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Arquivo: 2003

Alguma história

alguma história

Esta foto é de Pedro Martinelli. Para saber mais, clique exatamente aqui neste lugar onde o seu mouse vira uma mãozinha e vai te levar a uma viagem fragorosa se você apertar bem clicadinho exatamente aqui.
Foto: Pedro Martinelli

alguma história que não foi vivida
perdida naqueles abandonos perfuro-cortantes
alguma história assim que deveria acontecer e não houve
alguma história assim eu sei
está sendo escrita de-va-ga-ri-nho
bem de levezinho
com todos os pontos comidos
e as vírgulas engolidas que eu não usei neste ano
alguma história assim eu sei sim
vai ser desembrulhada lavada desnervada fatiada temperada fritada
lentamente apresentada numa terrina transparente
almoçada e jantada diariamente
em cada um dos todos os dias que grandemente eu sei que vêm vindo aí
a pé é verdade
porque vamos falar uma verdade umazinha só
este 2003 que demora pra ir embora
que saco que estranho que esquisito que doido e que doído que foi
mas doeu mas foi bom mas eu não gosto de sofrer
e eu sei que alguma história que não foi vivida
perdida naqueles abandonos perfuro-cortantes
eu sei que está quase pronta pra ser servida
e te dou a chance olha só que chance
eu estou fabricando um ano bissexto
de mais um dia mais 24 horas no fim de fevereiro
ou pra escrever mais um pouquinho essa história abalroantemente longitudinal na carne do meu coração
ou pra finalmente me servir essa história pronta
porque francamente vamos falar mais uma verdadezinha umazinha sozinha
não foi fácil mas agora eu sou outro
mas se demorar mais um pouco
eu já mudo de novo
e você não vai me achar

(pois então:)
vem, eu quero abrir as portas do meu coração
pra você entrar nas minhas veias,
nas minhas artérias aortas,
nas minhas rimas porcas.

Um raio, no instante em que acontece, faz a noite parecer dia

Um raio, no instante

em que acontece,

faz a noite parecer dia.

Ontem, 21 de dezembro de 2003, 00:46:31

E eu digo que me queixo
de coisas que não tenho:
pior do que tudo isso
é nada.
Nada que esmaga
e põe debaixo do móvel mais pesado
o corpo quebrado
de ossos moídos pela saudade dos dias de sol.
Nada
são os dias escurecidos de chuva
duma primavera fraca e fria
triste e traiçoeira
cheia de dúvidas
de amigos indo embora
de festas inacessíveis
de amores que nunca se vão realizar.
Nada
é a sensação estranha
de ter dor e não sofrer
de achar bom o choro
contar cicatrizes pelo corpo
e concluir
que nada satisfaz
este pequeno coração.

Hora do almoço



Hora do almoço

O cardápio é vasto, tem carnes, massas e saladas, tudo belo e apetitoso, tudo convidativo e cheiroso, uma balbúrdia de sabores e aromas e visuais apetitosos que, hmmm, eu nem sei por onde começar neste self-service. Pena que tudo perde a graça nessa falta de apetite em que eu vivo, que nem Biotônico Fontoura me pode curar.

