"Tudo o que é preciso fazer é confiar em mim. Veja o que eu posso fazer com os meus pés. Sinta o ritmo por dentro'', diz a letra do artista de hip-hop pop norteamericano Chris Brown (Forever). Talvez sejam essas as diferenças da dança de rua para qualquer outra.
Existe técnica. Existe aprendizado. Existe sequência, repetição e coreografia. Só que, sem o chamado ''feeling'', não é nada. O movimento está nos pés. Os braços seguem o instinto. Mas, o sentimento está na boca do estômago. É ali que nasce a força, a pegada, a raça.
Os malabaristas do asfalto se quebram em pedaços. Colocam mãos no lugar dos pés. Invertem a lógica do joelho. Brincam com a gravidade. Brincam, mas não desdenham dela. No hip-hop, o salto é para baixo. O corpo busca o chão.
Por mais contraditório que pareça, a música nessa dança é tudo. E é nada. A mente tem que estar na melodia. O coração tem que se sincronizar com a batida. Só que, se não há música, ''não dá nada''. A batida é da boca. A melodia é a história do gueto, sentida nas imitações dos passos e na expressão fechada.
Seja nas calçadas de um shopping, no festival internacional de dança ou na balada ''black'', b-boy e b-girl são todos ''mano''. A batalha, no nome, é uma aula. O vencedor é o professor do dia. A sequência premiada é a lição.
A foto não capta o começo e o final. Mas, nas fotos de Diego Singh, o movimento não parou. Os músculos espasmam. O corpo cai. Sobe. O pé ginga. Quase dá para ouvir a música. É só prestar atenção...
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