.

Lição número um: ouça a música Minha Vida, de Lulu Santos. Se você tem mais de 25 anos, com certeza ela lhe trará muitas e muitas lembranças. Agarre o travesseiro, faça a sua memória funcionar como se fosse um cinema, relembre os momentos mais bacanas, pode até chorar um pouco, não é coisa de viado, e tenha certeza que a profecia da sua mãe vai se cumprir: você vai se arrepender, pois o mundo lá fora, num segundo te devora. Dito e feito, mas você não vai dar o braço a torcer. Principalmente depois de promover a primeira suruba na sua nova e definitiva residência.

Seja bem vindo. Pode inclusive tirar dúvidas, beleza?

Sobre os dias esquisitos

Meu pai morreu e ficamos ansiosos para decidir o que seria da minha mãe, como se pudéssemos simplesmente agir. Continuaria morando na chácara? Iria para casa de algum dos filhos?
Com o semblante ainda apagado pelo luto, ela pediu paciência. Não adiantava resolver nada de afogadilho e o tempo colocaria cada coisa no devido lugar.

Gostaria muito de duvidar da minha mãe, mas não consigo.
Principalmente nos dias que o coração fica apertado pelas razões mais adversas, absurdas, por ouvir aquilo que não deseja, que lhe tira a identidade, a relevância de fazer parte de um projeto, de uma luta, de um desafio.
Por que será que, com o passar o tempo, nem sempre a serenidade e a compreensão dos fatos são mais presentes na vida da gente?

De repente, o outro não faz por falta de atenção ou cuidado. Às vezes é involuntário, da pessoa.
Talvez não tenha importância.
Mas infelizmente se aproxima, entristece, ameaça nos derrubar.
O bom é que a gente chora, dorme, descansa, repensa.

E tudo recomeça reservando boas surpresas.

Sobre quase chegar lá

Eu costumo jogar nas loterias da Caixa Econômica Federal. Nos dias após os sorteios, entro no site e, para zerar qualquer expectativa, leio primeiro se a aposta ganhadora foi feita em Curitiba.

Ontem foi assim. Ao entrar na página da Loteca, vi que um dos três ganhadores de R$ 334.936,56 era de Curitiba. Imediatamente peguei o meu volante. Comecei a ticar um a um e estava indo muito bem. Acertei o 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 09, 10, 12, 13 e 14. Não fossem o 08 e 11, eu estaria alguns dinheiros menos preocupado.

Eu ainda chego lá!

Sobre os meus dotes culinários

Bem... eu tenho vários assuntos sobre os quais gostaria de escrever.
Mas acabei de saborear a sopa eslava preparada com minhas próprias mãos e temperos, que estou sem condição alguma.

Minha única motivação neste momento é esperar o bolo de milho, receita da minha mãe, terminar de assar. Minha boca saliva só de olhar pelo vidro do forno.

Mais não digo porque não é preciso.

Sobre os meus dotes culinários

Bem... eu tenho vários assuntos sobre os quais gostaria de escrever.
Mas acabei de saborear a sopa eslava preparada com minhas próprias mãos e temperos, que estou sem condição alguma.

Minha única motivação neste momento é esperar o bolo de milho, receita da minha mãe, terminar de assar. Minha boca saliva só de olhar pelo vidro do forno.

Mais não digo porque não é preciso.

Sobre motivos para comemorar

Depois de quase um mês, finalmente o dia amanheceu com céu azul, sol brilhando e nenhuma nuvem sob Curitiba. Pelo menos até o exato momento deste post, já que aqui na Capital, o tempo muda com muita rapidez.

O sol realmente traz uma alegria, uma esperança, uma crença de que esta semana será melhor que as outras. Eu gosto das segundas-feiras. E fazia tempo que meu coração não se enchia de alegria porque os dias cinzentos deixam-me meio baixo astral.

Eu já fiz a minha oração. Agradeci por esta beleza de dia e também pela promessa que tudo pode ser melhor. Basta acreditar.

Sobre a televisão

Estreei hoje um novo blogue no site do Bonde. Volto a escrever sobre televisão, algo que já fizera no começo desta década no Jornal de Londrina.

O endereço é http://www.bonde.com.br/bonde.php?id_bonde=1-31-28

Apareça!