um copo de suco, um prato de sopa, uma caixa de twix

Mas eu vou engolir a sua falta como eu engulo uma batata-suíça, eu vou engolir a sua falta-suíça. Da sua falta, as patas malditas cravadas na minha cabeça: eu vou contorcer o pescoço e engoli-las. As suas faltas patéticas eu vou engolir sem engasgar, eu vou me esganar de enfiar goela abaixo a sua crítica falta. Que nem engulo um copo de suco, um prato de sopa, uma caixa de twix. Você não perde por esperar o que eu vou fazer com a sua falta: eu vou engolir sem sal, sem tempero, sem assar, crua mesmo, a sua falta crua eu vou engolir com sangue pingando, nervos, bernes e o que mais houver na carne da sua falta cruel. Eu não tenho nojo da sua falta, eu tenho nojo é da sua ausência, a sua falta eu vou encher de vinagre e ficar vendo a sua falta mudando de cor, alterada de dor, eu vou fazer a sua falta sofrer muito antes de engoli-la. Eu vou é jogar sal na sua falta, quero ver a sua falta derreter que nem uma lesma coberta de sal. E aí, sim, é que você vai ter certeza: eu não tenho nojo da lesma da sua falta, mole, derretida, a sua falta assim vai ser engolida. No meu estômago, os ácidos vão corroer a sua falta e matar a sua falta e eu vou digerir o bife podre e mal-temperado da sua falta, o bife derretido que nem lesma salgada. E eu asseguro: eu vou engolir garganta adentro e não vou vomitar nadica de nada da sua falta, porque, depois de engolida, não vai sobrar nada da sua falta e ela nunca mais vai voltar, nunca mais. Nunca mais que eu vou ter a falta sua me enchendo a paciência.

Os bebês não roncam

Os bebês não roncam

Como direi? Ouvir estrelas!
Certo perdi o senso...
Lerei então bulas de remédios:
não há literatura mais emocionante.
O suspense do efeito colateral...!
Mas, que bobagem, os bebês não roncam,
mesmo porque não sabem o que é viver
e nunca ouviram
técnicos falando de implosões, erosões ou exclusões
e ainda não tiveram o prazer de calcular o MMC
ou saber quem foram MMDC.
Como direi? Viajar três dias!
Certo perdi o censo...
Que diferença faço: mais um, menos um na conta do mundo
e a vida vai continuar tão boa quanto antes.
Assim como sou,
perturbado que estou,
amar pode ser
apenas sentir toda a minha importância no espaço sideral ou entre os meus outros bilhões de companheiros terráqueos em busca de coisas supérfluas, melífluas, nesta vida tão longa quanto este verso que não quer mais acabar, não quer morrer, quer fugir à regra, quer ser tão eterno quanto o mundo antes da bomba atômica.
Mas - que bobagem - os bebês não roncam,
e amar pode ser apenas
um meio de sublimar minha insignificância.

Eu não me canso de dizer:

há tanto por dizer


Ontem, 9 de dezembro de 2003, 15:42:42




  • Eu me sinto em Minas Gerais: abro a janela e vejo a montanha lá atrás.


  • A chuva já me encheu o saco em outros tempos, mas agora eu acho muito bonito chover, mesmo que eu esteja a pé e sem guarda-chuva, no meio da rua.


  • Quem nunca viveu uma despedida que atire o que quiser.


  • Eu nunca fumei maconha.


  • Eu nunca cheirei cocaína.


  • Eu já bebi Fanta Uva.


  • Uma das palavras mais bonitas de se dizer e mais tristes de se ouvir é a palavra “adeus”. Eu imagino que, quando alguém diz “adeus”, está a desejar que o interlocutor fique na companhia de Deus, fique bem acompanhado e, assim, ande bem. Mas quando alguém me diz “adeus”, eu ouço na verdade uma coisa tão dolorida, que eu nem me lembro de pensar em Deus. Depois de um adeus, eu ando mal: acompanhado: por mim: apenas. Depois de um adeus, existe uma gigantesca falta, como um buraco de bala de canhão no peito de um pardal. Esse negócio de “adeus” devia ser proibido.


  • Olhaí, olhaí, freguesia! Está chegando o GUIA CINCO RODAS! Melhor do que o concorrente, porque tem estepe! O Guia Cinco Rodas vai trazer roteiros de viagens maravilhosas, de qualquer lugar para qualquer lugar. De Sabáudia a Astorga, de Ilhéus a Itacaré, de Maceió a Porto da Rua, de Balneário Camboriú a Florianópolis, de Rio Claro a Cordeirópolis, de Londrina a Arapongas, de Belo Horizonte a Arraial d'Ajuda, de Foz do Iguaçu a Cidade do Leste, de Piaçabuçu a Penedo, de Lençóis a Bom Jesus da Lapa, de Brasília a Curitiba, de Aracaju a Praia do Forte, de Ibiporã a Ventania, viagens alucinantes - que eu fiz e agora dou meu testemunho de que valem a pena. Viajar sempre vale a pena. Afinal, o que é a vida, senão uma grande viagem? Claro que tudo fica melhor se alguém que tiver ido antes contar como é! Então, se você está pensando em conhecer Piaçabuçu, Cordeirópolis, Astorga, Bom Jesus da Lapa ou qualquer outra cidade da lista aí acima, prepare suas bagagens e embarque comigo nas páginas do GUIA CINCO RODAS - melhor do que o concorrente, porque tem estepe!


