eu gosto de ter um blog, sabe.
mesmo. me divirto.
mas a minha vida não é tão animada e eu não sou tão criativa a ponto de escrever com uma frequencia digna de menina de bem, de blogueira de verdade.
mas eu tenho uma amiga bem legal e divertida que também adora escrever no blog dela. ela já ficou famosa, já saiu na mídia e tudo, por causa dos causos da vida escritos na internet.
daí, um dia, um amigo em comum disse: "caramba, nanda! Como você e a mila escrevem parecido!".
fui comentar com ela e recebi a resposta: "nossa. já me disseram isso também".
daí, o resto eu nem preciso contar, né?
www.eoqtemos.blogspot.com
Ainda tá sem layout, meio tímido, meio silencioso, meio vazio. Reflexo da vida, acho. Quem sabe. Momento filosófico, não ligue.
Você, amigo Tipos que esteve comigo todo esse tempo: Obrigada. Você é lindo e me fez conhecer gente da mais alta qualidade.
Você, colega leitor, por favor, não me abandone.
Anotaí o endereço no seu papelzinho e vem na cola! Hup! \o/
Desde os 12 anos eu não vomitava. Lembro-me bem do dia: apresentação do coral da escola. Ônibus para o Rio Grande do Sul e eu, mais verde que guacamole, vomitando no banheiro enquanto atravessávamos o estado.
É trauma, sei lá. Só sei que eu sofro. E choro. E choro e sofro se vejo alguém vomitando. Tremo, sofro, choro, sofro. Se eu sinto que vou vomitar, começo a me desesperar. E a chorar e a sofrer e a tremer. É ridículo.
Cheguei a desenvolver técnicas para evitar o momento. Conheço todas as fases: o enjoo, o calafrio, o suor e a vitória, depois de 20 minutos convencendo meu estômago de que ele não vai expelir o que eu quero que ele deixe por lá.
Mas 2009 prometeu ser um ano de conquistas, vitórias e grandes marcos.
E foi.
Festa grunge. Antes, esquenta na casa do amigo. 3 ou 9 doses de vodka. No bar, 2 cervejas. Quando bebo, fico exageradamente sociável. E lá estava eu, com todo aquele álcool no corpinho, batendo cabelo com os adolescentes sujinhos, ao som de Alice in Chains.
O estômago não aprovou e eu corri pro banheiro.
Já sentada no chão, resmungava alto e me desesperava. As amigas do lado de fora explicavam pras meninas do banheiro que eu queria vomitar, mas tinha o tal do trauma.
Depois de uns minutos, tomei a decisão:
-Hoje vai entrar pra história.
Quero deixar aqui meu agradecimento a todas as amigas e desconhecidas que me aplaudiram fervorosamente quando eu saí do banheiro, limpa e orgulhosa dizendo:
-Galera, vomitei!
Festa estranha com gente esquisita. Frio, chuva, lama até o meio da canela. Mas Fernanda Brun é guerreira e não se deixa abalar. E afinal, tá na chuva, é pra se molhar. Às vezes, literalmente.
O nome do lugar era rave e eu não vou comentar o quanto a música ou o ambiente não me agradam 100%. Mas eu gosto de dançar, sabe? Muito. Alterada, mais ainda. E tem um carinhas lá que misturam um monte músicas e não é que fica bem legal?
E lá estava eu, numa rodinha de amigos quando o DJ começa a tocar um clássico do rei Máicow. Ah, eu não me contenho e começo a dançar com todo amor que guardo pelo nosso falecido “branquelinho”. Obviamente, no ápice da música, o que você faz? Joga a mão pra cima, como pedem os grandes mestres do axé brasileiro. E eis que o pior acontece. Assim que levanto a mão, sinto uma batida e uma mordida. Olho pro lado e vejo que a minha mão foi parar dentro da boca de um passante.
-Moço do céu, me desculpa!
Ele, com cara de dor segura a boca fechada e resmunga.
-Pô, moça. Você enfiou a mão dentro da minha boca.
-Desculpa, moço. Mesmo, mesmo, mesmo.
-Pô...pô!
-Mas moço. Veja que coincidência, né? Você passando com a boca aberta bem no ápice da música do Máicow!
-Mas pô, moça. Você tem que prestar atenção.
-Desculpa, mesmo!
-Pô, é foda.
-Ah, moço. Tá. Já pedi desculpa! Mas você também não precisava me morder também, né?
E lá vai ele, resmungando e olhando pra trás.
Então, ficaíadica: ao caminhar no meio de pessoas dançando freneticamente, feche a boca. Ou saia de perto de mim.
Talvez eu tenha um sensor pra gente estranha.
Ou talvez tenha alguém em algum lugar rindo muito de mim.
Bar genérico, apertado.
Um rapaz simpático e bonito me dá oi. Ah, então oi, né?
