Um universo imenso e novo
um espaço para fotos.
Diversão, diversão!
Minhas novas fotos:
http://www.flickr.com/photos/gabicanale
June 04, 2008
prelas
May 28, 2008Sabia moça alguma.
Sabia dom algum.
Sabia do Nada, nobre coitada.
Sábia indecisão.
são paulo
May 26, 2008

de vagar
sem rota fixa,
invulgar,
minha legião de e(u)s
me trouxe aqui.
e a ti,
vagaroso andarilho,
ofereço o meu estar:
casa em que meu corpo mora,
minha palavra deita,
meu amor aflora.
a fauna de lirismos brandos
e gratuitos a vagar
AGORA
não se esconde,
MORA.
e dos labirintos todos que tracei
(nas terras e pessoas em que eu morei)
esta cidade-amor que eu encontrei
DEVORA.
Morar é só dentro da gente
April 13, 2008
Algumas,
de todas as verdades,
são palavras de promessa.
E com elas escrevo poemas caducos
de rimas incongruentes:
poemática de Radiohead e cerveja, pra lembrar o que se é.
Tristeza de transição, me cantam os versos.
Triste porque há solidão e uma redoma ao lado da Av. Paulista, mas não há carcereiros.
E a travessia -
menina doce,
liberdade atravessada,
inconseqüência sensata,
neblina,
razão e irresponsabilidade.
Atravessar paralisa tudo ao redor
olha e congela o que demais há,
dissolve tudo que não é o presente,
derrete em slow motion o arredor
e faz flutuar em outra gravidade: meia atmosfera
{caminhar pelo solo lunar e ver ao fundo uma bola azul onde eu achava que sempre havia morado. Mas nunca morei. Porque não há casa, ou lar em lugar fixo e físico algum. Morar é só dentro da gente/ ser, sendo.}
as máscaras se desfazem. aquelas que grudaram a face - ter A casa, ser A mulher, saber As coisas – desfalecem.
E neste derreter todo há que se misturar até demais, e perder-se.
de todas as verdades,
são palavras de promessa.
E com elas escrevo poemas caducos
de rimas incongruentes:
poemática de Radiohead e cerveja, pra lembrar o que se é.
Tristeza de transição, me cantam os versos.
Triste porque há solidão e uma redoma ao lado da Av. Paulista, mas não há carcereiros.
E a travessia -
menina doce,
liberdade atravessada,
inconseqüência sensata,
neblina,
razão e irresponsabilidade.
Atravessar paralisa tudo ao redor
olha e congela o que demais há,
dissolve tudo que não é o presente,
derrete em slow motion o arredor
e faz flutuar em outra gravidade: meia atmosfera
{caminhar pelo solo lunar e ver ao fundo uma bola azul onde eu achava que sempre havia morado. Mas nunca morei. Porque não há casa, ou lar em lugar fixo e físico algum. Morar é só dentro da gente/ ser, sendo.}
as máscaras se desfazem. aquelas que grudaram a face - ter A casa, ser A mulher, saber As coisas – desfalecem.
E neste derreter todo há que se misturar até demais, e perder-se.
são paulo
April 03, 2008



Por que arde o olho?
March 10, 2008
Um nordestino trocou meus 10 reais por uma muda de manjericão e flores cor de rosa.
Amei o sotaque dele
e o cheiro delas.
Sinto teclas de um piano invisível.
Pianos de cauda.
Cafés amargos.
Vãos livres.
Pesadelos kafkanianos.

Hoje eu comprei flores e cervejas geladas que sorvi solitária e lentamente.
ArteS , eu construo um edifício no plural para esboçar, ler, cuspir e escarrar.
Porque eu trabalho com um milhão de artistas
e eles são tão vastos por dentro.
Difíceis, complexos.
Têm séculos de técnica dentro de si.
E teorias:
Dalcroze.koellreuter.Orff.Ostrower.Roubine.
Cancline.Huizinga.Freire.Ana Mae.
Comprei flores na Pamplona, entre a Jaú e a Santos.