  • O show da banda Terminal Guadalupe, domingo, no Er só o que f lt v , esteve muito bom. Só não foi melhor porque acabou rápido. Eu queria dizer mais algumas coisas sobre isso, mas estou sem inspiração e vão dizer que é puxação-de-saco.


  • Eu lembro que teve um ano, 1987, acho, (eu tinha uns 13 anos), que eu tive o desplante de ligar pro 130 às 23h59 do sábado em que ia mudar pra horário de verão, só pra ouvir o que acontecia com a gravação. Ficou tudo mudo. Liguei de novo em seguida e já tinham acertado o horário. E eu achando que a mulher ia anunciar na hora a mudança, “ao sinal serão” etc.


  • Eu quero dizer que o meu amor por você ultrapassa sentidos, lógicas, reações normais. Ultrapassa e fica ali, estacionado no acostamento, esperando a sua passagem.


  • Aurora, a melhor cerâmica extrudada do Paraná. Aurora oferece: este blog.


  • E aí todo mundo em volta resolveu ficar quieto, bem na hora em que eu estava contando aquele detalhe sujo.


  • Não existe tubaína em Curitiba.


  • Mandioca é a palavra mais engraçada da Língua Portuguesa. Quer ver só? Repita dez vezes seguidas, sem parar e bem rápido: mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca. Não é de chorar de rir? De novo: mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca, mandioca. Ah, eu não me canso de rir.


  • Uma aula do professor Lino Tucunduva, na UEL. Sei lá o que ele ensinava, era uma teoria qualquer. E tava a rodinha formada na sala, maior debate sobre alguma coisa sociológica. E as minas tagarelavam, falavam, davam palpite sobre tudo. Aí passaram a palavra pra mim. Eu não tava nem aí pra discussão, mas, como insistiram em ter a minha opinião, falei: “Não sei por que vocês ficam discutindo essas coisas. Cês vão tudo casar e bater bife pra marido.” Quase apanhei.


  • Nó-cego: um jeito todo “estilo meu pai” de xingar.


  • Bula, estomatite, sino, pardal, suarabácti, girafa, maleita, mandioca - essa nossa Língua Portuguesa tem mesmo umas palavras muito bem inventadas!


  • O bocejo é contagioso.


  • Morango, laranja e regular: os três sabores da Emulsão Scott.


  • “Não é possível negar comida a quem passa fome, é muito feio e desumano” - Alice Fais de Almeida.


  • “As coisas não ditas apodrecem em nós” - Nelson Rodrigues.


  • “Falta Deus no coração dos bandidos” - José Tavares.


  • “Te amo tanto, que até lustro seu chão com Polwax” - Zero.


  • Suarabácti = epêntese.


  • E tem as vezes em que eu vou coçar o olho e esqueço que estou de óculos e meto o dedo na lente.


  • Apresentarei agora, em primeira mão na rede mundial de computadores, a letra do estribilho de meu sensacional “Pagode da Pilha”, música que venho compondo desde 1998 e que, breve, estará nas paradas de sucesso de todo o Brasil. Aí vai: “Pega minha pilha / ela tá cheia de energia / pega minha pilha / pega, minha filha / pega, pega, pega”.


  • Vamos beber vinagre, vamos telefonar pro Tanabe, vamos avisar para quem sabe e também pra quem não sabe: não existe rima para Zimbábwe.
  • Estórias sem fim VIII

    I
    - A Val foi picada por uma aranha-marrom!
    - Meu Deus!! E a aranha-marrom, tá passando bem??!
    - ...

