Não sei como algumas pessoas sem quase nada a comemorar conseguem fazer festa de aniversário. Eu que quase não tenho do que reclamar da minha vida nem sempre encontros motivos para comemorar. E olha que sou uma pessoa bem feliz.
E, ps. hoje não é meu aniversário.
Eu até que tava indo bem nessa história de postar todos os dias. Mas aí veio uma viagenzinha a trabalho... e lá se foram dois dias falhando com o meu compromisso.
Então, caros leitores, tomei uma decisão. Essa semana tiro férias de Tipos. Mas semana que vem volto à minha rotina e garanto que os posts estarão bem bacanas. Incluíndo uma velhinha de 101 anos muito louca e suas histórias de meter medo e outras aventuras vividas no sudoeste deste Paranazão de meu Deus!
Desculpe a falha!
até mais
Meu mundo é um ovo. Conheço pouca gente, viajei para poucos lugares, vivi pouco. Sou tão ignorante para tantas coisas, que acho até difícil imaginar o tanto. Não sei muito sobre nada. Nada mesmo. Nem sobre a minha própria vida eu posso dizer que sou expert (existe um período muito nebuloso entre os 0 e 5 anos que eu não tenho muita ideia do que aconteceu por ali).
Não tenho a pretensão de saber tudo. Até porque, minha memória é tão fraca que ainda que eu tivesse visto uma vez cada coisa no mundo, talvez só me lembraria depois de 0,01%... e olhe lá. Vejo hoje, aprendo hoje, leio hoje, ouço hoje... e não fica quase nada para amanhã. Será possível ter alzhaimer com tão pouca idade?
Mas, por outro lado, sou incansável. Ainda que desaprenda 90% de tudo que aprendi em um dia, no dia seguinte estou disposta a reaprender quase tudo novamente. Por isso estou sempre com um livro novo. Por isso leio revistas e jornais e vejo televisão e cinemas. Por isso faço sempre as mesmas perguntas para as mesmas pessoas. Não sou CDF. Só estou tentando recuperar as perdas de ontem. E estocar um pouco de informação para perder amanhã.
Por que quase tudo por aqui tem que ser uma piada? A ideia: um dia sem o carro. Bacana, né? Vamos pensar formas alternativas de locomoção. Que tal tirar a bicicleta da garagem ou mesmo ir a pé para o trabalho ou compromisso. Na teoria, ótima ideia. Um dia não mata ninguém.
Só que, sem preparação, estrutura e comunicação, o Dia sem Carro virou piada em Curitiba. Motoristas desavisados levaram ao caos a região próxima das ruas bloqueadas. Quem se arriscou a andar de ônibus viu a bela m* que é (aliás, já é em dias normais, imagine no dia em que isso acaba sendo imposto). Ah, e, para ajudar choveu o dia todo. Só quem mora aqui sabe a beleza que fica trânsito nesta cidade quando chove.
Resultado: irritação geral, planos modificados na última hora (o fim foi antecipado em 3 horas) e uma enxurrada de críticas e gozações.
Quanto a mim, eu gostei do dia. Não atrapalhou em nada meu caminho, o ônibus chegou até mais cedo no trabalho e, melhor ainda, deve ter tirado aquele sorrisinho presunçoso do rosto do nosso querido e amado prefeito... ótimo.
Há alguma chance de eu ser presa se disser aqui que sou a favor da pirataria? Então não direi isso. Não sou a favor da pirataria porque é um crime. Mas sou completamente contra os preços cobrados para se consumir cultura neste país.
Não sei a última vez que comprei um CD. Não tenho coragem. Até livros eu tenho deixado de pagar para ter. Achei modos mais econômicos de lê-los: empresto dos amigos ou de uma biblioteca. Infelizmente, eles não estarão a minha disposição quando eu bem entender. Mas paciência. O orçamento anda curto.
Aí, os grandões da indústria fonográfica ou cinematográfica fazem apelos para que as pessoas deixem de consumir seus produtos pirateados. E ameaçam: terão que aumentar o preço do produto para compensar as perdas. Pronto, aí que ninguém vai comprar mesmo.
Zezé di Camargo e Luciano vão ao Raul Gil pedir às caras fãs que não comprem seu mais novo CD em um camelô. Afinal, o original vem com um pôster dos gatões. Mais cobram 25 reais pelo redondinho. Só 5% do salário do mês inteiro da trabalhadora doméstica. Ô Zezé, que tal diminuir um pouco a margem de lucro. Sua, do empresário do dono da gravadora...
