Festa estranha com gente esquisita. Frio, chuva, lama até o meio da canela. Mas Fernanda Brun é guerreira e não se deixa abalar. E afinal, tá na chuva, é pra se molhar. Às vezes, literalmente.
O nome do lugar era rave e eu não vou comentar o quanto a música ou o ambiente não me agradam 100%. Mas eu gosto de dançar, sabe? Muito. Alterada, mais ainda. E tem um carinhas lá que misturam um monte músicas e não é que fica bem legal?
E lá estava eu, numa rodinha de amigos quando o DJ começa a tocar um clássico do rei Máicow. Ah, eu não me contenho e começo a dançar com todo amor que guardo pelo nosso falecido “branquelinho”. Obviamente, no ápice da música, o que você faz? Joga a mão pra cima, como pedem os grandes mestres do axé brasileiro. E eis que o pior acontece. Assim que levanto a mão, sinto uma batida e uma mordida. Olho pro lado e vejo que a minha mão foi parar dentro da boca de um passante.
-Moço do céu, me desculpa!
Ele, com cara de dor segura a boca fechada e resmunga.
-Pô, moça. Você enfiou a mão dentro da minha boca.
-Desculpa, moço. Mesmo, mesmo, mesmo.
-Pô...pô!
-Mas moço. Veja que coincidência, né? Você passando com a boca aberta bem no ápice da música do Máicow!
-Mas pô, moça. Você tem que prestar atenção.
-Desculpa, mesmo!
-Pô, é foda.
-Ah, moço. Tá. Já pedi desculpa! Mas você também não precisava me morder também, né?
E lá vai ele, resmungando e olhando pra trás.
Então, ficaíadica: ao caminhar no meio de pessoas dançando freneticamente, feche a boca. Ou saia de perto de mim.