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em que acontece,
faz a noite parecer dia.
O cardápio é vasto, tem carnes, massas e saladas, tudo belo e apetitoso, tudo convidativo e cheiroso, uma balbúrdia de sabores e aromas e visuais apetitosos que, hmmm, eu nem sei por onde começar neste self-service. Pena que tudo perde a graça nessa falta de apetite em que eu vivo, que nem Biotônico Fontoura me pode curar.
Mas eu vou engolir a sua falta como eu engulo uma batata-suíça, eu vou engolir a sua falta-suíça. Da sua falta, as patas malditas cravadas na minha cabeça: eu vou contorcer o pescoço e engoli-las. As suas faltas patéticas eu vou engolir sem engasgar, eu vou me esganar de enfiar goela abaixo a sua crítica falta. Que nem engulo um copo de suco, um prato de sopa, uma caixa de twix. Você não perde por esperar o que eu vou fazer com a sua falta: eu vou engolir sem sal, sem tempero, sem assar, crua mesmo, a sua falta crua eu vou engolir com sangue pingando, nervos, bernes e o que mais houver na carne da sua falta cruel. Eu não tenho nojo da sua falta, eu tenho nojo é da sua ausência, a sua falta eu vou encher de vinagre e ficar vendo a sua falta mudando de cor, alterada de dor, eu vou fazer a sua falta sofrer muito antes de engoli-la. Eu vou é jogar sal na sua falta, quero ver a sua falta derreter que nem uma lesma coberta de sal. E aí, sim, é que você vai ter certeza: eu não tenho nojo da lesma da sua falta, mole, derretida, a sua falta assim vai ser engolida. No meu estômago, os ácidos vão corroer a sua falta e matar a sua falta e eu vou digerir o bife podre e mal-temperado da sua falta, o bife derretido que nem lesma salgada. E eu asseguro: eu vou engolir garganta adentro e não vou vomitar nadica de nada da sua falta, porque, depois de engolida, não vai sobrar nada da sua falta e ela nunca mais vai voltar, nunca mais. Nunca mais que eu vou ter a falta sua me enchendo a paciência.
Eu não me canso de dizer: há tanto por dizer
I
- A Val foi picada por uma aranha-marrom!
- Meu Deus!! E a aranha-marrom, tá passando bem??!
- ...
II
- Quer um halls?
- Obrigado, não, eu sou diabético.
- Ah, tenho casos de diabetes na família da prima da parente da amiga de uma conhecida minha.
- Eu também, que coincidência!
- Tá vendo, fomos feitos um pro outro!
- É mesmo, vamos casar?!
- ...
III
- Naquela rua. Putz, como é mesmo o nome?
- Qual?
- Aquela. O nome é... aquele doce... bem sincero...
- Ahn??!
- Ah, lembrei. Brigadeiro Franco.
- ...
IV
- Agarro tuas letras pelas serifas.
- Não dá, eu uso arial.
- Então aplico meu itálico no teu corpo.
- ...
V
- Seu João, é verdade que o sr. estuprou a Dercy Gonçalves?
- Istrupei nada! Ela deu porque quis!
- ...
VI
- Você não vai ver, você vai estar de olhos fechados.
- Hmmm, e o que vai acontecer enquanto eu estiver de olhos fechados?
- Você vai gemer muito.
- Uau!
- Mas só até a faca cortar a sua jugular.
- ...
VII
- Me fala uma coisa surpreendente.
- Você é linda.
- Ah, mas isso não me surpreende. Fala outra.
- Você é linda, mas eu prefiro seu irmão.
- ...
VIII
- Ah, eu nem sou tudo isso.
- Você quer o quê, então? Que eu fale que você é feio e que eu não vou ficar com você?
- Não, né...
- Então cala a boca e aprende a aceitar o elogio!
- ...
IX
- Eu tenho comido fritura todo dia, doutor. O que o sr. acha que pode acontecer comigo, quando eu tiver 120 anos?
- ...
X
- Eu fico pensando. Como será o bauru em Bauru?
- E a suruba no Suriname?
- Dentro de um Subaru??
- ...
eu tenho dois olhos
Há tanto por dizer