Eu sou a favor desses caras encontrarem outras formas de ganhar dinheiro sem ter que explorar seus fãs. Encontrem formas de patrocinar os downloads, que não vão deixar de existir. Ganhem com publicidade em serviços grátis, tanta gente já descobriu isso na internet. Agora, brigar com fãs, consumidores ou ficar caçando hackers um por um em ações judiciais é que não vai resolver.
Sou pacífica. Brinco que “dou um boi para não entrar numa briga e uma boiada para sair”. Prefiro não me envolver mesmo. Se não “precisar escolher” um dos lados, não escolherei e pronto. Parece fácil. Mas nem sempre é uma posição confortável.
Tento (nem sempre consigo ou quero) entender as duas partes de uma briga. É difícil não julgar. Só que, ao mesmo tempo em que tento me manter de bem com todos, não faço muito para mudar a situação da briga. Em suma, tento ser uma pessoa legal, mas acho que acabo me saindo como uma banana.
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myself and I
Às vezes eu me repreendo por reclamar demais da vida quando eu não tenho absolutamente nada para reclamar. Talvez a insatisfação seja uma característica básica humana (pelo menos da grande maioria dos humanos). Que tapa na cara ler quando a Anne Frank diz que deveria estar agradecida por dormir em uma cama quente, quando seus semelhantes são levados friamente para campos de concentração alemães. Isso de uma garota que vive escondida, sem quase ver a luz do dia, tomando banho só aos domingos e comendo uma ração pobre adquirida no mercado negro.
Ontem conheci a Meg Cabot – autora teen internacional com mais de 50 livros publicados. Antes de ir para a pauta, dei uma lida sobre ela na internet, começando pelo site official e diário dela. Ali já entendi o apelo: escritora para adolescentes com todo o jeitão de adolescente. Depois, pessoalmente, a mesma coisa. Ela é uma figura.
Do universo literário dela conhecia muito pouco. Assisti aos dois filmes “Diário da Princesa” e sabia por cima o enredo da série “A mediadora” graças ao colega de redação, Cláudio Yuge, que já tinha comentado comigo sobre ela (ele sabe que eu gosto de leitura adolescente, mas não me convenceu dessa aí não).
Achei engraçada a histeria das fãs. Por um lado, obviamente ridículo. Por outro, achei bacana que a meninada se empolgasse tanto por algo que não fosse ídolos da música pop ou galãs globais, mas, sim, livros. Fiquei surpresa pela resposta de alguns entrevistados que afirmaram ler, além de Meg, Machado de Assis e Clarice Lispector.
Usei “alguns”, generalizando, porque entrevistei um rapaz. Dezoito anos, fã assumido. Disse que começou a ler por causa do fanatismo da namorada, mas que se identificou com as histórias. Apesar dos fantasmas e histórias fantásticas, o garoto admite que curte mesmo é o romance.
Não será dessa vez que eu começarei a ler Meg Cabot (ou Jenny Carroll). Apesar de ter me sentido a quilômetros de distância (bem na verdade, anos de distância...) daquele universo, não me achei um peixe totalmente fora d’água. Acho que ainda tenho uma adolescente dentro de mim louca para sair de vez em quando. E eu bem que deixo...
Não acredito em espíritos. Na teoria. Acho completamente ilógico que, depois de alguém morrer, a alma ficar vagando por aí aterrorizando os vivos. Não acredito e pronto. Mas, na prática, queimo minha língua um pouco. É só estar sozinha num lugar completamente escuro para já começar a imaginar coisas.
Uma vez, há uns dois anos, convidei duas amigas para dormir em casa. Era uma casa muito aberta e eu tinha medo de ladrões. Só que uma das minhas amigas estava aterrorizada por fantasmas ou sei lá, por causa de um filme que tinha assistido recentemente. Pronto, ao invés de elas me tranquilizarem quanto ao medo de assaltantes, já fiquei apavorada de medo dos espíritos.
Não é algo que mexa muito comigo, em geral. Mas essa irracionalidade piorou um pouquinho depois que uma vizinha tentou convencer minha mãe que a casa em que moramos agora é malassombrada. Pensando, agora, isso é totalmente bobo, irracional. Mas não é tão fácil de esquecer tendo que atravessar a casa de madrugada com todas as luzes apagadas...