    II
    - Quer um halls?
    - Obrigado, não, eu sou diabético.
    - Ah, tenho casos de diabetes na família da prima da parente da amiga de uma conhecida minha.
    - Eu também, que coincidência!
    - Tá vendo, fomos feitos um pro outro!
    - É mesmo, vamos casar?!
    - ...

    III
    - Naquela rua. Putz, como é mesmo o nome?
    - Qual?
    - Aquela. O nome é... aquele doce... bem sincero...
    - Ahn??!
    - Ah, lembrei. Brigadeiro Franco.
    - ...

    IV
    - Agarro tuas letras pelas serifas.
    - Não dá, eu uso arial.
    - Então aplico meu itálico no teu corpo.
    - ...

    V
    - Seu João, é verdade que o sr. estuprou a Dercy Gonçalves?
    - Istrupei nada! Ela deu porque quis!
    - ...

    VI
    - Você não vai ver, você vai estar de olhos fechados.
    - Hmmm, e o que vai acontecer enquanto eu estiver de olhos fechados?
    - Você vai gemer muito.
    - Uau!
    - Mas só até a faca cortar a sua jugular.
    - ...

    VII
    - Me fala uma coisa surpreendente.
    - Você é linda.
    - Ah, mas isso não me surpreende. Fala outra.
    - Você é linda, mas eu prefiro seu irmão.
    - ...

    VIII
    - Ah, eu nem sou tudo isso.
    - Você quer o quê, então? Que eu fale que você é feio e que eu não vou ficar com você?
    - Não, né...
    - Então cala a boca e aprende a aceitar o elogio!
    - ...

    IX
    - Eu tenho comido fritura todo dia, doutor. O que o sr. acha que pode acontecer comigo, quando eu tiver 120 anos?
    - ...

    X
    - Eu fico pensando. Como será o bauru em Bauru?
    - E a suruba no Suriname?
    - Dentro de um Subaru??
    - ...

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    Antes que eu enlouqueça

    Tenho pensado muito em tudo. E tudo tem pesado muito em mim. Mas o peso que pesa em mim não é nada, comparado ao peso que pesa sobre tantas outras pessoas. Todo mundo tem sempre pelo menos uma queixa, eu tenho várias, mas, ultimamente, sempre que me perguntam como estou, respondo:
    - Estou bem, mas vou ficar melhor.


    Hoje, 5 de dezembro de 2003, 00:51:48
    Ontem, 1º de dezembro de 2003, 18:54:12


    tudo é uma questão de tempo



    chove em campinas, em bauru, em pirassununga, em santos. névoa em marabá. trovoadas em criciúma. venta em vitória, muitas nuvens cobrem a região de são paulo, ainda chove no rio. o chão, os prédios, as cabeças descobertas nas ruas de foz do iguaçu são castigados por pancadas de chuva. as trovoadas assustam manaus, jacarepaguá, jacarezinho, macaé, santa maria (rogai por nós). nuvens carregadas em sabáudia. ar seco em porto alegre. tempo chuvoso no sul de rondônia. (não viaje para rondônia, o tempo está chuvoso no sul de rondônia e lá não existe ovomaltine, é besteira viajar para lá.) o calor e a umidade alta formam nuvens carregadas na região de goiânia. pancadas de chuva (ai meu coco!) já ocorrem na região. a temperatura é de 28ºC. chove forte no norte de cianorte. no distrito federal, o sol aparece entre muitas nuvens. pancadas de chuva em uberlândia, como doem as pancadas de chuva em uberlândia!

    e aqui em curitiba, sim, o tempo se move e é para lá que ele vai: lá para onde eu também vou, levando blusa de frio, guarda-chuva, guarda-sol, sunga, sundown, gorro, chapéu, água mineral, chocolate quente. é preciso estar preparado para todo tempo que houver nesta vida.