Sobre as agradáveis surpresas


Hoje realizei um desejo que me acompanhava há vários meses: comprei um jogo de panelas. Eu que sempre freqüentei os restaurantes fast food, descobri que posso manejar bem panelas e caçarolas. Comecei com certa timidez, experimentando primeiro as sopas – que acreditava serem muito fáceis de preparar – e agora já vou me aventurar para carnes, talvez até fazer umas bolachinhas.

O mais bacana de cozinhar é reunir as pessoas para experimentar os pratos. Confesso que até lavar louças pode ser menos tedioso quando os amigos estão por perto. Dias atrás o Keno veio me visitar. Ficou alguns dias em minha casa, oportunidade para também acolher aqui o Juliano. Nós três somos amigos há quase 35 anos. Estudamos juntos, vivemos tantas outras experiências muito bacanas. Faltava reunirmo-nos em torno do fogão, conversar, cozinhar, ser feliz. Isso tudo foi feito.

Na semana passada foi a vez do André experimentar o molho bolonhesa, depois o de atum, também o bolo de milho. Na última sexta, aventurei por um frango com molho de cebola. Reuni o Juliano e o Lucas, mas faltou o Beto, que simplesmente esqueceu da degustação.

Hoje acordei cedo, fui ao cinema assistir A Era do Gelo 3 e, lá dentro, já fiquei imaginando como seria a aventura culinária do domingo. Cheguei em casa, mãos à obra para preparar mais um estrogonofe. A receita de hoje foi a que ficou melhor. Creio que já posso dizer que sei fazer esta guloseima. O que me alegra é ficar imaginando que esta semana deverei inventar alguma nova aventura gastronômica. Vou aproveitar o frio e os dias tão cinzentos para fazer uma sopa. Preciso, inclusive, arrumar uma televisão portátil para deixar na cozinha. Acho que ficará ainda mais interessante cozinhar.

A vida não é uma beleza?

Sobre o Michael Jackson

Dias atrás, depois de apostar na Mega Sena acumulada, falei com o André que se eu ganhasse, gostaria de assistir um dos 50 shows que Michael Jackson faria em Londres. Ontem, logo após terminar minha aula de roteiro, liguei o celular e lá estavam duas mensagens do André anunciando a morte do maior astro da música pop. Entristeci.

Assim como o James, Michael Jackson fez parte de toda a minha adolescência. E lembro muito bem o frisson que foi esperar aquele domingo de 1983 quando o Fantástico exibiu o clipe que mudou a história da música mundial. Thriller era tudo de excelente que nós podíamos imaginar. Todos os meus amigos da Escola Estadual Francisco Villanueva queriam imitar aqueles passos. Não tinha MTV, não tínhamos videocassete, portanto, era impossível aprender aquela coreografia.

No ano seguinte, cursava a oitava série e participamos de uma gincana. Uma das tarefas era imitar o clipe. Minha turma não conseguiu e, para meu desespero, o Wilson, que era de outra turma e disputava comigo as atenções de Giseli, estava no grupo que teve a melhor performance.

Michael Jackson despertou em mim a vontade de querer dançar. Eu, o Keno e o Juliano viramos os gays da cidade ao entrar numa turma de jazz da Academia Bronx para tentar aprender aqueles magníficos passos. Sob a direção de Oriana Gotti, preparamos uma bela coreografia. Próximo da estréia, Michael lança BAD e, para nosso deslumbramento, Oriana escolheu a principal faixa do disco para subirmos ao palco. O Centro Comunitário João de Deus, em Rolândia, quase veio abaixo.

Logo depois entrei para a Universidade e lá, parecia ser brega gostar de Michael. Quieto, na minha, fui comprando os cd’s, acompanhando atentamente cada passo do meu ídolo. Confesso que aquele comportamento estranho me fez repensar a admiração que nutria por ele. E admito também que me neguei a acreditar que ele pudesse ser um pedófilo. Fiquei aliviado depois que o julgamento de 2005 absolveu-o das acusações.

Talvez Michael tenha virado um espectro de si mesmo. Talvez ele tivesse medo desse mundo absurdo que vivemos. Talvez se assustasse com o escuro. Que bom ele ser imperfeito.

Talvez fosse reencontrar o sucesso na turnê que comemoraria 50 anos de vida. Não houve tempo. Eu sei que, domingo, voltando de Londrina, coloquei o CD 01 de History. Ouvi os principais sucessos dele. E ontem, ao chegar em casa e saber que ele morreu, revirei as caixas de cds que ainda estavam guardadas para encontrar Michael Jackson & The Jackson 5.

