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Arquivo: 2007

Notas cheias de mim


Fonte: G1

Já diz aquela música que o MPB4 gravou nos anos 70: "todo amor um dia chega ao fim". Diz também uma música, aquela do Los Hermanos, que "todo carnaval tem seu fim". A banda, aliás, também já teve seu fim. Assim como 2007 chega ao fim. A vida da Maysa chegou ao fim e eu cheguei ao fim na leitura da biografia dela. Tudo acaba. Tudo tem seu fim. Essa é a grande lição da vida: tudo tem fim. Inclusive meu sabão em pó de 7kg, uso institucional, que acabou hoje. Ele existia desde julho.


Até que aturou bastante.

E chegou ao fim também, nesta semana, a minha carteira de identidade, que tinha mais de 20 anos. Ela se transmutou nisto:


Mandei plastificar e a máquina enguiçou bem na hora. Agora, eu tenho um RG torrado e moído. E fim.

maysa



ela está sobre a mesa da sala e me olha profundamente: maysa. só. numa multidão de amores. maysa e aquela vida desesperada, aquela vida desentranhada e eviscerada e exposta e intensa e vivida como se no último instante, como se na última chance, como semeando tempestades na esperança de colher amores. eu converso com maysa. eu, quando vejo maysa me olhando daquele jeito, não resisto e falo com ela, como falo com as plantas da sacada, como falo sozinho, como dou bom-dia aos varredores da minha rua, como digo oi pros velhinhos que freqüentam a feira. eu falo oi para maysa; eu sei que ela ouve. e maysa inquieta, maysa tumultuada, maysa barulhenta - maysa agora me olha num silêncio profundo e tenaz. maysa me julga. maysa, no fundo, tem dó de mim.

escarcéu

é como se os olhos enlouquecessem
os olhos enlouquecessem
e os códigos html do mundo aparecessem
embaralhados
uma nuvem de ponta-cabeça
no lugar do chão um céu
na esquerda a direita
no templo o prostíbulo
e versa-vice
vá-se-embora eu-te-amo
arroz com goiabada
feijão com queijo
a vida virada diante dos olhos
diante deles
um imenso escarcéu
esta bagunça
de fim de ano

O sorriso do Karam


Foto: Gloria Flugel, retirada do blog do Zé Beto.

Não contente em ficar contente, o Karam ainda fazia as pessoas à sua volta ficar contentes também! Pra ter uma idéia, basta ver o sorriso maroto da foto acima, retirada do blog do Zé Beto. Sorriso de quem via o nonsense das coisas. Hoje, Manoel Carlos Karam foi embora, mas deixou vários abraços a todos, em forma de livros e na memória da família e dos amigos. Foi um privilégio ter convivido por 3 meses com ele, na campanha de 2000. Um abraço, Karam!!

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o imediato

as pessoas querem a coisa mágica. a fortuna mágica, que chega com a mega-sena acertada. o amor mágico, que chega à primeira vista. construir, que é bom, poucos querem. é o imediato que interessa, se não aconteceu agora, nunca mais haverá. e então muitas coisas boas se perdem porque simplesmente não se quer sacrifício algum, abrir mão de nada, ceder, encarar defeitos, deficiências. é o perfeito que se busca e, aliás, nem se busca; na real, é o perfeito que se quer achar sem busca, sem esforço algum. porque, além de bom, tem de ser agora.


***

mas eis que tudo está milimetricamente pensado, a hora de sair, o tanto de carros a vencer para atravessar a rua, quem encontrarei no caminho, quem nunca mais encontrarei em parte alguma (quem parte ou morre), o dia do pagamento, o gasto desnecessário, a sobra da alegria, tudo está rabiscado em algum projeto, em algum canto, num pedaço de papel de pão, no gesso no braço do menino, nas manilhas debaixo da terra, e é um plano mirabolante em que mocinhos e bandidos se congratulam no final.

um tanto desbotada

eu te olharia quantas vezes fosse preciso para descobrir nas mesmas fotos as novidades que conheço há tanto tempo. eu sei que os seus olhos continuam da mesma cor, que os seus pés ainda calçam o mesmo número, só não sei como está o seu cabelo, mas deve estar bonito, porque tudo que é seu: é belo. se lembra da camisa amarela? eu me lembro da camisa da seleção inglesa de rúgbi, estragada pela sua empregada. a minha, da seleção da áfrica do sul, continua a existir, um tanto desbotada como o seu sentimento por mim -- mas ela ainda existe. escrevo este relato para que você saiba que me lembrei de você olhando umas fotos antigas de 3 ou 4 anos atrás. embora eu não precisasse de fotos para recordar sua existência. você está feliz? se você está feliz, eu também fico. espero que tudo esteja bem e cada vez melhor.

