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Os demônios de Marvin Gaye

Marvin Gaye


A explosão do rock nos anos 50 fez com que o mercado da música pop ganhasse um crescimento extraordinário e, com a comercialização, o rythm & blues ganhou uma linguagem urbana mais explícita, a soul music, gênero que levaria para os estúdios as onomatopeias de apelo sexual.

O jovem Marvin Gaye acompanhou profissionalmente toda essa transformação, imprimindo tamanha carga de sexualidade em seus hits que acrescentou um “e” no sobrenome, a fim de evitar conotações homossexuais.

Gaye era um rapaz talentoso e problemático. Seu pai, um pastor extremista, aplicava “corretivos” diários ao filho para impor uma conduta comportamental totalmente avessa à rebeldia que eclodiria nos anos 60.

Durante toda a vida Marvin Gaye sofreu pressões: dos casamentos em crise, da religiosidade do pai, do preconceito, dos movimentos sociais, da visão extremamente comercial da Motown, das drogas. Enfrentou todas. Passou por dois divórcios conturbados, brigou com o pai, lutou contra o preconceito e conseguiu produzir, por conta própria, um álbum que tirava a soul music da cama, levando-a a refletir sobre as transformações da época. Pagou caro, com várias crises de depressão e um apego doentio à cocaína.

Marvin Gaye foi baterista, pianista, arranjador, produtor e cantor – sua voz marcante ia da suavidade de travesseiro à aspereza da separação. Mesmo quando cedia às canções insípidas que faziam a alegria financeira da Motown, acrescentava a elas uma interpretação enriquecedora.

Gaye também emplacava duetos, fosse com Mary Wells ou Diana Ross. Com Tamy Terrell viveu um drama: a cantora desmaiou em seus braços durante um show, conseqüência de um tumor cerebral que a levaria à morte em 1970.

Dois álbuns, particularmente, marcaram a carreira de Gaye. What’s going on (1971) trouxe a autonomia de produção e os improváveis temas sociais – incluindo corrupção, drogas, guerra e ecologia – sem perder sensualidade. Let’s get it on (1973) fez o contrário para expor as amargas experiências conjugais.

Gaye brigou com a Motown em 1981e foi para a Columbia, onde lançou Midnight Love (1982). Após uma passagem pela Europa, voltou aos Estados Unidos combalido pelo vício. E aí cometeu um equívoco, refugiando-se na casa do pai, que aproveitou para exorcizar os demônios da família.

Fragilizado, o cantor tentou suicídio. Durante uma discussão, o pastor atirou contra o filho. Soube-se depois, quando o religioso estava preso, que parte de seu comportamento histriônico devia-se a um tumor cerebral. Marvin Gaye morreu em 1º de abril de 1984, um dia antes de completar 45 anos. Nasceu há 70, em 2 de abril de 1939.

Comentários

marvin era realmente gay ou não se sabe ao certo???

por marcio (desloguilson)

07/04/09 às 20:40 - Link

Oi Marcio, existem boatos, há quem acredite que o assassinato teve um motivo homofóbico. Bom, ele teve dois casamentos conturbados, se preocupou em colocar um "e" no sobrenome (originalmente era Gay) - e disse imitar Sam Cooke (originalmente Cook). Algumas letras podem ser interpretadas com duplo sentido... Não se sabe ao certo. Pesa aí a formação religiosa e o pai opressor. Eu já assisti vários filmes... Acho que, nas circunstâncias, ele não assumiria.

por preto

09/04/09 às 22:48 - Link

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