Desci sozinha a rua (solitária por dentro e por fora).
Na sacola latas de ócio de 344 ml.
Artistas são tão fortes dentro da 4ª. parede -
fortes e prudentes na incoerência das composições: paisagem sonora, ações dramáticas, Machado de Assis, Bergman e o famigerado Dom Quixote ilustrado por Doré em 5 tomos.
Tantos artistas e tão
LIVRES!
Sem manifestos, sem roteiros.
Tantos artistas dentro de duas torres azuis.
Eu trago um tanto deles comigo.
(Trago, exalo e observo a fumaça subir.)
Sinto que tudo que sei sobre arte é um esboço tão diminuto.
Tão unilateral.
E, quando troco dinheiro por flor,
troco o que eu fui pelo que eles (os artistas das duas torres azuis) me fizeram ser.
Amei o sotaque dele
e o cheiro delas.
Sinto teclas de um piano invisível.
Pianos de cauda.
Cafés amargos.
Vãos livres.
Pesadelos kafkanianos.

Hoje eu comprei flores e cervejas geladas que sorvi solitária e lentamente.
ArteS , eu construo um edifício no plural para esboçar, ler, cuspir e escarrar.
Porque eu trabalho com um milhão de artistas
e eles são tão vastos por dentro.
Difíceis, complexos.
Têm séculos de técnica dentro de si.
E teorias:
Dalcroze.koellreuter.Orff.Ostrower.Roubine.
Cancline.Huizinga.Freire.Ana Mae.
Comprei flores na Pamplona, entre a Jaú e a Santos.
Desci sozinha a rua (solitária por dentro e por fora).
Na sacola latas de ócio de 344 ml.
Artistas são tão fortes dentro da 4ª. parede -
fortes e prudentes na incoerência das composições: paisagem sonora, ações dramáticas, Machado de Assis, Bergman e o famigerado Dom Quixote ilustrado por Doré em 5 tomos.
Tantos artistas e tão
LIVRES!
Sem manifestos, sem roteiros.
Tantos artistas dentro de duas torres azuis.
Eu trago um tanto deles comigo.
(Trago, exalo e observo a fumaça subir.)
Sinto que tudo que sei sobre arte é um esboço tão diminuto.
Tão unilateral.
E, quando troco dinheiro por flor,
troco o que eu fui pelo que eles (os artistas das duas torres azuis) me fizeram ser.
Eu e Eus
March 08, 2008foto: Flávia Daoud

EU, HOJE.
p.s. dadaísta:
mais uma descoberta randômica do Google -
Varal de Idéias - artes plásticas, brinquedos, putarias
(e mais tudo que você quiser)
pendurado com pregador de madeira
o que não é depois do antes?
March 06, 2008
Choque
February 01, 2008Ação urbana.
Sobe do chão de porto alegre uma memória sem data
January 11, 2008O que foi e o que é Porto Alegre se confundem.
Eu vivo dois tempos, não sei sentir dois presentes tão misturados.
Desaprendi o jeito de dizer as coisas.
Reconheço as ruas, sei onde ficam os museus que me interessam, sei onde fica o oeste que guarda sempre um pôr-do-sol colorido.
Mas é difícil andar pelas ruas e VÊ-LAS no hoje.
Este saudosismo me parece uma arma perigosa.
Um convite enfeitado e cheiroso ao congelamento.
Mas eu não sei congelar, nunca soube.
Uma fagulha em mim sempre compara e impede que qualquer coisa cristalize.
Estar viva na minha cidade natal, ou em qualquer outro lugar ou tempo é fagulhar. Isto é, é medir algo em relação a algo
- como se fora possível opor o que é distinto.
O tempo deste lugar já se foi há tanto em mim que guardo memórias das próprias memórias.
Como?
Decorei que qualquer símbolo de POA me soa bom, e ponto, como um aluno do segundo grau sabe o número atômico do Zinco, sem saber para que serve.
Impus-me a forma com que devo olhar para a passarela que liga um lado do Parcão ao outro, por exemplo.
