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dizem que "o destino do amor é sempre a despedida". mas o que dizer, então, do amor não-nascido, do amor incubado, recolhido, aquele que não se concretiza? não há despedida se nem houve chegada! como ir embora, sem ter vindo? nem sempre, portanto, o destino do amor é a despedida. às vezes, ele morre sem nascer. pensando isso, pensei também que, se eu tivesse um amor a esquecer, eu juro que sofreria tanto, mas tanto, que, depois de chorar mais que o céu no temporal da tarde de hoje, escreveria as seguintes palavras:
ainda que no meu leste me reste este pensamento recorrente, eu juro que já te deixei há muito tempo, em algum canto do chão, junto das lascas de unhas roídas, das cacas tiradas do nariz, dos farelos de pão morto e das letras deletadas. eu juro que, embora nas ocasiões mais sem propósito, teu nome brote do nada na minha cabeça, é só um eco antigo. é como as unhas que ainda crescem por um tempo depois que já se é defunto. até mesmo porque eu já esqueci você.
mas eu estou na entressafra e não tenho amor a esquecer. mas é sempre bom ter reservado um jeito de chorar!
Eu sei fazer risoto
Eu tenho de confessar. Quando vou pendurar roupas no varal, combino a cor dos pregadores. Nunca coloco pregadores de cores diferentes na mesma peça. Isso é grave, doutor?
Abriu um Burger King no Shopping Mueller. E hoje havia fila lá! Achei incrível as pessoas se prestarem ao papel de enfrentar uma fila — e não era pequena, não! — pra comer uma porcaria de um sanduíche gordurento e assassino.
Isso me fez lembrar quando trabalhei em Maringá e fui cobrir a inauguração do Shopping Aspen Park. As pessoas fizeram fila pra andar de elevador panorâmico. O shopping tem dois andares. Elevador panorâmico. Dois andares. Fila. As pessoas fizeram fila.
Em Curitiba, as pessoas não falam pregador ou prendedor de roupa. Falam "grampo de roupa".
Aprendi a fazer risoto! Já fiz de presunto parma com champignon e sálvia (dica do Carlos) e também o clássico tomate-seco/rúcula/mussarela de búfala.
Aqui vão duas das melhores frases de todos os tempos de todos os Tipos:
"Na cozinha, as almas se purificam. Os pecados se aniquilam. As dores ficam menores." (Rodrigo Manzano)
"Dizem que o amor abre portas. Só não explicaram que essas portas são giratórias." (Márcio Leijoto)
E tenho desejado escrever histórias por linhas tortas, pois as retas dão sempre no mesmo lugar.
Olá, amigas e amigos! Enfim... mais uma edição do Perfil das Personalidades! Depois de tanto tempo, não? Saudade total, eu sei! Mas seguimos firmes na nossa tarefa, contemplando os destaques de todos os reinos. Já mostramos representantes dos reinos animal, vegetal, mineral, automobilístico. Agora, novidade incrível: é a vez de um integrante do reino alimentar! Tenho a grata satisfação de vos apresentar o mais completo tratado generalista que já se fez sobre
A PAÇOQUINHA
Foto: João Primo
olha-me naquela tensão dos sentimentos inesperados, com o desconforto da dúvida, do medo do malpasso, mas olha-me. olha-me na instabilidade deste mundo, onde tudo é suspeito, onde tudo que é errado se justifica porque outros já fizeram igual; olha-me com desesperança, mas olha-me. eu não te salvarei a pele das coisas deste mundo, não livrarei teu coração das dores e opressões e teu dorso das fadigas. meu poder é de no máximo abraçar-te, dar-te abrigo no peito, correr as mãos por teus cabelos, dizer algumas palavras nos teus ouvidos, tratar-te em segunda pessoa do singular. mas olha-me. em meio a limites, hesitações, fraquezas, me veja humano, desconfiável como qualquer outro, com meu grande presente: eu te ofereço o meu mistério que se desfaz na tua paciência de me conhecer, na tua santa paciência de me descobrir igual a qualquer outro — só que um pouco diferente.