Obviamente, algo muito mais bizarro me aguardava. Logo depois da parte "e o que você faz?", veio o melhor momento do papo:
- Além de estudar medicina, eu fotografo.
- Ahhh, eu também. Que câmera você tem?
- Não, eu sou modelo.
- Ah. Tá.
- Mas se você quiser fazer um ensaio meu nu, estou a disposição
- Ah, tá. Legal.
- Dai você faz o foco onde você quiser né. É importante a gente ter um foco na vida.
- Claro, claro. Tem que trabalhar o objeto.
- Você está me chamando de objeto?
- De forma alguma. Imagina.
- Ou você tá falando do meu objeto?
- Oi?
- O que você quer dizer com objeto?
- O objeto fotografado. Seria você, no caso.
- Mas você tá falando do meu objeto ou de mim como objeto?
Eu tenho uma dupla musical, sabe. Não é sertaneja nem brega, mas é uma dupla: eu e um moço. Daí você ficou mais preconceituoso e acha que a gente deve ir no bar, se vestir parecido e tocar clássicos na música romântica chulé como “Cruisin” ou qualquer coisa do Djavan. Mas não. A gente toca coisa honesta e procura não agredir ninguém.
Mas não é sobre isso que eu ia falar.
O fato é que eu e esse moço ensaiamos e coisa e tal, e daí a gente vai tirar uma música. Daí eu tiro e decoro as notinhas pelos próximos 10 minutos, crente que, desta vez, decorei pra sempre.
-Vamos anotar isso, nanda? – diz o meu sábio amigo.
-Não precisa, bróder. Desta vez eu decorei. Juro.
Obviamente, um dia depois eu já não faço a mínima idéia do que eu tocava e, se duvidar, nem lembro que músicas a gente tirou ou se a gente ensaiou mesmo essa semana. Minha memória não é boa comigo e só guarda o que ela tá afim de guardar. Vamorespeitá.
Mas eu só contei isso pra fazer uma introdução pro que eu vou dizer agora.
Essas coisas que eu escrevo nesse blog acontecem mesmo, sabe. Eu sei que às vezes parecem meio forçadas ou meio tristes demais para serem verdade, mas acontecem, infelizmente. E elas acontecem ao longo do dia, né? Quando eu menos espero. E daí lá vou eu (antes que eu esqueça), pego meu bloquinho, minha folha de caderno da pós, abro um arquivo do word no trabalho... e escrevo. E guardo. E penso: “ok, nanda. Você guardou isso aqui. Chegue em casa e poste”. Cla-ro!
Em algum lugar do mundo estão 2 posts que eu ainda não publiquei porém já vivi e já escrevi.
São Longuinho, São Longuinhos, se eu achar meus postzinhos eu dou três pulinhos.
(se não for pedir demais, manda também meu anel de pérola, meu pendrive e as notas da última música que eu tirei, por favor?)
Bar zoado olho pro lado e vejo um moço. Moreno, alto, barbudo; cerveja na mão, all star no pé. Sorrisinho pra cá, esbarrada pra lá, começamos a conversar. Ele parece bem legal. Não entende as piadas que eu solto, mas sabe a letra da minha música favorita dos Beatles e lê Saramago.
Daí a gente troca telefone, sai com o moço de dia e descobre que além de não termos nada a ver, o cara é meio machista, meio louquinho e termina o encontro com a frase: “tua embreagem tá estragada e é porque você não dirige direito”. Obviamente percebo que não há futuro algum com este cidadão e decido acabar com isso antes que vire uma bola de neve.
E explico pro moço que não quero mais sair com ele, dou alguma das desculpas que todo mundo já conhece, escuto uns xingões, dou umas explicações e consigo teminar o papo com um “a gente se vê por aí”. E sigo a minha vida achando que tá tudo bem, que o bofe me esqueceu e que foi engraçado enquanto durou.
Uns dois meses depois, o celular apita, um envelopinho aparece e o visor mostra “mensagem do fulano”. Franzo a cara e penso o que diabos o rapaz tem pra me falar depois de tanto tempo. Mas nada, senhoras e senhores, absolutamente nada do que poderia passar pela minha mente fértil chega aos pés do que eu tive que ler.
“Oi. Acabei de sair da facul. Se tiver afim de fazer um sexo, me dá uma ligada. Beijo”
Eu sou uma mulher daquelas mulherzinhas de dar agonia. Que quer sair comprando tudo que é roupa, tudo que é acessório e tudo que é sapato. Juro que tento me controlar, mas tem hora que é inevitável: “passa no débito” fala mais alto.
Não que eu seja fútil, pelamordedeus. Eu leio, gente. Escuto música clássica, acompanho o mercado financeiro, discuto cultura e todo o blábláblá chato intelectualóide. Mas eu sou mulher, né? E feminilidade e consumismo são palavras que andam de mãos dadas, infelizmente.