Olha o tempo passando...

Achei um barato (ainda se diz isso?) estas fotos:

Foto: Arquivo Real e Fiona Hanson/Reuters
Foto: Arquivo Real e Fiona Hanson/Reuters. Fonte: G1.

***

Oba! Tem post meu no almanaque! :-D

A noite do Zero

Eu gosto demais quando aparece um post meu no almanaque da página inicial do tipos. Todo dia aguardo ansioso a virada da meia-noite, pra ver se apareço ali. Mas a meia-noite do almanaque do tipos anda demorando um pouco mais. Tanto que são quase duas da manhã e lá ainda aparecem os posts de 19 de novembro. Será que vai ter post meu hoje? Tem post do Manzano praticamente todo dia, sendo que ele parou de blogar há mais de 4 anos. Ele não é meu amigo, eu não sou amigo dele, nós nem nos conhecemos, por isso posso elogiar insuspeitadamente: gosto do jeito como ele escreve(u). O arquivo de posts dele é um tesouro. E esse almanaque que o Moraes inventou é uma beleza, porque resgata posts legais do passado.

***

Por falar em passado, fui assistir ao filme "O passado" no domingo passado e fiquei passado. Me deu uma raiva danada da guria que estraga a vida do cara só porque ele não quis mais ficar casado com ela. Com o perdão da palavra, ela é uma lazarenta!

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Lazarento é um xingamento clássico! Eu usava muito na 8ª série. Vem do fato de Lázaro, personagem bíblico, ser portador de lepra, a atual hanseníase. Naquele tempo, ter lepra era motivo para ser banido da sociedade. Mas se Jesus curou Lázaro, porque lazarento virou xingamento?

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Você percebe que está irreversivelmente ficando velho quando acha mais legal ver vitrine de loja de cama, mesa e banho do que vitrine de loja de roupas.

o dia do zero

eu levantei cedinho, levei a bete pro aeroporto e voltei pra dormir mais. fazia tempo que eu não via um domingo de manhã. da minha casa até o afonso pena, são exatos 30 minutos. uma viagem para mim, que raramente tenho saído de carro. isso de morar a 200 metros de onde eu trabalho é muito bom, mas me torna ainda mais caseiro do que tenho me descoberto nos últimos 6 ou 7 anos. minha irmã que mora em brasília escreve pra dizer que lá o sol está de rachar. aqui nem tá muito sol. a tarde é meio nublada. mas tá bom pra secar as roupas que lavei. gosto de cuidar da casa, mas ando com uma preguiça incrível, o que me faz adiar tudo até a hora em que não há mais como deixar pra depois. me deu uma vontade súbita de ouvir a ópera do malandro, redescobri esse disco esses tempos e me surpreendi ao perceber que gosto de todas as faixas, sem exceção. mas as minhas favoritas são tango do covil, doze anos, o casamento dos pequenos burgueses, homenagem ao malandro e geni e o zepelim - exatamente as faixas de 5 a 9. o miolo do disco. se chico buarque tivesse atualmente 20% da inspiração daquela época, estaria ainda fazendo trabalhos maravilhosos. que mais? eu ia dizer mais alguma coisa. comecei a ler a biografia da danuza leão, terminei de ler o vulto das torres, a semana vai ser de muito trabalho e acho que vou ao cinema agora de noite. a máquina acabou de centrifugar as toalhas de rosto e banho e agora vou ali pendurar tudo no varal.

***

ah! lembrei a coisa que eu ia dizer. quarta-feira, fui com a simone ao mercado municipal comprar ingredientes pro nosso jantar do feriado. a gente precisava de licor de laranja para pôr numa sobremesa. ocorre que uma garrafa de cointreau, o melhor licor de laranja, segundo a simone, custa um pouco caro e precisávamos só de uma dose. então, decidimos comprar só uma dose! mas onde levar, sem risco de vazamento? bem, vocês sabem que uma das maiores qualidades que um homem pode ter é a capacidade de encontrar rapidamente soluções criativas para os desafios do cotidiano. então tive uma brilhante idéia, modéstia à parte.



é, nós compramos um frasco de exame de urina pra carregar licor de laranja! obrigado pelas palmas. :-D

Ruídos e sons incômodos

Esta notícia me surpreendeu.

***

Depois dizem que o Paraguai não é civilizado.

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