Condicionei-me a amar o café tomado no terraço da Casa de Cultura Mário Quintana, mesmo que esteja quente demais para o verão e o adoçante muito amargo.
Terraço da Casa de Cultura Mário Quintana
Obrigo-me a amar o que eu tive de tão perto, porque havia algo de melhor nas coisas, algo que era um eu profundo,
imerso-imenso,
inquestionável.
Algo que descobri por comparação,
com dor,
quando não tive mais.
Repito para mim o amor irrestrito que minha mãe guarda da cidade que ela viveu,
mesmo que não seja a mesma.
Nem sei bem se amo porque sinto irradiar de dentro um calor alegre por tudo, ou se me quero racionalmente deste jeito.
No antigo cenário, vejo tão poucos personagens.
Meus amigos viraram adultos.
Muitos adulteceram tanto que apagaram a infância, e no processo, deletaram a mim também.
Alguns viraram arquitetos, advogados, empresários.
Outros nomes esquecidos, rostos vagos, sensações.
Todos com o sotaque carregado do Sul, ao lado do Guaíba de erres fortes.
De todos amigos, meu coração preservou apenas três sem alteração alguma.
Entre eles, uma arquiteta que se casa amanhã. Ela me olha como se olhasse para uma espécie de limbo longínquo. Eu a vi tornar-se uma mulher de longe, e cada vez mais e mais distante. Sinto que a amo mais do que ela gosta de mim. Mas o amor é meu, e eu cuido e vejo a mulher bonita e generosa que ela se tornou. Questiono e me confundo com as decisões tão precisas e me maravilho como o impulso positivo e alegre que ela traz e relaciono carinhosamente com todas a memórias e idéias que trago comigo sobre ela há mais de 20 anos.
Guardo ainda outra arquiteta, com quem me exponho de todos os jeitos. Tomamos mate (várias cuias) e ela me conta a vida e tudo o mais que sente.
E eu idem.
Gosto tanto de ouvi-la. Nela enxergo as marcas da genética. Reconheço o tom da pele, o nariz e o jeito dos pais. Cada insegurança dela, eu devolvo com afeto de quem recebeu por anos risadas e risadas para espantar os fantasmas do apartamento 801.
Guardo também mulher séria, corajosa, sempre tão linda de beleza diferente da loira-alta-olhoazul-supernamoda-padrão-porto-alegrense. Com ela eu gosto de rir, de saber que somos menos e menos meninas, mais e mais tudo aquilo que nem imaginávamos. Admiro e sinto falta, vou vê-la em breve, espero, ela é sempre ocupada com o tempo presente que não consigo alcançar.
Depois de tudo vou costurar nas avenidas os versos que decorei do Mário Quintana.
Um a um.
Ainda não sei com que fita.
Costurarei todos os poemas que fiz ex-namorad@s ouvirem a esmo,
e decorarem compulsoriamente.
Quem sabe eu me liberto da que foi
e me torne uma Porto Alegre de agora,
em trânsito para o até breve?
Revival
December 24, 2007
"Eu te explico em mil palavras o que é vulgívaga
pingos de chuva: são teus?
para onde existem gabis brancas, para onde as gabis todas são azuis-anil.
gotas de pequena água, gotas de janelas, janelinhas: são tuas?
para onde as gabis só usam roupas de boneca, profusão de sardinhas: tuas, tuas perninhas? sutiãs elásticos: são teus? vidrnhos de perfume, vidrinhos de essênciazinha das gabis que vieram do sul, são teus esses caminhos?
para onde existem gabis bigodudas, para onde as gabis todas só pensam em churrasquear, chimarrear, Ilex Paraguaiensis, é tua essa bombachinha, meu amor?
gotas de pequena chuva, a cidade é tão tua, a cidade é tua mão, teu sufoco, teu prazer: são teus os mil orgasmos, terra de ruas, Riachuelo, Alagoas, são tuas as mãozinhas, os olhinhos apertados são teus?
