
Em tempos de informação rápida, é bom descobrir obras que envelhecem bem. É o caso de O livro de ouro da mitologia, que o escritor norte-americano Thomas Bulfinch lançou em 1855. Bulfinch foi um dos maiores especialistas em mitologia do século 19, e o texto integral de sua principal obra pode ser encontrado em O livro da mitologia, lançado pela Série Ouro da Martin Claret com preço sugerido de R$ 18,90. É barato pela propriedade com que o autor narra mitos fundamentais da cultura ocidental.
Bulfinch lembra que a música era associada ao poder da cura. Por isso Apolo, geralmente identificado com o Sol, tinha o dom da medicina e da música. Como quem era músico também era poeta, Apolo ainda se destacava nas letras.
Outro virtuose da Antiguidade era Aríon, que viajou de Corinto para a Sicília e ganhou uma fortuna em um concurso musical. Na volta, o tesouro despertou a cobiça dos marujos, que jogaram Aríon no mar. Mas o músico usou a lira para encantar um golfinho e alcançar a terra firme. Quando o barco chegou a Corinto, Aríon apareceu coberto de ouro, aterrorizando os malfeitores.
Minerva inventou a flauta. Mas não aturou as gozações de Cupido, que achava engraçado o biquinho que a deusa fazia para ganhar embocadura. Com raiva, Minerva jogou a flauta na Terra. O instrumento foi encontrado por Mársias que, de tanto insistir, passou a dominá-lo. Metido a besta, Mársias desafiou Apolo para um duelo musical. Perdeu, claro. E, de quebra, por causa da arrogância, foi esfolado vivo.
Mexer com a vaidade dos deuses era uma grande roubada. Lino, por exemplo, teve o azar de ser professor de música de Hércules. Quanto mais Lino ensinava, mais o grandão se demonstrava incapaz. Por fim, o professor perdeu a cabeça e deu uma bronca no semideus. Irritado, Hércules bateu-lhe com a lira – e Lino morreu na hora.
Filho de Apolo, Orfeu herdou o talento do pai. Quando tocava a lira, Orfeu acalmava as feras e amolecia as rochas. Assim, conquistou Eurídice que, fugindo do assédio de Aristeu, pisou numa cobra e morreu.
Pois Orfeu desceu até o Tártaro - o mundo dos mortos - e tocou para Plutão, que chegou a lacrimejar, vejam só, com a beleza da melodia. Eurídice voltou a viver sob a condição de que Orfeu não olhasse para ela ao sair do Tártaro. Ávido para ver a amada, o músico não resistiu, e Eurídice morreu outra vez. O casal só se reencontrou quando Orfeu também bateu as botas – um caso de amor consumado no além-túmulo.