Esta história é fictícia. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Não é baseada em fatos reais. Não é inspirada em nenhuma pessoa real. Ela se passa em uma cidade imaginária, lá no Oriente Médio, chamada Abitiruc. Ela não é grande nem pequena. Nem é capital do estado.
Abitiruc tem um prefeito. E como todo máximo de um executivo local, o prefeito Oteb participa de eventos para assinar documentos e inaugurar obras. Ele também costuma fazer um pequeno discurso (quer dizer, o tamanho do discurso é sempre proporcional ao tamanho da plateia). Mas essa história não é sobre o Oteb.
A história é de Onaluf. Ele é um cara simples. Mora na periferia da cidade, em uma casinha humilde com sua esposa e seus dois filhos. Logo no começo da gestão do prefeito, Onaluf, que estava desempregado, soube que o gabinete faria uma seleção para um emprego.
Depois de uma fila de 40 minutos, chegou a sua vez. O entrevistador apenas olhou-o de cima-embaixo, perguntou o nome e pediu para ele bater palmas. Meio desconfiado, ele bateu. Descobriu, no dia seguinte, que tinha conseguido o emprego.
Na primeira reunião com seu superior, as instruções do cargo foram claras: participar de todos os eventos oficiais com o prefeito. Como quem não quer nada, se misturar aos populares (isso incluía puxar conversa fazendo parecer ser um deles e, de preferência, falar bem de Oteb). E, o mais importante: prestar atenção minuciosa no discurso do político e bater palmas fortes a cada quatro ou cinco frases. Ou toda vez que ele citasse uma obra da prefeitura. Ou a cada menção das palavras "povo", "população", "cidadãos", "moradores", "usuários do sistema de ...", entre outras.
E desde então é assim. Onaluf ganha o salário mínimo com benefícios. Trabalha de três a quatro vezes por semana. E pode ser encontrado na plateia de qualquer evento oficial de Oteb. Ou de Oãiuqer. Ou de Alul. Mas, pelo menos, Onaluf ganha para isso. Porque não é difícil acharmos muitos Onalufs por aí, fazendo o mesmo teatrinho de graça.
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