onde por acaso as gabis todas existem em vitrines, para um local onde as gabis vivem solidificadas em museus, para onde as gabis transidas, as gabi paradas, as gabi plastificadas no âmbar - gabis mudas, gabis surdas - cerzidas com seda e turbantes, geladas, imemoriais.
são teus esses dentinhos? de onde surgiram batalhões de gabis, batalhões suaves de gabis insetívoras, intrépidas, para onde as gabis jantam folhas de chicória, para onde a firmeza dos músculos abdominais, para onde a legião de gabis se exaspera, calcinhas, joaninhas - gabis fartas, gabis férteis - para onde o acúmulo de tinta seca em pincéis, o acúmulo de amor nos teus delírios - gabis patas, gabis putas - para onde as luas refletem as tuas mãçãs do rosto e o céu indaga: são teus os negocinhos de comer sushi?
para uma nova avaliação das gabis, para uma gabi-glória do futuro, para um estudo dos mecanismos que subjazem à superfície da gabi, para um novo respirar em gabidutos, para um entristecer-se em gabicurvas, gabi-chuvas, brancas, brancas: são teus esses creminhos de passar no rosto?
gabídrico, gabifílico, gabólido, gabíssimo: são teus esses ingressos para o show? "
Ygor Raduy - 2004
pingos de chuva: são teus?
para onde existem gabis brancas, para onde as gabis todas são azuis-anil.
gotas de pequena água, gotas de janelas, janelinhas: são tuas?
para onde as gabis só usam roupas de boneca, profusão de sardinhas: tuas, tuas perninhas? sutiãs elásticos: são teus? vidrnhos de perfume, vidrinhos de essênciazinha das gabis que vieram do sul, são teus esses caminhos?
para onde existem gabis bigodudas, para onde as gabis todas só pensam em churrasquear, chimarrear, Ilex Paraguaiensis, é tua essa bombachinha, meu amor?
gotas de pequena chuva, a cidade é tão tua, a cidade é tua mão, teu sufoco, teu prazer: são teus os mil orgasmos, terra de ruas, Riachuelo, Alagoas, são tuas as mãozinhas, os olhinhos apertados são teus?
onde por acaso as gabis todas existem em vitrines, para um local onde as gabis vivem solidificadas em museus, para onde as gabis transidas, as gabi paradas, as gabi plastificadas no âmbar - gabis mudas, gabis surdas - cerzidas com seda e turbantes, geladas, imemoriais.
são teus esses dentinhos? de onde surgiram batalhões de gabis, batalhões suaves de gabis insetívoras, intrépidas, para onde as gabis jantam folhas de chicória, para onde a firmeza dos músculos abdominais, para onde a legião de gabis se exaspera, calcinhas, joaninhas - gabis fartas, gabis férteis - para onde o acúmulo de tinta seca em pincéis, o acúmulo de amor nos teus delírios - gabis patas, gabis putas - para onde as luas refletem as tuas mãçãs do rosto e o céu indaga: são teus os negocinhos de comer sushi?
para uma nova avaliação das gabis, para uma gabi-glória do futuro, para um estudo dos mecanismos que subjazem à superfície da gabi, para um novo respirar em gabidutos, para um entristecer-se em gabicurvas, gabi-chuvas, brancas, brancas: são teus esses creminhos de passar no rosto?
gabídrico, gabifílico, gabólido, gabíssimo: são teus esses ingressos para o show? "
Ygor Raduy - 2004
para o fim de semana
December 21, 2007
Gábi dit:
vamos fazer uma performance?
picega@hotmail.com dit:
de dança?
Gábi dit:
podemos nos vestir de tule e percorrer os bares de londrina mandando beijos sobre os ombros
picega@hotmail.com dit:
acho que a gente deveria fazer plaquinhas de "Free Hugs" e abraçar as pessoas da noite!
Gábi dit:
muito hippie.