No entanto, eu tenho consciência de todo o dinheiro que eu gasto com roupa e fico triste. Sofro! Penso que podia ter economizado, que podia ter comprado algo melhor, que podia ter ido jantar num lugar bacana. E daí eu olho para aquele armário abarrotado, cheio de coisa que eu não uso mais, com peças que nunca viram a luz do sol ou o strobo da náite e penso: fodeu.
E no ápice da loucura, vem a ideia.
Mas como eu já escrevi demais, resumo pra vocês:
ladraodevaral.blogspot.com
A única coisa divertida de ir ao salão de beleza é ficar observando as conversas bizonhas/engraçadas/inacreditáveis que acontecem neste fantástico estabelecimento.
Geralmente, os mais divertidos são os que acontecem entre clientes e manicures.
E eu tava ali, sentadinha, explicando pra Rô que apesar de gostar das minhas unhas grandes elas deviam estar bem curtinhas por causa da aula de piano.
Do meu lado, uma loirinha de seus 20 anos e uma manicure espalhafatosa conversavam.
- E que cor você vai passar hoje?
- O que você me indica?
- Menina, comprei esse vermelho que é um lu-xo. Olha o nome: Tomate. É um vermelhão bem aberto, quase laranja. Lembra o 40 Graus, sabe?
- Ai! Mas eu não posso passar esmalte vermelho.
- Por que, menina? Vai ficar lindo nessa mão branquinha.
- Mas é que o meu namorado não deixa. Brigamos muito feio o dia que eu apareci em casa com a unha vermelha.
- Mas como assim?
-É! Ele disse que unha vermelha era coisa de mulher oferecida e que se eu era desse tipinho, não podia ser namorada dele.
- Mas menina, que besteira.
- Ai. Eu achava também. Mas depois pensei melhor e até concordei com ele. Imagina! Eu, comprometida, com unhas chamativas e sensuais. Não dá, né? Não posso mais ficar por aí chamando a atenção dos outros homens.
- Mas olha ali na mão da moça que elegante.
A moça era eu. Sorri e virei o rosto. Preguiça de soltar meu discurso “largaesseidiota”.
- Mas ela é solteira, né? (Concordei com a cabeça) Ela pode. Eu tenho que agir como uma menina comprometida.
- Então vamos passar um rosinha?
- Isso. Vai combinar com o bêibi dól que eu comprei pra usar pra ele hoje.
Quinta-feira bonita, com calor e animação.
No corpinho, uma camiseta comprida e branca por dentro de uma saia cintura alta.
Na consumação, uma garrafa de vinho e uma de água que ficou pela metade na mesa.
No outro dia, 11h, telefone toca.
Minha mãe.
-Oi, filha. Tudo bem?
-Tudo, mãe. E você?
-Aham. Porque você chegou tão tarde em casa ontem?
-Ah, mãe. Ficamos lá de papo, daí fomos comer, enfim.
-Sei. E me diga uma coisa.
-Digo.
-Porque a sua camiseta está suja de vinho?
-Ah, mãe. Deve ter caído.
-Mas ta suja na barra. E por dentro!
-Sei lá, mãe. Sujou.
-Mas por dentro, filha! E a blusa tava pra dentro da saia!
-O que você quer que eu faça, mãe. Sujou, sei lá.
-Mas foi você que sujou?
-Como assim?
-Você que se sujou?
-Ãhm?
-Você que se sujou ou te sujaram?
-Acho que deve ter sido eu, né mãe?
-Então tá. Beijo.
Escola de ballet, 10h da manhã, sexta-feira.
Na mesinha de pintura, três meninas de saia rosa e redinha da cabeça rabiscam algumas folhas de papel e conversam alto. Um delas está em silêncio e faz tímida seu desenho. No rosto, um roxo perto do olho. Uma das meninas falantes pergunta:
-Que houve com o seu olho?
Ela não responde, mas a terceira menina – irmã da vítima - já desanda a falar.
-É que ela brigou na escola e daí uma menina feia bateu nela, mas ela nem chorou porque a gente não chora sabe.
Nisso, a menininha do olho roxo, toda envergonhada, enche os olhos de lágrima e começa a olhar pra baixo.
Em um sofá perto da porta está uma mulher de seus 50 anos, sem uma ruga no rosto, o cabelo bem arrumado, as unhas longas e vermelhas e sapatos de salto alto. A menina corre para a mulher e começa a chorar no seu colo.
Indignada, a mulher começa a falar.
-Epa, epa, epa. Pode parar com esse choro. Tá chorando por que, hein? Já falei, filhota: se for pra chorar, que seja uma coisa muito importante. Botox é caro demais pra gente ficar chorando por aí.