    eu tenho dois olhos




    eu tenho dois olhos


    nas proparoxítonas, nas caatingas, nos aviões, nas redundâncias, nos pleonasmos, nas estalactites, no breu, no caos: há em toda parte uma lembrança do teu olhar. eu te garanto: nos sessenta minutos das três horas desta madrugada, haverá em cada um deles uma lembrança do teu olhar. mesmo lá em tóquio, na terra do sol nascente, onde neste momento está frio e chove, mesmo lá sem sol existe uma lembrança do teu olhar plantada em alguma esquina. como aqui, na esquina da alferes com a silva, existem: uma farmácia, uma padaria, uma loja de colchões, uma loja de aparelhos de ginástica e uma lembrança do teu olhar na quinta ponta da esquina, na ponta oculta que ninguém pode ver. apenas eu, se esticar o pescoço pela janela, verei a quinta ponta da esquina, oculta, escrachando a lembrança do teu olhar para mim. eu tenho um desespero crônico de perder uma idéia, eu tenho uma obsessão pelas proteínas do leite, eu tenho um corte fino e profundo na dobra da base do polegar da minha mão direita, mas nada disso se assemelha à lembrança do teu olhar, que está em toda: parte perto da porta da pasta da posta da pista do pesto da peste da pústula dos pulhas da palha da peia da pia do pó. o teu olhar. a tua lembrança. o teu olhar que ri com o teu riso. o teu olhar que me olha de través. eu sei, eu olhei, eu vi, eu flagrei: o teu olhar me olhar de través. há uma parede inteira para ser escalada e eu te convido para subirmos juntos.

    o teu olhar nas minhas lentes de contato
    o meu olhar nas tuas costas
    o teu olhar nos meus cabelos brancos
    o meu olhar nos teus braços
    o teu olhar na cicatriz da minha testa
    o meu olhar no teu flexor ulnar do carpo
    o teu olhar nas minhas orelhas de semi-abano
    o meu olhar na oxítona do teu nome
    o teu olhar nas minhas unhas roídas
    o meu olhar no teu extensor ulnar do carpo
    o teu olhar na assimetria da minha boca
    o meu olhar na assimetria do teu olhar
    o teu olhar na miopia do meu olhar

    Há tanto por dizer

    Há tanto por dizer

    Terça-feira, 12 de agosto de 2003, 18:53:16

  • Tá ventando na minha casa inteira.

  • A tua ausência na minha presença me deixa desatarraxado da minha cabeça.

  • Eu nunca pulei carnaval.

  • Eu nunca fui ao circo.

  • Eu nunca aprendi inglês.

  • Eu nunca ganhei na loteria.

  • Eu não me canso de ser sozinho.

  • Se eu me chamasse Antenor, eu teria uma loja de antenas.

  • Se eu me chamasse Arlindo, eu teria uma loja de ar condicionado.

  • Se eu me chamasse Bibi Ferreira, eu teria uma loja de buzinas.

  • Se eu me chamasse Joana Fomm, eu também teria uma loja de buzinas.

  • Se eu me chamasse Sebaldo, eu teria um sebo.

  • Se eu me chamasse Barbosa, eu teria um bar.

  • A primeira vez que vi a palavra “bastardo” foi numa revistinha pornô que estava escondida debaixo da caixa de estopa, nos fundos da prateleira de guardar latas de tinta, ao lado da estufa de pintura da oficina do meu pai. A revista tinha uma fotonovela de sexo explícito. Um cidadão e uma moça estavam em congresso carnal, e, num balãozinho tipo de história em quadrinhos, ela exclamou: “Hmmmm, seu bastardo!!”

  • Se eu morasse em Ubá, eu teria uma fábrica de fubá.

  • Getúlio Vargas se matou com um Colt.

  • Juca Kfouri revelou que, ao contrário do que todos pensam, a redação da revista Playboy não vive cheia de mulheres peladas.

  • Juca Kfouri é jornalista e foi diretor de redação da edição brasileira da revista Playboy.

  • Comi Panetoddy e tomei leite com Ovomaltine.

  • Cada um deve saber onde o sapato lhe aperta.

