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Arquivo: 2003

is it snow outside??

estou chorando, primeira vez que vejo neve na vida...

que lindo! que lindo! que lindo!

e nem estah tao frio!!!

acordei normal depois de 3 garrafas de vinho com os flatmates, tomei um banho quente de banheira, fiz um chazinho com leite, me troquei e quando abri a porta, esta deliciosa surpresa... e eu que nunca queria ver neve na vida... fiquei uns 5 minutos parada e soh olhando o ceu

FANTASTIC!!!

buda

hoje sonhei que tinha um buda gigante submerso na minha piscina (pq sonho sempre com piscina??) Ele saiu de la todo gordo, molhado, pingando colorido, tipo roxo, azul e verde... depois ele foi diminuindo e se transformou na minha prima Calo (huahuahua) mas era o buda... ele soh tinha o corpo dela. e uma multidao inteira tentava invadir a minha casa pra falar com ele...

uou!!!

grrrrrrrrrrrrrr

i lost my mobile........

grrrrrrrrr

aqui

o sol nasce as 8:30 e vai

embora as 4 da tarde...


o sol sempre fica la baixinho

nao tenho sol a pino

nao tenho sombras pequenas

elas sempre sao longineas

me seguindo nas esquinas

rindo cabecudas e magrelas

pontudas

e o sol lah longe, longinho

acordei hoje de manha

e resolvi ler ezequiel

disco voador total

i'm to sexy for your party

santa ceia

olha o grau do natal

antes



depois



eu, calo, karin e stacy



allan, miguel, eu e karin



allan, miguel, karin e calo



o peru



the cookers

um comeco de ideia (uma noite em lancaster gate)

A personagem principal deixa o trabalho 15 minutos atrasada, um costumer implorou por mais tempo de deleite. Ela lava as maos numa piazinha chineza que tem que ser bombeada para desfilar um fio de agua. Destaca um paninho anti-septico para bunda de bebe a esfrega freneticamente os bracos, os meios dos dedos e as unhas. Usa mais um, desta vez mais delicada.


Encontra o amigo que espera na saida do shopping e saem sem destino fixo para um spliff. Bate os dentes e se lembra das luvas que estao em casa. -Deve estar menos 3, puta frio do caralho, quer uma touca, tenho uma reserva? Ela desfaz o rabo de cavalo e veste com um sorriso cansado. Os biceps doem exepcionalmente neste dia. Massagens fortes em costas e ombros tensos, pes e pernas doloridas. Os dedos congelam no bolso da calca.


Ele eh bem mais alto, sotaque de Brasilia, puxa um cigarrinho enrolado em papel de licor e ascende com forforo. Nao se preocupam com o caminho, andam e se perguntam os nomes. -Charles, que nem o principe. Tinham conversado algumas vezes mas nao sabiam. Nao importa. Ser do mesmo pais e estudar na mesma escola basta para uma cumplicidade.


Encontram mais dois e ficam os quatro em roda falando sobre Chapada dos Veadeiros e cachoeiras com piscinas naturais trasparentes e quedas d'agua infinitas e quilometros de mata cheirosa e calor. Mudam o assunto para festas dm Brixton em flats invadidos, djs irados e todos os acidos. O spliff acaba, um dos quatro pinga colirio noiado e pede um cigarro para disfarcar o cheiro que a personagem distribui sem parcimonia. -Esta bosta mata, nao entendo pessoas que ligam em dividir um pouco de morte.


A roda se desfaz e ela vai sozinha ao restaurante indiano convidada pelo dono que conheceu durante a tarde, no meio da rua, quando ele perguntou porque ela usava o bindhi. Chegando, downstairs, um waiter pergunta que tipo de trabalho ela procura e lhe oferece entregar panfletos. Ela sorri negativamente -Too cold stay outside, I want to talk to the manager, he told me about job and invited me to come.


O homem com peruca aparece todo afoito, reclamando de um jeito engracado, lhe motra a cozinha e fala sobre dirty job, wash dishes, e ela diz que quer pelo menos 800 pounds por mes. Ele lhe oferece duas refeicoes por dia e 600 para ajudar o chef, cuting vegetables and meat. Ela diz que vai pensar e pergunta sobre a cultura da India. O homem doido faz uma reverencia namaste, se ajoelha no chao e berra umas cinco plavras em sanscrito. (preciso descrever melhor este personagem...)


Ela deixa o restaurante nao querendo ir para o studio pequeno que divide com mais dois amigos. Quer ficar sozinha, anda alguns metros e cruza tres negoes com walkman gingando um rap no meio da calcada. Para, comeca a dancar com eles a musica inaudivel. Dois se distanciam e ela pega um fone do negao maior. Os dois dancam e se abaixam e rebolam com os bracos pro alto e os dedos em riste, se perguntam os nomes, se separam e nice to meet you.


Ela para no food and Wine e nada de alcool after eleven. Toma um chocolate e come uma torta de chicken and mushroom. Anda no frio e entra no edificio de 200 anos que tem escadas infinitas para todos os lugares. Ouve alguns sons que as paredes fazem e comeca a subir os degraus encarpetados prestando atencao nas grades e no corrimao. Sente um calafrio na espinha, senta no meio dos andares para atender o mobile. Conversa com o amigo em ingles e percebe que estah dominando a lingua.


Desliga, abaixa a cabeca entre as pernas, respira um ar mofado e quando se levanta enxerga uma festa de fantasmas lencois gargalhando na escadaria... Rodopiam e brincam com seus cabelos compridos transformando uma rapunzel em meduza. Ela nao liga, finge que baila, eles comecam a se entristecer, fluem, desintegram, e voltam para os devidos lugares entre as frestas empoeiradas.



(to be continued)

amando... amando...

Vai alta no céu a lua da Primavera (6-7-1914)


Vai alta no céu a lua da Primavera

Penso em ti e dentro de mim estou completo.


Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.

Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.


Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,

E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.

Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,

Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,

Isso será uma alegria e uma verdade para mim.


III

O amor é uma companhia (10-7-1930)


O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível faz-me andar mais depressa

E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.


Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.

Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


(Alberto Caeiro)

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