Enquanto escrevo este post, ouço Ben, One day in your life (uma das minhas preferidas), Happy. E cada um dos acordes me dão a certeza que Michael Jackson não morrerá nunca.

One day in your life

One day in your life
Um dia na sua vida

You'll remember a place
Você vai lembrar de um lugar

Someone touching your face
De alguém tocando seu rosto

You'll come back and you'll look around, you'll ...
Você vai voltar, vai olhar em volta, você...

One day in your life
Um dia na sua vida

You'll remember the love you found here
Você vai lembrar do amor que encontrou aqui

You'll remember me somehow
Você vai lembrar de mim de alguma forma

Though you don't need me now
Embora você não precise de mim agora

I will stay in your heart
Eu vou ficar no seu coração

And when things fall apart
E quando as coisas desmoronarem

You'll remember one day ...
Você vai lembrar de um dia...

One day in your life
Um dia na sua vida

When you find that you're always waiting
Quando você descobrir que você sempre esteve esperando

For a love we used to share
Por um amor que costumávamos dividir

Just call my name, and I'll be there
Apenas chame o meu nome, e eu estarei lá

You'll remember me somehow
Você vai lembrar de mim de alguma forma

Though you don't need me now
Embora você não precise de mim agora

I will stay in your heart
Eu vou ficar no seu coração

And when things fall apart
E quando as coisas desmoronarem

You'll remember one day ...
Você vai lembrar de um dia...

One day in your life
Um dia na sua vida

When you find that you're always lonely
Quando você descobrir que sempre esteve sozinha

Just call my name, and I'll be there
Apenas chame o meu nome, e eu estarei lá.

Sobre a delicadeza e o respeito

Durante muitos anos, sem nenhuma razão aparente, mantive uma certa implicância com os japoneses. Achava-os sem alma, para resumir. O tempo e, principalmente, uma observação mais atenta aliada a muitas reportagens envolvendo a colônia, mudaram a minha impressão.

Não guardo nenhuma esperança de que em duas, três, quatro gerações tenhamos um país melhor. Esta semana fiquei particularmente indignado com as declarações do presidente do Senado, José Sarney, e a benevolência política do presidente Lula. A história então, se encarrega de nos redimir de quaisquer falhas que possamos cometer, mesmo quando elas versem sobre o bem público?

Fiz esta observação porque sempre costumo ler que políticos e empresários japoneses quando flagrados em atos obscuros ou de corrupção, costumam se matar. De vergonha, quem sabe?

Talvez tenha sido a minha indignação com este “tudo pode” tupiniquim que me deixou completamente encantado pelo filme A Partida, dirigido por Yojiro Takita, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano. A obra conta a história de um jovem músico que, ao se ver sem emprego numa orquestra sinfônica dissolvida, parte para uma cidade do interior, onde consegue trabalho como preparador de cadáveres.

Partindo dessa simples premissa o filme fala da beleza que é viver. Curioso observar que todos nós, indistintamente, temos questões a serem resolvidas. E naquele último momento, na hora da despedida, tudo vem à tona com a respectiva urgência. A película tem 140 minutos e eu, mesmo com minha verve de editor, não cortaria um frame.

Em certo momento, o personagem principal fala da importância do respeito e de se fazer cada movimento com a maior delicadeza. Nem era necessário explicar isso. A começar pelo curvar-se diante de qualquer interlocutor, todos ali conseguem enxergar as pessoas que se apresentam perante elas. Tudo é dito em um tom baixo, sem exageros, sem gestos descontrolados.

No filme, há aqueles que consideram pouco digna a profissão de preparar cadáveres. Até o exato momento da morte chegar para um ente querido e observar-se a importância desse gesto. Se você gosta de uma boa história, não deixe de ver este filme. E não se acanhe quando percebe-se completamente envolvido pelas lágrimas. Elas brotarão sem nenhuma vergonha nem aviso.

Saí do cinema completamente emocionado. Feliz por ter tido esta oportunidade. Satisfeito por continuar acreditando que entre nós ainda há pessoas sensíveis, que conseguem olhar, enxergar e retratar o outro com respeito e delicadeza. E por isso é tão bacana viver.

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