  • Redundância, pleonasmo, pijama, graxa, arrepio, estalactite, breu, caos, reputação, orgasmo, tolo, comarca - Deus, quantas palavras bonitas na nossa Língua Portuguesa!

  • O titular do cartório de Londrina onde meu nascimento foi registrado, Gabriel Nunes Pires Neto, está preso em Curitiba. Dizem que roubou o Banestado.

  • Gabriel Nunes Pires Neto: esse nome não é meu, mas me acompanha desde que eu nasci.

  • A primeira vez que eu ouvi a palavra “menopausa” foi na sacristia da igreja onde eu era coroinha. Duas beatas conversavam sobre assuntos diversos, quando entrou uma terceira e exclamou: “Deus, que calor! Parece até que estou na menopausa!”

  • Quando eu era pequeno, eu chamava Ovomaltine de Ovodite.

  • Alarido: não é um barulho comum, mas um barulho estridente, que fere os tímpanos.

  • Salicílico.

  • Castorina. Repita comigo: Castorina.

  • Abigail é nome de matrona. Abigail é capaz de tudo para proteger sua família.

  • Obeso: a palavra, em si, já é gorda.

  • Não existe Ovomaltine em Rondônia.

  • Pescoço pelado, pesadão e carijó: são três tipos de frango.

  • O Paquistão é a potência mundial do squash.

  • Juscelino Kubitschek construiu uma cidade e morreu dentro de um Opala.

  • Não existem gays em Borrazópolis.

  • A primeira vez que vi a palavra “anticonstitucionalissimamente” foi num Almanaque Sadol de algum ano da década de 80.

  • É frescura não gostar de Ovomaltine.

  • É adorável usar a expressão “de ponta-cabeça”.

  • Era só começar uma conversa paralela na aula da Sônia Weill e ela estalava os dedos e berrava: “Aaalôôô!” E o bestão aqui sempre respondia: “Quem fala?!” Ninguém achava graça.

  • Já chamei o Santo Nome de Deus duas vezes neste texto. Três, agora.

  • Experimente não andar na linha com Abigail. Com ela, não se brinca.

  • Eu tenho um projeto e ele está em tramitação: te beijar durante 47 minutos seguidos, pra quebrar o meu récorde.

  • Porque eu tenho uma meta: te dar o meu e pegar o teu: o teu olhar nas minhas lentes de contato, o meu olhar nas tuas costas, nos teus braços, no teu flexor ulnar do carpo.

  • O meu olhar nas proparoxítonas, nas caatingas, nos aviões que assam batatinhas na Serra do Mar.

  • Quando eu era pequeno, eu achava que o nome daquela cidade era Cornélio Crocópio, com C.

  • Eu gosto de colocar a chave de casa no bolso pequeno da calça, onde é mais fácil encontrá-la.

  • A padaria da esquina da Buenos Aires com a Silva Jardim é para a molecada do Colégio Sagrado a mesma coisa que a confeitaria da Vanessa, na rua Alagoas, era para nós que fomos a molecada do Colégio Canadá.

  • Quero me apresentar. Sou psicologista, formado pelo curso que o professor Hélio Costa deu no Fantástico, nos anos 70/80. Psicologia prática aplicada ao cotidiano. Meu bordão: “frescura, filho”. Meu segundo bordão: “vou te receitar uma laje pra encher por dia e esse teu problema acaba”. Muito longo esse meu segundo bordão, não vai pegar. Ah, sim. Meu nome é Nêdo Zamberlão. Doutor em vida. Sei o que se passa no coração só de olhar os dentes do paciente.

  • Sim, o inferno é um hipermercado cheio num domingo à noite - e você vai pensar duas vezes antes de ser um mau menino.

  • Mexeu com Abigail, tomou doril.

  • Vai ter cota para orelhudos? Estou na fila.

  • Ó bem aventurada Virgem Maria, rogai ao vosso Divino Filho Jesus por nossas famílias, para que Ele desterre de nossas vidas todos estes males. Amém.
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