Gábi dit:
vamos fazer algo mais acadêmico?
podíamos recitar nietzsche em várias línguas, correr pelados e escrever um aforismo no corpo
mas tem que ser o mesmo aforismo - um pedaço do aforismo em cada um de nós
picega@hotmail.com dit:
quero isso
Gábi dit:
eu quero que seja o 370
da Gaia Ciência
tem alguma preferência?
picega@hotmail.com dit:
não...
sou aberta
Gábi dit:
se bem que humano demasiado humano tem mais a ver com a intenção da performance
Gábi dit:
ixi, vamos ter que criar um grupo de estudos para definir o aforismo. o que vc acha?
picega@hotmail.com dit:
Ou uma tese de doutorado
picega@hotmail.com dit:
"O conceito de aforismo: A liberdade de expressão físico-corporal na manifestação cultural-popular da afornidade nietzschiana"
Gábi dit:
As variações do corpo: multiplicidade ontológica por uma estética da existência nietzschiana na pós-modernidade
picega@hotmail.com dit:
não obrigado, prefiro meu café com torradas, muito mais saboroso e sábio. tchau
vamos fazer uma performance?
picega@hotmail.com dit:
de dança?
Gábi dit:
podemos nos vestir de tule e percorrer os bares de londrina mandando beijos sobre os ombros
picega@hotmail.com dit:
acho que a gente deveria fazer plaquinhas de "Free Hugs" e abraçar as pessoas da noite!
Gábi dit:
muito hippie.
Gábi dit:
vamos fazer algo mais acadêmico?
podíamos recitar nietzsche em várias línguas, correr pelados e escrever um aforismo no corpo
mas tem que ser o mesmo aforismo - um pedaço do aforismo em cada um de nós
picega@hotmail.com dit:
quero isso
Gábi dit:
eu quero que seja o 370
da Gaia Ciência
tem alguma preferência?
picega@hotmail.com dit:
não...
sou aberta
Gábi dit:
se bem que humano demasiado humano tem mais a ver com a intenção da performance
Gábi dit:
ixi, vamos ter que criar um grupo de estudos para definir o aforismo. o que vc acha?
picega@hotmail.com dit:
Ou uma tese de doutorado
picega@hotmail.com dit:
"O conceito de aforismo: A liberdade de expressão físico-corporal na manifestação cultural-popular da afornidade nietzschiana"
Gábi dit:
As variações do corpo: multiplicidade ontológica por uma estética da existência nietzschiana na pós-modernidade
picega@hotmail.com dit:
não obrigado, prefiro meu café com torradas, muito mais saboroso e sábio. tchau
Nós no Orkut
December 19, 2007
Personalidades, personagens, pseudônimos, anônimos, blogueiros, jornalistas, czaristas, violinistas, direitistas, esquerdistas, alienistas, todos os tipos se encontram neste mais acessado, mais bem escrito, encenado, iluminado, maquiado e interpretado portal de blogs, agora com versão orkuteira.
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Os lugares do Nome - Deslocamentos
December 14, 2007
Ação realizada dia 3 de dezembro de 2007 na oficina de Yuri Firmeza "Deslocamentos na arte Contemporânea" da Funarte no Museu de Arte de Londrina. Surpresinha: no final do vídeo há uma participação especial de uma figura tão lendária quanto o Nego Bala.
nosso nome, uma herança imposta
eterna e compulsória
coleira abstrata costurada na carne.
fiquei uma noite inteira pensando nisso:
a multiplicidade de eus que cada um de nós carrega é subjugada à rigidez fixa de um nome?
meu nome é tão livre quanto qualquer coisa viva. meu nome não é fixo, eu pensava.
para me tranquilizar tracei a história do meu nome mentalmente:
sou pelo menos dois lugares:
Canale - cidade italiana
Miola - uma rua também na Itália
Da mistura de italianos com italianos veio uma Gabriela brasileira.
Gabriela?
Minha mãe desmente, mas eu acredito que escolheu Gabriela por conta da obra do Jorge Amado que a época do meu nascimento tinha uma versão televisiva.
A sensual "Gabriela, Cravo e Canela" da literatura brasileira e o nome dos lugares italianos.
