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Pensamentos desconexos

Eu não agüento mais essas apresentações de taiko (ou taikô?). É só ligar a televisão para ver a japonesada espancando tambores, gritando e erguendo sincronicamente as baquetas. Com todo o respeito à tradição, assistir uma, duas, até três vezes pode ser interessante. Mas todo dia, como querem alguns canais de televisão que eu faça, nem o Seu Miyagi agüentaria.

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Algo me diz que, na madrugada da virada de ano, alguma macumba foi feita no Rio e em Salvador. Será?

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Aqui em Londrina o espetáculo pirotécnico me surpreendeu. Foram dois rojões e vinte segundos do mais puro traque. O Nedson deveria pensar em atrair mais turistas para o próximo fim de ano.

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Ontem, em conversa telefônica com o Maurício, disse-lhe que não entendo o motivo pelo qual um adulto compra fogos de artifício. Quando eu era moleque, tinha muito prazer em estourar latinhas de refrigerante, recipientes plásticos e seres vivos dotados de exoesqueleto quitinoso. Mas, já aos 16 anos, comecei a me sentir idiota ao usar esses artefatos. Deve haver algum componente fálico no ato de usá-los: quanto mais imponente a explosão, mais potente quem a promoveu. Deve ser algo semelhante ao que move um e outro pelintra a fazer empréstimo a juro para equipar o chevete com um sonzão nervoso e socar o bicho no chão. Talvez a Psicologia explique assim, mas na minha visão a relação é mais simples: quanto mais incômodo o estouro, menos desenvolvida a mente de quem o causou.

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Além do adulto amante de fogos, amedronta-me outro tipo de gente: a fã que, na primeira fila do show de seu ídolo, olha-o chorando, em catarse, e canta-dança sem erro as suas letras, com a cabeça envolta por uma faixa com o nome do “artista”. O pior é que sempre alguma câmera capta essa imagem e joga-a em nossas casas. Vi uma porção delas ontem no deprimente Show da Virada da Globo, que fui obrigado a tolerar durante cinco minutos. Virou o estômago.

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Estudar para concurso, ninguém quer. Trabalhar no xerox da universidade, também não. Passar a noite do dia primeiro fazendo dogão especial com bacon no lanche do Moacir, muito menos. Memorizar letras de axé e cantá-las abraçadinho com os amigos cheios de abadás, todo o mundo quer.

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Registro aqui uma construção inédita na história da lusofonia: “Eu não ‘escuti’ nada”, disse-me ontem um senhor que tem toda a minha simpatia. Está certo ele, oras! Se os pares bato/bati, como/comi e bebo/bebi estão certos, quem vai convencer a mente humana de que escuto/escuti não está? E viva a regularidade verbal!

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Tenho ouvido algumas pessoas reclamarem do sucesso alheio com a seguinte frase: “O cara é um idiota, mas tem dinheiro pra caramba”. Mais adequado seria dizer que o cara tem dinheiro pra caramba “porque” é um idiota. A relação é causal, e não adversativa. Um colega de Direito está certíssimo: “Estudar pra quê? Pra morrer sabido?”.

Comentários

Ótemo! Show da virada é deprimente, faz-me pensar que tudo está começando errado, de novo. Felizmente eu fiquei nos dois minutos e meio de tolerância. Quando começou o KLB cantando "Era um garoto" não deu, meu estômago virou de uma maneira que está virado até agora. São coisas que a gente não consegue compreender, realmente...

por estela

02/01/08 às 06:51 - Link

sim, sim... para que morrer sabido? vamos morrer de tanto viver! bisous.

por sarap

02/01/08 às 07:54 - Link

hahaha. muito bom! quero só apontar que prefiro fazer dogao e trabalhar no xerox do que a parte do axé abraçadinho, ekati. : ( no mais o "escuti" ou algo semelhante eu escuto algumas vezes, quando meu marido alemao está desatento ou bebadinho, hihihi. ainda bem que daqui da pqp ao menos estou livre desses shows de virada (se é que se pode chamar isso de show)... prefiro até esse inverno temeroso.

por isis

02/01/08 às 10:24 - Link

tanga, londrina sempre será minha cidade do coração mesmo tendo a pior virada do ano. aqui na cidade de concreto às vezes sinto falta do centro cheio de árvores e da praça da rua general horta barbosa.

por susan eiko togashi (desloguilson)

08/01/08 às 15:01 - Link

kfjçjkldf

por juliane (desloguilson)

11/04/08 às 13:43 - Link

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