Meu nome tem muitos espaços escondidos nestes dois lugares.
E eu sempre os refaço.
Os amigos me chamam Gábi por insistência. Sou gaúcha, lá Gabriela é Gábi.
Do Paraná pra cima, todo brasileiro chama Gabriela de Gabi, que para mim soa tão feio e artificial como Barbie.
Inventei, portanto, o meu nome afetivo capaz de me fazer sentir pröxima a minha cidade natal: Gábi.
Inventei uma versão jornalística: Gabriela Canale.
Esta é a mesma que uso para assinar artigos, quadros e filmes.
A cor de canela da Gabriela do escritor misturada à alvura extrema da minha pele quase italiana faz e refaz os lugares que eu carrego e recrio.
Toda vez que você lê meu nome tenho a sensação de que me lê diferente.
Quem me ama lê uma Gabriela feliz, quem tem rancor lê uma outra, misturada e escura.
Meu nome é mutante.
Quando descobri que as palavras que constam em todos meus documentos e que eu vou ouvir pelo resto da minha vida são fluidas, juro que fiquei em paz.
Saber que levamos nossos lugares e recriamos nossos nomes me deu orgulho de todos meus amigos: artistas de si mesmos.
Me conta?
Quais os lugares do seu nome?
Vamos montar uma genealogia cartográfica dos nossos lugares?
nosso nome, uma herança imposta
eterna e compulsória
coleira abstrata costurada na carne.
fiquei uma noite inteira pensando nisso:
a multiplicidade de eus que cada um de nós carrega é subjugada à rigidez fixa de um nome?
meu nome é tão livre quanto qualquer coisa viva. meu nome não é fixo, eu pensava.
para me tranquilizar tracei a história do meu nome mentalmente:
sou pelo menos dois lugares:
Canale - cidade italiana
Miola - uma rua também na Itália
Da mistura de italianos com italianos veio uma Gabriela brasileira.
Gabriela?
Minha mãe desmente, mas eu acredito que escolheu Gabriela por conta da obra do Jorge Amado que a época do meu nascimento tinha uma versão televisiva.
A sensual "Gabriela, Cravo e Canela" da literatura brasileira e o nome dos lugares italianos.
Meu nome tem muitos espaços escondidos nestes dois lugares.
E eu sempre os refaço.
Os amigos me chamam Gábi por insistência. Sou gaúcha, lá Gabriela é Gábi.
Do Paraná pra cima, todo brasileiro chama Gabriela de Gabi, que para mim soa tão feio e artificial como Barbie.
Inventei, portanto, o meu nome afetivo capaz de me fazer sentir pröxima a minha cidade natal: Gábi.
Inventei uma versão jornalística: Gabriela Canale.
Esta é a mesma que uso para assinar artigos, quadros e filmes.
A cor de canela da Gabriela do escritor misturada à alvura extrema da minha pele quase italiana faz e refaz os lugares que eu carrego e recrio.
Toda vez que você lê meu nome tenho a sensação de que me lê diferente.
Quem me ama lê uma Gabriela feliz, quem tem rancor lê uma outra, misturada e escura.
Meu nome é mutante.
Quando descobri que as palavras que constam em todos meus documentos e que eu vou ouvir pelo resto da minha vida são fluidas, juro que fiquei em paz.
Saber que levamos nossos lugares e recriamos nossos nomes me deu orgulho de todos meus amigos: artistas de si mesmos.
Me conta?
Quais os lugares do seu nome?
Vamos montar uma genealogia cartográfica dos nossos lugares?
November 25, 2007










A cidade é delas.
Todas as fotos que fiz do Centro de Londrina têm as marcas das pombas: as milhares de manchas brancas de cocô no chão. Sem mencionar elas próprias, andando e ciscando na rua entre as pessoas ou dentro de lojas e restaurantes.
A melancolia da música Londrina, do Arrigo Barnabé, me dá uma nostalgia de uma cidade sem o mal cheiro, as penas e os barulhos quase onipresentes destes bichos.